ASCENSÃO PLANETÁRIA

AMIGO LEITOR!!! Nossa missão aqui é apenas de divulgar a "Ascensão" do Planeta Terra e dos seres que nele habitam. Não temos a menor intenção de impor ou convencê-lo de qualquer assunto aqui tratado. Deixamos claro que não se trata de nenhuma seita ou religião e também não discriminamos ninguém, quer seja por raça, partido, opção sexual ou religiosa. A principal intenção é de informar, ao amigo leitor, sobre temas e assuntos que, em nossa opinião, entendo serem tão importantes e necessários, e que num futuro muito próximo, poderá lhe ser útil. Pedimos apenas que use seu discernimento o máximo que puder, meditando, analisando e, por que não dizer, questionando o que aqui vier a ler…. SEJAM TODOS MUITO BEM VINDOS E FIQUEM NA LUZ !!!

ARRET – O Diário da Viagem

Copyright © 2.001 porJ.A. DALCOL

Título Original: ARRET – O DIÁRIO DA VIAGEM

Registrado na Fundação Biblioteca Nacional sob nº 224.272

ISBN nº 85-901892-1-X   

Código de barras nº 9788590189213

Edição eletrônica revisada e ampliada – Fevereiro de 2009

Editor: J. A. Dal Col

Editoração eletrônica: J. A. Dal Col

Revisão: MariaSolangeD. V. DaIColePriscilaD. VDaICol

Capa: J. A. Dal Col, Tathiana D. V. DaI Col e Bruno do VaI Benes

OBSERVAÇÕES:

Os leitores e leitoras estão autorizados pelo autor a repassar cópias eletrônicas ou em papel para qualquer pessoa desde que não envolva cobrança ou favorecimento de qualquer espécie.

O principal objetivo é divulgar uma mensagem de esperança para o maior número de pessoas possível, antes da ocorrência do exame de seleção planetário, a “separação do joio e do trigo” prevista por Jesus e por inúmeros profetas, como São Malaquias, que a prediz para o momento seguinte à morte do Papa atual e eleição do último Papa, o Pedro Romano.

Qualquer comentário, crítica ou sugestão poderá ser feita através do email ecovilavaledourado@gmail.comO outro livro da trilogia, ARRETO Passado do Planeta poderá ser obtido gratuitamente no site www.ecovilavaledourado.com.

Se você gostar deste livro, vai adorar ARRETO Passado do Planeta e vai se emocionar com o grande trabalho que os seres espaciais, os Anjos da Colheita, realizaram antes, durante e, especialmente, após do exame de seleção planetário.

Acreditamos que quem ler os dois livros não terá mais nenhum tipo de medo a respeito da transição planetária, também conhecida como exame de seleção, separação do Joio e do Trigo, ou como “fim do mundo” e final de ciclo.

Pelo contrário, acreditamos que passarão a desejar que esse grande evento ocorra o mais rápido possível e que logo floresça em nosso planeta a nova sociedade, conforme está descrito em ARRET – O Passado do Planeta, que algum tempo depois se transformará no modelo social descrito neste livro.

Para se urbanizar uma favela com moradias dignas, água tratada, rede de esgotos, ruas, praças e vários equipamentos para melhorar a qualidade de vida dos moradores, é necessário, antes, derrubar as edificações existentes, retirar os entulhos, regularizar o terreno e iniciar as construções em novas bases.

É isso que irá acontecer na Terra e não devemos temer nada que irá melhorar nossas vidas. Esse é o objetivo da divulgação gratuita desses livros.

AO MESTRE, COM CARINHO

J. A.  Dal Col

ARRET

O AMANHà DA  TERRA

O DIÁRIO DA VIAGEM

ÍNDICE

AGRADECIMENTOS

PREFÁCIO

RESUMO DO LIVRO

INTRODUÇÃO

Considerações iniciais

A crença em Deus

A crença no renascimento

A crença em outras civilizações

O resumo do processo evolutivo

O SONHO E O INÍCIO DA VIAGEM

A CHEGADA À NAVE

As informações iniciais

O encontro com os tripulantes

OS TRÊS DIAS DE PREPARAÇÃO

A PARTIDA DO SISTEMA SOLAR

O PRIMEIRO DIA EM ARRET

O desembarque e os contatos iniciais

A reunião com Arcthuro e o final do dia

OS LEVANTAMENTOS BÁSICOS

Os três primeiros dias de levantamentos

Visitas a cidades em construção

Visitas a áreas agrícolas

As reuniões ministeriais da segunda semana

Visitas a centros avançados de estudos e pesquisas

Visitas a áreas industriais

Visita à CIA – Central de Informações de Arret

O casamento arretiano e seu significado

Visitas a terminais de transportes

Visitas a centrais de distribuição de bens

Passeio em uma colônia marítima de cúpula simples

As reuniões ministeriais da terceira semana

Visita ao Centro Hospitalar de Agartha

Visitas a escritórios de planejamento urbano

Passeio no Balneário da Baía dos Coqueiros

Visita a uma cidade em fase final de construção

Visita ao Ministério das Relações Exteriores

Passeio em um parque de preservação ambiental

A escolha e o passeio do fim-de-semana

As reuniões ministeriais da quarta semana

A segunda reunião com Arcthuro

O planejamento dos novos levantamentos

OS LEVANTAMENTOS COMPLEMENTARES

Passeio no Balneário da Ilha dos Colibris

Visita a uma escola de primeiro grau

Passeio no Parque das Águas

Visita a uma escola de segundo grau

Passeio no Balneário das Ilhas Emendadas

Visita a uma escola de terceiro grau

Passeio em uma colônia de cúpulas múltiplas

O parto arretiano

Visita ao Centro de Reabilitação de Campos Verdes

Passeio no Retiro da Serra Dourada

Novas visitas a áreas agrícolas

Passeio em uma estação orbital

Passeio no Balneário dos Corais

Visita a uma indústria de utensílios domésticos

Passeio na Colônia Marítima da Ilha dos Golfinhos

Nova visita a uma indústria de alimentos

Passeio no Parque da Floresta Tropical

Nova visita à CIA – Central de Informações de Arret

A terceira reunião com Arcthuro

Novo passeio no Balneário da Baía dos Coqueiros

As últimas horas em Arret

O RETORNO À TERRA

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por tudo que me tem concedido e ao Mestre Jesus pelo apoio em todos os momentos, principalmente por aqueles em que me carregou no colo, deixando apenas as suas pegadas na areia.

Agradeço também à minha mãe, esposa, filhos e filhas, por terem sido os primeiros que acreditaram na idéia do livro e me incentivaram a concluí-lo.

Registro um agradecimento especial à minha esposa Solange, pelas centenas de horas que dela me afastei para ficar diante do computador, indo para Arret, como eu sempre dizia.

J. A. Dal  Col

PREFÁCIO

A primeira vez que Dal Col me falou sobre Arret, confesso que fiquei um pouco assustado. Ainda sem conhecer o texto, pensei comigo: “olha aí o Dal Col se metendo a escritor”. Morando em Alto Paraíso de Goiás, a cerca de 1.300 quilômetros de São Paulo, ele me ligou num domingo pela manhã, dizendo que me mandaria o texto para que eu lesse. Alguns dias depois, aparece um portador em casa com dois disquetes e um bilhete. Os dois disquetes continham o mesmo arquivo, cuidado típico do capricorniano Dal Col para o caso de um deles ser danificado. O bilhete dizia simplesmente: “Zé da Ninha, leia e critique”. Zé sou eu e Ninha é minha mulher.

Li as primeiras páginas ainda no computador, acreditando que desistiria logo em seguida. Para minha surpresa, não foi o que aconteceu e me envolvi profundamente. Entretanto, em virtude do meu dia-a-dia extremamente ocupado, passei a ler Arret – O Diário da Viagem só nos finais de semana. O tema, a estrutura inovadora e a cronologia me encheram de entusiasmo. Quando eu comentava com amigos mais próximos sobre o livro, logo vinha a inevitável brincadeira: “que viagem, hein!!!”. Jamais me impressionei com os comentários, pois tinha certeza que eram fruto do desconhecimento. A minha convicção de que Dal Col realmente fez a viagem, e que viveu quarenta e poucos dias em Arret, vem da coerência do texto, dos detalhes das informações, da profundidade dos diálogos e da rapidez com que foi escrito.

Acreditar se ele viajou ou não passa a ser uma questão de puro ponto-de-vista. O próprio Dal Col deixa essa questão em aberto no livro. Penso o seguinte: como alguém, desprovido da prática literária, pode escrever, nas horas vagas, um texto tão interessante em pouco mais de três meses? Até onde sei, o Dal Col jamais teve qualquer manifestação como autor de qualquer obra. Relatórios, descrições e manuais técnicos dos inúmeros sistemas que desenvolveu e implantou, foram as únicas coisas que havia escrito. De formação técnica e profundos conhecimentos de informática, mais especificamente da análise de sistemas, Dal Col ocupou posições importantes em grandes empresas nacionais e multinacionais, até que, em 1992, seguindo suas convicções, mudou-se com a família para Alto Paraíso de Goiás.

Conheci Dal Col, um pouco antes, nos idos de 1978. Desde nosso primeiro contato, percebi que se tratava de uma pessoa especial, diferente. Dotado de grande inteligência, entregou-se a um importante projeto espiritual e social. A busca de um mundo melhor e da qualidade de vida, a crença no amor e no respeito entre as pessoas e o desprendimento dos bens materiais sempre estiveram em sua mente e em seu coração. E é justamente disso que trata Arret, um planeta longínquo onde as pessoas são iguais, se amam e se respeitam, no mais profundo significado das palavras. Ler Arret – O Diário da Viagem é, sem dúvida, um grande alento às pessoas que acreditam numa vida melhor e, também, um aprendizado aos que começam a trilhar o caminho da esperança.

Boa viagem e boa leitura!

José Carlos de Oliveira

Jornalista

RESUMO DO LIVRO

Uma amiga, depois de ler a versão inicial em arquivo eletrônico, comentou que Arret tinha tudo a ver com a letra de “Imagine”, de John Lennon. Apesar de tê-la ouvido muitas vezes, nunca a relacionei com o modo de vida do povo arretiano.

Pedi para uma outra amiga fazer sua tradução e concluí que ela deveria fazer parte do livro, como um resumo da sua mensagem básica.

Imagine” nasceu de um sonho de John Lennon. O Diário da Viagem nasceu da mesma forma e começou a ser escrito no capítulo intitulado “O Sonho e o Início da Viagem”. Na página seguinte, a tradução realizada por Mariana Negrini.

Imagine que não existe paraíso

É muito fácil se você tentar

Sem inferno abaixo de nós e

Sobre nós apenas o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo plenamente o dia de hoje

Imagine que não existem países

Não é difícil de imaginar

Não há porque matar ou pelo que morrer

E não há religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que algum dia vocês se juntem a nós

E o mundo será uma unidade

Imagine que não existem donos ou propriedades

Eu adoraria que você pudesse imaginar

Que não houvesse mais cobiça ou fome

E sim uma irmandade de homens

Imagine todas as pessoas

Compartilhando o mundo todo

Você pode dizer que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Espero que algum dia vocês se juntem a nós

E o mundo será uma unidade

INTRODUÇÃO

Considerações iniciais

Ao terminar a revisão do texto que escrevi entre 31 de janeiro a 9 de maio de 1999, verifiquei que ele não caberia em um livro com menos de 600 páginas. Ciente das dificuldades que teria para publicá-lo, comecei a separar os textos que fariam parte deste livro e aqueles que formariam outros dois. Um com uma visão histórica e evolutiva do modo de vida arretiano e outro sobre a realidade atual, detalhando os sistemas que formam o macrosistema planetário, com suas relações e dependências.

Quando concluí o trabalho, remeti disquetes com o texto do Diário da Viagem a vários amigos, a fim de obter uma opinião sobre a viabilidade do livro. Enquanto aguardava, escrevi seus capítulos iniciais e defini os subtítulos dos assuntos descritos nos demais volumes. As pessoas que receberam os disquetes, além de me incentivarem a publicar o livro, faziam inúmeras perguntas a respeito de como ele foi escrito. Queriam saber se eu realmente tinha viajado até Arret, se era algum tipo de psicografia, canalização, inspiração, vivência anterior ou uma abdução. Minhas respostas sempre foram baseadas nas considerações abaixo.

O texto inicial foi escrito em dezenas de etapas, com inúmeras interrupções e nos mais diversos horários do dia e da noite. Muitas vezes escrevi durante poucos minutos livres do horário de almoço. Exceto nos dois fins-de-semana que não precisava trabalhar a cada mês, as etapas variavam de quinze minutos a três horas diárias, com interrupções para atender telefonemas, minha esposa, filhos, netos ou visitas. Também foram freqüentes as paralisações por falta de energia elétrica, para salvar arquivos, ir ao banheiro, tomar água, café ou para dar atenção ao nosso cachorro que insistia em ficar ao meu lado.  

Após cada interrupção, a redação era retomada sem dificuldades e poucas vezes precisei ler a última página para dar continuidade a um tema. Quanto à viagem, é difícil afirmar se ela aconteceu ou não e, para mim, essa questão não é fundamental. O importante é a essência da mensagem contida no livro: a esperança em um mundo melhor, mais justo, fraterno e feliz, que pode ser materializado na Terra em um futuro não muito distante.

Acredito que o texto é o registro de um longo e detalhado “sonho” que, por um processo de difícil compreensão e explicação, conhecido como “projeção de consciência”, foi gravado na memória inconsciente e lá permaneceu por um curto ou longo período de tempo. Por outro processo, também difícil de explicar, as gravações foram transferidas para a memória consciente durante o período de 31 de janeiro a 9 de maio de 1999. Essas características diferenciam essa experiência daquelas que são comuns às pessoas que sonham e que também desconhecem o mecanismo que as levam a sonhar e a se lembrar de fragmentos ou de sonhos detalhados.

Existem outras possibilidades a serem consideradas. O texto pode ser atribuído à psicografia ou à sua irmã gêmea, a canalização. Porém, pelo que conheço dessas duas formas de contato com o mundo espiritual, elas não foram utilizadas. Além de não possuir esses dons, as duas necessitam de um ambiente apropriado, preparação prévia, horários convenientes e muita concentração. Além da possibilidade de ser fruto da imaginação, restam duas outras hipóteses. A redação pode ser atribuída a um tipo de inspiração ou à lembrança de uma vivência anterior. Apesar de possíveis, elas são igualmente difíceis de serem explicadas e aceitas pelo raciocínio lógico convencional.

Com todas essas dificuldades para definir a origem das informações, é conveniente não dar importância a esse aspecto e sim à sua mensagem básica. Se os leitores e leitoras aceitarem esse critério, analisando e comparando o modo de vida arretiano com o terrestre, poderão tirar muito proveito da leitura. Se isso acontecer, e esse é o objetivo do livro, poderão se juntar a uma grande legião de pessoas que pensam e sonham com um mundo melhor, mais justo, fraterno e feliz.

Apenas pensando e sonhando, contribuirão para acelerar o processo cósmico que transformará o sonho em realidade. Vale lembrar que esse também foi e é o sonho de Jesus, um ser do nono nível da hierarquia divina, que ofereceu sua majestosa vida para que um novo céu e uma nova Terra pudessem um dia se materializar em nosso planeta. Já se passaram quase dois mil anos da sua morte na cruz e ela, com certeza, não foi em vão. Ele não desceria aos lodaçais terrestres, de quinto nível, para ensinar a mensagem libertadora da paternidade divina e da irmandade de todos os seres humanos se não tivesse essa certeza.

Este livro foi escrito em forma de diário para facilitar a ambientação e levar os leitores e leitoras viajar e vivenciar o modo de vida arretiano. Ele descreve as principais observações feitas durante os três dias de preparação em uma nave e nos 41 dias de levantamentos realizados no planeta. O Texto obedece a uma ordem cronológica que independe dos temas levantados e pode dificultar a visão sistêmica das atividades planetárias, pois, em um mesmo dia, podem estar registrados assuntos pertinentes a vários sistemas.

Por essa razão e por aquilo que está relatado no início desta introdução, um terceiro volume apresentará uma visão sistêmica do planeta, sem personagens e com inúmeros detalhes não registrados neste livro. Pelas razões a seguir descritas, O Diário da Viagem apresenta poucas informações sobre o passado do povo arretiano, especialmente, sobre a grande transição lá ocorrida, cujos detalhes constituirão um segundo volume. Essas informações não foram omitidas com a finalidade de direcionar os leitores e leitoras para o novo livro.

Elas o foram porque o Diário da Viagem enfoca a atualidade do planeta e não o seu passado. Além disso, para que essas informações sejam corretamente compreendidas, é necessário inseri-las em um contexto histórico apropriado, com os devidos antecedentes e, principalmente, com todos os acontecimentos posteriores. Se apresentadas de outra maneira, poderão gerar medos infundados e invalidar a compreensão da mensagem principal. Por isso, as pesquisas históricas estão superficialmente citadas, apenas para permitir a continuidade dos assuntos e para justificar o tempo gasto em seus levantamentos.

O Diário da Viagem não foi escrito para ser apenas uma obra de ficção. Ele descreve uma civilização que vive em um mundo que representa o amanhã da Terra e seu objetivo é transmitir esperança às pessoas que sonham, sofrem e esperam por uma grande transformação em nosso globo, onde haverá um só rebanho e só pastor, conforme as palavras proféticas de Jesus. Arret representa um possível cenário do novo céu e da nova Terra, pois é um mundo onde todos se consideram irmãos e filhos do mesmo Pai Celestial. Lá, todos são tratados com igualdade, vivem em completa harmonia e liberdade, em uma comunidade planetária justa, fraterna e feliz.

A crença em Deus

Para tirar maior proveito das informações contidas neste livro, é importante acreditar na existência de uma energia criadora, mantenedora e transformadora do universo. Essa energia pode ser traduzida como sendo Deus, Pai Celestial, Grande Arquiteto do Universo ou outras denominações particulares de cada religião ou corrente filosófica. A crença em Deus está na base de todas as religiões e é o último alento aos céticos nos momentos de dificuldades ou de sofrimentos, quando os recursos do mundo material não são mais suficientes para explicar ou resolver os problemas que os afligem.

Deus pode ser representado por três aspectos conhecidos por diferentes nomes. Nas religiões cristãs, especialmente no catolicismo, eles formam a Santíssima Trindade, constituída pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo. Desse conceito tradicional, infere-se que o poder criador está associado ao Pai, o mantenedor ao Filho e o transformador ao Espírito Santo.

O poder criador é o responsável pelo aparecimento dessa imensidão de galáxias que formam o universo conhecido, onde cada uma é constituída por vários milhões de estrelas de todos os tamanhos e, como o nosso Sol, devem ter seus planetas. Apesar da ciência defender a hipótese de criação do universo por um “Big-Bang”, é pouco provável que uma grande explosão tenha causado o seu aparecimento e toda a harmonia e leis que regem as órbitas planetárias ou o nascimento de um pé de feijão. Vale lembrar que a Terra é habitada por seis bilhões de seres humanos e por uma infinidade de representantes dos reinos animal, vegetal e mineral, com múltiplas variedades e ciclos de nascimento, de vida e de morte perfeitamente definidos.

Dentro dessa visão, a hipótese do “Big-Bang” é pouco provável, pois parte do princípio que o caos gerou a harmonia e as maravilhas que conhecemos. Estamos nos referindo somente à Terra, deixando de lado a nossa galáxia, as demais e o próprio universo. Também é válido perguntar para os seus defensores, quem foi que criou, juntou o material e acendeu o fósforo?

Ainda dentro do aspecto criador da divindade, quem cria alguma coisa é considerado o pai ou o responsável pela sua criação. Dessa premissa, inferimos que Deus é o pai de sua criação e que nós somos Seus filhos, como Jesus se esforçou para transmitir aos seus contemporâneos e eles a nós. Jesus sempre centrou suas palavras e ações no ideal da Paternidade de Deus e na irmandade dos seres humanos.

Assumindo que Deus tudo criou, devemos considerar que o poder mantenedor é o Seu segundo aspecto, à medida que tudo que é criado deve ser mantido, pois Deus não cometeria o erro de criar e não manter a Sua criação. Esse aspecto é aquele que sustenta a forma criada e a mantém viva ou coesa, atuando desde o reino mineral até o humano e outros superiores. No reino humano, esse poder controla e mantém alguns sistemas do nosso corpo físico, como o hepático, cardíaco, digestivo e respiratório, de maneira independente da nossa vontade que não é capaz de interferir em uma única função desses sistemas.

Nos demais reinos, se tomarmos como exemplo as espécies que formam as florestas milenares, a existência desse poder é facilmente constatável. Basta analisar a harmonia e a beleza de uma floresta como a Amazônica e procurar entender quem ou o que a mantém por tantos milênios com toda a sua pujança e diversidade de espécies que nasceram e cresceram sem qualquer tipo de interferência humana.

Se Deus cria e mantém todas as coisas, Ele não as mantém indefinidamente como as criou. Tudo está em constante mutação, ou em evolução. A ciência cética e racional foi a primeira a revelar o terceiro aspecto da divindade e, mesmo sem associá-lo a uma de suas descobertas, ela o definiu como a teoria da evolução das espécies, formulada por Charles Darwin. O terceiro aspecto também é conhecido como o destruidor da forma cristalizada e é aquele que a transforma em algo mais evoluído e melhor adaptado ao seu meio ou às suas necessidades.

Essas ponderações sobre a trindade divina são essenciais para a correta compreensão da mensagem contida no Diário da Viagem a Arret. Também é importante salientar que os atributos divinos não estão limitados a esses três aspectos. Deus também é o amor, a sabedoria e o poder, assim como é a poesia dos poetas, a musicalidade dos músicos, a fortaleza dos fortes, a humildade dos humildes, a arte dos artistas, a sabedoria dos sábios, dentre outros atributos. Nada existe ou se manifesta sem representar, pelo menos, um dos atributos de Deus.

A crença no renascimento

O conceito do renascimento está associado ao terceiro aspecto da trindade e é essencial para o entendimento dos demais atributos divinos. Para compreender a verdadeira essência do amor, da justiça, da bondade e da paternidade de Deus, é necessária uma crença racional desse conceito. Se assim não for, torna-se difícil entender os atributos divinos quando analisados sob a ótica dos contrastes existentes entre as variadas condições de vida dos seres humanos. Além disso, se considerarmos que uma parte da nossa humanidade entende que se nasce, vive e morre apenas uma vez, os atributos divinos são ainda mais incompreensíveis e discutíveis. Vamos analisar alguns exemplos que envolvem as duas situações. 

Em todos os lugares da Terra encontramos pessoas que nascem, vivem e morrem ricas ou pobres; fisicamente perfeitas ou aleijadas; bonitas ou feias; inteligentes ou não; com fartura ou sem o mínimo necessário à sobrevivência, dentre vários outros contrastes. Os ricos que vivem com fartura e são fisicamente saudáveis constituem a minoria, enquanto seus opostos são a maioria. Quando se acredita que após a morte o espírito é julgado e pode ser salvo ou condenado pela eternidade, os contrastes humanos sobressaem e representam condições e recursos desiguais atribuídos sem critérios de amor, de justiça e de bondade claramente definidos.

Apesar de não ser assim, não seria ilógico supor que Deus atribui determinadas condições a Seus filhos e filhas, conforme seu humor, preferências pessoais e outros fatores comuns aos seres humanos detentores de algum tipo de poder. É difícil acreditar que um bom pai terrestre trate seus filhos de maneira tão desigual, dando muito para alguns e quase nada para outros. O Pai Celestial deve ser, e é, infinitamente superior a qualquer pai que conhecemos, por mais justo e generoso que seja.

Por outro lado, é difícil compreender os motivos de Deus ao criar um espírito para morrer nos primeiros dias, meses ou anos de vida. Sob a ótica da unidade de nascimento, de vida e de morte, podemos concluir que a morte de uma criança representa uma grande vantagem. Seu espírito enfrentará “o julgamento final” sem ter cometido um único “pecado”, bem ao contrário daqueles que, por viverem várias décadas, poderão ser condenados a “passar a eternidade no fogo do inferno”.

Além de outras, essas análises formam um emaranhado na mente de qualquer pessoa que procure estudar e compreender as leis divinas sem preconceitos ou dogmas. Muitas, ao invés de utilizar o raciocínio lógico e a intuição, os dois atributos que o Criador nos deu para compreendê-Lo, acham mais fácil acreditar nas explicações das “autoridades” que dirigem ou representam suas religiões ou correntes filosóficas. Isso não seria censurável, se essas “autoridades”, a nível local e planetário, seguissem o mesmo “livro sagrado” e tivessem a mesma opinião a respeito de um determinado tema.

Quando se compreende o conceito do renascimento e seu embasamento na Lei da Evolução e na Justiça Divina, deixa-se de imaginar que Deus estaria zangado ou com algum tipo de problema quando criou a maioria dos espíritos que vivem sobre a Terra. Passa-se a compreender e a ver, nos corpos imperfeitos e nas situações de vida adversas, espíritos endividados que estão resgatando o mau uso que fizeram das oportunidades e faculdades igualmente colocadas à disposição de todos, conforme suas necessidades de evolução. No caso das crianças falecidas prematuramente, compreende-se que estavam cumprindo um pequeno período de aprendizado ou procurando ensinar uma grande ou pequena lição aos seus pais.

Deus, o Pai Celestial, não castiga seus filhos e filhas. Ele sempre os coloca na situação mais favorável para acelerar seu processo evolutivo, da maneira mais justa e amorosa possível, em cada tipo de situação individual ou coletiva. O mesmo acontece com os espíritos colocados em uma condição de vida favorável. Em nosso mundo, a riqueza e o poder associam-se a condições favoráveis. No mundo espiritual é diferente e, como regra geral, constituem provas com alto nível de dificuldades. Por outro lado, podem acelerar a evolução daqueles que não se deixaram envolver pela ilusão da riqueza ou do poder e cumpriram a missão a que se propuseram, ou que lhes foi destinada.

Analisando essas situações, é impossível acreditar, sentir e compreender a divindade e seus múltiplos atributos sem entender a Lei do Renascimento. Se fizermos um estudo sincero e sem preconceitos, utilizando apenas a intuição e o raciocínio lógico, não é difícil chegar ao entendimento dessa Lei e de outras questões fundamentais para a evolução do espírito humano.

A questão chave refere-se à paternidade divina e à irmandade dos seres humanos. Tente imaginar Deus como o Pai justo e amoroso que é e compare-o com os pais e mães que você conhece. Em geral, todos são capazes de grandes sacrifícios para proporcionar alegria, bem-estar, estudo e várias outras coisas aos seus filhos. Muitos o fazem de maneira exagerada, privando-se de seus gostos ou necessidades pessoais.

Sem a menor dúvida, Deus é um Pai muito mais justo, amoroso, perfeito, generoso e sábio, além de não ter as limitações impostas aos que vivem na matéria. Assumindo essas premissas como verdadeiras, procure explicar os motivos que levam Deus a proporcionar condições de vida tão desiguais a Seus filhos e filhas dos mais diferentes lugares da Terra. Leve em consideração que existem reis e milionários de nascença, assim como, pobres que moram nas favelas das grandes cidades e em locais isolados ou esquecidos. Avalie também aqueles que nasceram com graves problemas físicos e os que nasceram perfeitos, além de vários outros contrastes possíveis.

Caso ainda não seja possível compreender a Lei do Renascimento, continue avaliando as razões e tentando explicar racionalmente, sem utilizar um dogma ou uma questão de fé, as diferenças de habilidades, de caráter, de inteligência e outras qualidades ou defeitos facilmente identificáveis entre os seres humanos nascidos em idênticas condições e, muitas vezes, em uma mesma família. Tente explicar por que Mozart dominava o piano aos quatro anos e por que tantas pessoas que estudaram e se dedicaram ao mesmo instrumento durante uma vida inteira, nunca atingiram a habilidade que ele demonstrava em tão tenra idade. Nem é preciso considerar que a maioria nunca chegou a compor uma única peça musical de qualquer nível de qualidade.

Se assim não for possível chegar à compreensão da Lei do Renascimento, é provável que Deus ainda não julgou apropriado transmitir essa crença à sua mente racional, pois ela não salva e também não causa a evolução automática do espírito humano. Ela é apenas um facilitador, cujo ponto central é o amor em suas variadas formas de expressão. O amor impessoal é a maior conquista do espírito e somente ele o salva de todos os abismos, independente do tipo de crença ou de religiosidade.

A crença em outras civilizações

É uma atitude egoísta imaginar que somos os únicos seres “inteligentes” em toda a imensidão do universo, ou dos universos. Todos sabem que vivemos em um dos menores planetas de uma pequena estrela chamada Sol. Uma boa parcela entende que o Sol faz parte de uma galáxia e que ela é formada por uma infinidade de outras estrelas. Uma minoria compreende que, além da nossa Via Láctea, existe outra infinidade de galáxias que formam o universo conhecido, cujos limites são ampliados a cada novo instrumento de pesquisa colocado em órbita.

A Terra, se comparada com a imensidão do universo, é menor que um pequeno grão de areia em uma praia de muitos quilômetros quadrados. Por isso, voltamos a afirmar que é uma atitude egoísta imaginar que a Terra é o único lugar habitado por seres “inteligentes”, ou humanos. Essa atitude representa um dos maiores desrespeitos a Deus e aponta para, no mínimo, um total desconhecimento de seus atributos e perfeições. Vamos fazer um novo exercício e analisar essa situação sob a ótica de que só existe vida “inteligente” na Terra.

Até poucos séculos atrás, a ciência e a religião eram unificadas e julgavam que o sol e as estrelas giravam em torno da Terra. Quem pensava de forma diferente terminava em uma fogueira. Naquela época, o universo era o “céu” e se confundia com as estrelas visíveis a olho nu, ou através de pequenas lunetas. Mais recentemente, com a construção de possantes telescópios e outros instrumentos montados em artefatos orbitais, a ciência chegou ao conceito atual e descobriu que o universo está em expansão e é formado por milhões de galáxias.

Se Deus criou essa imensidão há bilhões ou trilhões de anos para ser parcialmente contemplada pelos astrônomos e astrofísicos que nasceram na Terra nos últimos 50 anos, sua criação é, no mínimo, uma megalomania e um total desperdício de espaço. É bom lembrar que, em noites sem lua, sem nuvens e sem poluição atmosférica, é difícil distinguir mais que duas mil estrelas a olho nu.

Continuando a imaginar que só existe vida na Terra, concluímos que Deus, seus Anjos, Arcanjos, Querubins e Serafins cuidam exclusivamente da humanidade terrestre. Se assim for, podemos deduzir um outro grande conjunto de falhas, pois nossa sociedade apresenta tantos contrastes e imperfeições, que reduzem os atributos e a competência desses seres a um nível inferior ao humano. 

Quando Jesus falou que na casa do Pai existiam muitas moradas, estava se referindo a mundos habitados por seres mais ou menos evoluídos que aqueles que formam a humanidade terrestre. Seu aparecimento na Terra é uma prova da pluralidade dos mundos habitados e das leis do renascimento e da evolução. Jesus não foi um filho que Deus criou, escolheu, separou dos demais e deu a ele uma “educação privilegiada”, tornando-o o “seu favorito” e único representante dos Seus atributos.

É um grande desrespeito a Deus e a esse ser maravilhoso, pensar que Ele não trilhou os mesmos caminhos a nós oferecidos. Jesus não é um filho que adquiriu tamanha sabedoria e outras qualidades de maneira gratuita e sem nenhum esforço. Quando a Terra estava em formação e nossos espíritos ainda não tinham sido individualizados no reino humano, Jesus já trilhava os caminhos que hoje percorremos. Ele evoluiu às custas dos mesmos esforços e sofrimentos que conhecemos.

Jesus é um irmão mais velho e também o mais experiente, respeitado e confiável representante dos atributos divinos junto à humanidade terrestre. Desse ponto-de-vista, é lícito atribuir a Ele tudo que as religiões cristãs lhe conferem, especialmente, a representação do segundo aspecto de Deus, como o filho, ou o mantenedor. Pelo que está simbolizado em seu batismo, Jesus também representa o terceiro aspecto e é o responsável direto pela evolução da nossa humanidade.   

Ele demonstrou que nos amava a tal ponto, que ofereceu sua majestosa vida para acelerar nosso processo evolutivo e, portanto, para nos salvar. Ele conquistou, por mérito pessoal, todas as suas perfeições, especialmente a do amor, a maior de todas elas. Jesus demonstrou essa sua importante conquista em todos os momentos de sua última passagem pelo nosso mundo, a ponto de nos confundir quanto à maneira como adquiriu tamanho conhecimento e sabedoria. Ele é o grande exemplo a ser seguido e o maior de todos os heróis que já pisaram nesta Terra. 

O resumo do processo evolutivo

Deus concede idênticas possibilidades de evolução para todos os Seus filhos e filhas, sem privilégios ou perseguições. Cabe a cada um aproveitar, ou não, as oportunidades que lhe são concedidas. Todos são avaliados segundo o bom ou mau uso que fizeram das faculdades ou poderes adquiridos ou concedidos, os quais definem o seu próximo modo de vida. Quando, ao final de um longo ciclo de aprendizado, é realizado o exame de seleção da humanidade do planeta, aqueles que não atingiram o grau necessário, repetirão o curso em um outro orbe.

Lá, se juntarão a uma humanidade mais atrasada, terão uma nova oportunidade e poderão recuperar rapidamente o terreno perdido. Basta que se conscientizem do poder e do conhecimento intuitivo que possuem e os utilizem para ajudar e acelerar a evolução da humanidade nativa do planeta. Porém, se o espírito continuar sua saga de maldades e repetências, tornando-se uma ameaça para a evolução dos demais, estará sujeito à mais severa das aplicações da Lei Divina.

Nesses casos, os Arcanjos da linha da Justiça aprisionam o espírito rebelde em um bolha de luz e o lançam na superfície de um planeta em formação. A crosta incandescente e pastosa, sem o menor vestígio de vida, irá queimar e transmutar a parte animalizada do espírito e impregnar seu magma com a centelha divina que estava camuflada em sua animalidade.

Esses espíritos terão que aguardar muitas eras para novamente atingir o reino humano, pois reiniciarão o processo evolutivo a partir do reino mineral. Depois de passar pelos reinos vegetal e animal, novamente terão as mesmas oportunidades concedidas igualmente a todos os espíritos individualizados no reino humano. Essa é a chamada “segunda morte no inferno de fumo e enxofre” e, mesmo assim, não representa uma condenação eterna. Deus, o Pai Celestial, sempre dá mais uma oportunidade aos Seus filhos e filhas, mesmo aos mais rebeldes.

O SONHO E O INÍCIO DA VIAGEM

Em meados de Janeiro de 1999, em meio à grande crise que atingiu o Plano Real e a esperança dos brasileiros, comecei a meditar sobre a situação do nosso país. As notícias não eram animadoras e causavam novas preocupações ao nosso povo. Naquele período, minha esposa Solange e eu fomos descansar um fim-de-semana no Vale Dourado, o nosso santuário ecológico em Alto Paraíso de Goiás. Conversamos bastante sobre aquele momento crítico e também sobre um texto conhecido como “A Profecia do Homem do Cavalo Branco”, contendo previsões sobre os homens que ocupariam a presidência do Brasil após a morte de Getúlio Vargas.

O Homem do Cavalo Branco”, o mais importante deles, chegaria à presidência em meio a uma crise e parecia que o momento estava se aproximando. Durante os dois dias que lá passamos, não consegui desviar meus pensamentos daquele personagem e sentia sua energia a todo o momento, como se ele estivesse presente em todos os lugares por onde andei ou fiquei. 

Foi naquele fim-de-semana, em estreito contato com a exuberante natureza do planalto central, que decidi escrever um livro sobre aquela profecia, sem saber ao certo por onde ou como iniciar. Durante a semana tive muitos afazeres e, apesar de algumas tentativas, não consegui escrever nada que me agradasse, Tampouco consegui definir um roteiro ou uma maneira de escrever sobre o assunto.

No sábado seguinte, 30/01/1999, a segunda noite de lua cheia do mês, apaguei tudo que havia escrito e resolvi recomeçar, registrando as idéias que viessem em minha mente. Escrevi pouco, apaguei muito, reescrevi, tentei fazer um índice e, como as idéias não estavam fluindo, resolvi parar e adiar o projeto do livro, colocando a culpa na semana e no dia atarefado que tive.

Deitei por volta da meia noite, adormeci rapidamente e entrei no mundo dos sonhos para viver a maior das aventuras que meu espírito experimentou até aquele dia. Ao contrário do que normalmente acontecia, acordei muito bem disposto, sem a costumeira sensação de sonolência, sem perceber nada de diferente e sem lembranças de nenhum sonho, como sempre aconteceu na maioria dos dias da minha vida adulta.

Minha esposa já havia saído para abrir nosso mercado naquele Domingo e, enquanto tomava o costumeiro banho para “acordar”, senti uma grande vontade de voltar a escrever o livro, com a nítida sensação que as idéias iriam fluir. Logo que fechei o mercado e terminei o almoço com a família, liguei o microcomputador e comecei a escrever sobre um tema que estava martelando minha mente naquela manhã, com um título básico e uma imagem fixa e invertida do globo terrestre.

Logo que escrevi ARRET, o nome do nosso planeta ao contrário, as primeiras imagens do longo sonho começaram a se movimentar. Pareciam estar gravadas em minha mente como em uma fita de videocassete e podiam avançar em velocidade normal, retroceder rapidamente ou serem paralisadas, conforme minhas disponibilidades de tempo.

Tudo começou na sala da minha casa em Alto Paraíso, como se eu estivesse acordado e sentado em um dos sofás, observando alguém olhando para mim com um amigável sorriso. Logo aquele personagem, que me parecia familiar, perguntou se eu não me lembrava dele. Senti uma forte sugestão mental dizer que ele era Oatas, um ser espiritual que conheci e tive diversos contatos em 1978, na capital paulista. Ele confirmou meus pensamentos e disse que seria meu guia durante a viagem a um planeta de outro sistema estelar, onde eu conheceria o modo de vida do seu povo e obteria outras informações para registrá-las no livro que estava pretendendo escrever.

Ao perguntar como sabia dessa minha intenção, ele disse que meu Guardião o informou e que esperava por aquele momento há algum tempo. Enquanto procura entender sua resposta, ele disse que eu deveria manter a mente aberta e tranqüila, pois iria presenciar situações, fatos e coisas ainda distantes da nossa compreensão atual, porém, reais e realizáveis no futuro do nosso planeta, em um período não muito distante.

Oatas perguntou se eu não me lembrava de haver falado com outras pessoas a respeito do espanto que uma simples lanterna de pilhas iria causar no homem da idade média, ou de 100 a 200 anos atrás. Retruquei dizendo que ele estava bem informado sobre as coisas que eu fazia ou falava e, mesmo já sabendo quem ele era, fiz algumas perguntas para confirmar se aquele era o mesmo ser que contatei nos idos de 1978.

Indaguei se ele era o meu “Anjo da Guarda”, se era um ser espiritual, um morador de outro planeta e também, se tinha outro aspecto “físico”. Ele sorriu e disse que, como me informou naquele ano, tinha vivido na Terra há muito tempo, que não era o meu “Anjo da Guarda” e sim um amigo de longa data. Reiterou que era um ser espiritual da hierarquia marciana e voltou a dizer que iria me levar a um planeta muito parecido com a Terra e que lá conheceria pessoas muito interessantes, com as quais me sentiria entre amigos, por uma série de razões que iria compreender mais adiante.

Assim que terminou, falei que deixou de responder uma parte da pergunta. Novamente ele sorriu e disse que assim procedeu para testar se eu estava à vontade em sua presença. Frisou que eu precisaria estar muito tranqüilo para poder conhecer o planeta, caso contrário, não poderia ser levado até lá. Em seguida, completou a parte pendente da pergunta.

Disse que, quando vivia na matéria, seu aspecto físico era aquele que eu estava vendo e que seu espírito poderia se revestir de diversas formas, conforme fosse necessário ou conveniente. Depois perguntou se eu estava pronto para a viagem, justificando que o tempo corria muito rápido e tínhamos ainda vários assuntos para conversar. Ao olhar para o relógio, observei que ele marcava meia noite e cinco, a mesma hora que julgava ter adormecido.

Olhei para Oatas e, antes de perguntar por que estávamos conversando há mais de meia hora e o relógio não marcava esse tempo, ele falou que eu precisava me acostumar com as novidades que iria presenciar. Disse que o tempo era uma convenção humana e que o passado, o presente e o futuro existiam apenas na mente dos povos que habitavam os mundos físicos. No plano onde estávamos, nossa conversa de 40 minutos terrestres, aconteceu em apenas 5 ou 6 segundos.

Percebendo que fiquei confuso, me pediu para aguardar o momento apropriado para ter as respostas sobre um grande conjunto de novidades que iria conhecer ao longo dos 30 ou mais dias que passaria fora da Terra, durante o período de sono do meu corpo físico. Quando ele terminou, pensei em como uma noite de sono poderia ser transformada em mais de trinta dias e noites. Fiz alguns cálculos e concluí que cada segundo de sono equivaleria a uns 400 segundos no mundo dos sonhos. 

Quando ia dizer que estava pronto e como viajaríamos até o planeta, Oatas falou que meus cálculos estavam bem próximos da realidade e que haveria tempo suficiente para vários dias extras. Em seguida, respondendo à pergunta que não cheguei a fazer, disse que iria fornecer algumas informações para não me deixar com dúvidas ou inseguro quanto à viagem. Se isso acontecesse, o processo seria interrompido e, como resultado, meu corpo despertaria com uma sensação estranha e perderia a memória daquilo que meu espírito presenciou.

Pediu-me para meditar sobre tudo que iria ouvir e decidir se estava disposto ou não a segui-lo. Em resumo, disse o seguinte, repetindo algumas informações anteriores.

  • Iríamos para um planeta parecido com a Terra, incluindo o aspecto físico do povo que lá vivia. Ele ficava localizado na constelação de Órion, na estrela central das Três Marias. Eu o batizei como Arret e ao seu povo, como arretianos.

  • Para facilitar a interação com os habitantes do planeta, iria receber um novo corpo físico, uma réplica ou um “clone” do atual, com pequenas diferenças e aspecto equivalente aos meus 20 anos. Oatas disse que ele teria uma estrutura atômica mais leve e contaria com um tradutor de linguagem, como se eu estivesse falando, lendo e ouvindo em português.

  • A viagem seria feita em uma nave, depois de um período de adaptação de três dias, durante os quais receberia muitas informações sobre diversos aspectos do planeta e do modo de vida de seus habitantes, facilitando o aprendizado posterior.

  • Durante a permanência na nave e no planeta, minha alimentação seria à base de sucos naturais, frutas e cápsulas de complementos vitamínicos.

  • Finalmente, se aceitasse ir em frente, deveria prometer que respeitaria o modo de vida arretiano, cujo povo vivia feliz em uma grande e fraterna comunidade planetária.

Ao terminar, salientou que era muito importante eu entender todas as suas colocações e condições antes de decidir aceitar ou recusar o convite. Se aceitasse, iria conhecer um povo com o qual sonhei muitas vezes, como também o fizeram e fazem milhares de pessoas na Terra. Oatas complementou, de maneira solene, que esse também foi o sonho do maior dos seres que já viveu neste planeta: Jesus.

Quando ele assim falou, notei uma linda e luminosa silhueta que começou a se formar no centro da sala, clareando o ambiente com raios de luz dourada e branca. Em minha mente, ouvi uma voz que dizia: “medita sobre tudo que ouvistes e toma tua decisão. Independente do que decidires, eu estarei sempre contigo como sempre estive e estou com todos aqueles que sonham e procuram o bem, a justiça, a verdade e a fraternidade universal. Não tenhas medo e, se decidires seguir adiante, poderás ajudar mais efetivamente na realização do sonho de muitos justos que vivem e sofrem nesta terra”.

Enquanto ouvia essas palavras, a silhueta foi se concentrando e formou uma bela figura de Jesus. Alto, tinha olhos grandes da cor de avelã, cabelos ruivos até os ombros, barba curta e bigode, vestindo um camisolão comprido e branco. A imagem foi desaparecendo lentamente com um brilho grandioso nos olhos e um belo sorriso. Fiquei em silêncio alguns segundos meditando sobre as palavras e a figura de Jesus, o Mestre, a quem denomino carinhosamente de “Chefe”.

Quando voltei a atenção para Oatas, ele estava curvado, em atitude de reverência e respeito. Depois falou sobre Jesus como um ser grandioso, muito amado e respeitado por povos de inúmeros planetas, não só pelo seu grande trabalho na Terra, como em outros mundos mais adiantados. Finalizou dizendo que eu iria ver como ele era querido e muito popular em Arret.

Em seguida disse que, em respeito ao meu livre arbítrio, precisava saber qual era a minha decisão. Respondi que estava ansioso para iniciar a viagem e que não a perderia por nada. Garanti que não iria desapontá-lo e muito menos aos habitantes do planeta, pois não pretendia levar um puxão de orelhas do “Chefe” que estaria nos acompanhando durante a viagem.

Oatas disse que Jesus estaria conosco e tinha certeza que eu iria agir da maneira apropriada, não por medo do puxão de orelhas, mas pelo desejo de respeitar a comunidade arretiana, cuja energia positiva e vibração amorosa eu nunca senti na Terra. Quando terminou, apontou para o alto e me pediu para observar, sem receios, a nave que estava estacionada sobre a casa, a uns quinhentos metros de distância. Nesse momento, o telhado ficou transparente e pude vê-la nitidamente. 

Era grande, linda e majestosa, refletindo a luz da lua cheia em tons dourados, chegando ao cobre. Parecia um cilindro achatado e tinha uns 150 metros de comprimento e 40 de diâmetro. Percebendo minha curiosidade quanto ao meio de chegarmos até ela, perguntou se eu já estava pronto. Respondi afirmativamente e ele garantiu que a locomoção seria muito fácil. Disse que bastaria me concentrar e desejar estar em seu interior que logo estaria acordando bem disposto e com muita vitalidade. Falou que estaria ao meu lado, em um corpo igual ao seu aspecto atual. Em seguida, pediu para fechar os olhos, me concentrar e só abrir quando ele pedisse. Foi exatamente o que fiz.

A CHEGADA À NAVE

As informações iniciais

Tudo aconteceu conforme Oatas previu. Não fosse por estar em uma cama e em um lugar diferente, não perceberia nada de estranho, pois a sensação no novo corpo era muito boa. Além de não passar pelo processo de despertamento gradativo, como sempre acontecia, eu tinha lembranças de tudo que ocorreu, o que foi confirmado pela presença de Oatas.

Ao levantar, realizei vários movimentos, flexões, dei pulos, belisquei o braço, apalpei o novo corpo e tudo pareceu normal. Oatas riu muito durante o teste e disse que as diferenças que eu notaria seriam para melhor, com algumas mudanças no aspecto sexual, o qual foi igualado ao padrão arretiano, por razões que eu iria entender mais tarde. Fez questão de frisar que, quando retomasse meu corpo original, tudo voltaria a ser como antes e até melhor. Em seguida nos dirigimos a uma sala próxima.

Era retangular com teto branco e ligeiramente curvo. Tinha paredes em azul claro e era mobiliada com sofás e uma mesa de centro. Uma das paredes havia um grande quadro cinza escuro, semelhante a uma tela de cristal líquido. Não havia janelas e sim uns quadros menores, semelhantes ao maior. Oatas aguardou minhas observações e, informando que já estávamos em órbita, me pediu para sentar em frente à tela maior. 

Logo surgiu uma imagem da Terra em posição invertida e sem nuvens, idêntica àquela que estava em minha mente na manhã do dia 31/01/1999. Sua nitidez permitia distinguir os contornos das Américas e, gradativamente, voltou à posição normal. Depois, um efeito “zoom” começou a mostrar detalhes do Brasil, do estado de Goiás e de Alto Paraíso. Logo distingui minha casa e, com espanto, pois o telhado ficou transparente, pude ver meu corpo dormindo ao lado de minha esposa.

Oatas disse que sentia as dúvidas que estavam em minha mente e me pediu para ser paciente e aguardar o momento oportuno para obter as respostas. Informou que aquelas que não revelassem segredos ainda velados à humanidade terrestre seriam fornecidas ao longo da viagem e que esses segredos se referiam a aspectos tecnológicos de difícil compreensão, até para o mais brilhante dos cientistas da Terra.

Em seguida, disse que iria mostrar algumas imagens e falar sobre uma série de novidades. Reiterou seu pedido para que eu aguardasse o momento apropriado para esclarecer as dúvidas, pois tudo seria mostrado com detalhes durante os três dias de treinamento e, posteriormente, seria visto, vivenciado e sentido em Arret, ao longo de trinta ou mais dias.

Fiquei observando as imagens e ouvindo as explicações de Oatas durante quase uma hora. Muitas coisas que pareceram estranhas no primeiro momento, se tornaram mais claras à medida que outras imagens e explicações se sucediam. Entendi que não precisava fazer perguntas, pois a maioria das dúvidas eram esclarecidas em seguida, dentro dos limites por ele definidos. Apesar de resumido, foi grande o conjunto de informações sobre a nave, seus tripulantes e sobre Arret.

Ela era batizada como SOL-4, por transitar muito pelo sistema solar. Tinha o formato de um cilindro achatado, ou uma elipse, e media 144 metros de comprimento, 48 de largura e 36 de altura. A parte traseira era ligeiramente cônica e a frente era afunilada, abrigando a cabine de comando. Parecia um dirigível sem aletas e sua cor externa era uma mistura de dourado com cobre. Seu interior era constituído por inúmeros compartimentos, salas, dormitórios, um restaurante e outras áreas que seriam apresentadas pela tripulação. A iluminação vinha do teto e das paredes, cujas cores podiam ser trocadas à vontade. Oatas realizou diversas mudanças apertando alguns botões, sem alterar o padrão de luminosidade.

No final surgiu a imagem dos três casais de tripulantes, apresentados como sendo os comandantes Antak e Tali, os navegadores Otento e Sathya e os engenheiros de bordo Salino e Tentra. Quando Oatas pronunciava o nome de cada um e fazia um rápido resumo pessoal, eles se levantavam e acenavam simpaticamente, como se estivessem nos vendo e ouvindo.

Pareciam uma mistura de europeu com chinês, pois eram altos, esbeltos e tinham olhos grandes, amendoados e ligeiramente puxados à moda oriental. Os olhos eram o ponto forte, pois chamavam a atenção e eram quase hipnóticos. Tinham o nosso aspecto físico e todos eram muito bonitos, simpáticos e me pareceram amigos, como se já os conhecesse. Oatas sentiu minha pressa em estar com eles e comentou que aquele desejo era muito bom. Disse que preferiu apresentá-los indiretamente, para que eu me acostumasse com a nave, com eles e não sentisse nenhum tipo de receio.

Em seguida, disse que iria mostrar meu quarto, onde poderia tomar banho e mudar de roupa, antes de encontrar a tripulação e com ela tomar a refeição da manhã. Saímos em um corredor e logo entramos em um elevador onde havia uma tela com informações resumidas de cada andar. Mesmo sabendo que contava com um tradutor de linguagem, fiquei surpreso ao ler tudo que estava escrito. Saímos em outro corredor e entramos em uma sala com dois conjuntos de sofás nas laterais e mesinhas de canto. Na parede do fundo havia duas pequenas telas que, presumi, seriam utilizadas para abrir as portas de dois aposentos, o que foi logo confirmado por Oatas.

Como não falei nada, fiz uma pergunta mental procurando saber se ele estava utilizando a telepatia. Ele confirmou mentalmente e falei que o entendi perfeitamente. Perguntei como esse processo se desenvolveu tão rápido e ele disse que foi em razão de estarmos em um ambiente muito mais sutil que o terrestre e que o meu novo corpo tinha “mecanismos” que facilitavam a telepatia, um atributo normal nos arretianos. Sentindo que fiquei preocupado, ele disse que eu não deveria procurar esconder ou ter vergonha dos meus pensamentos, mesmo que os considerasse impróprios, pois não incomodariam ou ofenderiam os tripulantes que conheciam muito bem o modo de pensar e os costumes dos habitantes da Terra.

Oatas aproveitou para dizer que, nos próximos dias, eu teria uma grande oportunidade para treinar e aprimorar a difícil arte de controlar e aquietar a mente. Em seguida falou que iria mostrar o meu quarto, exatamente igual ao dele e localizado ao lado do meu. Captei seu pensamento pedindo para colocar a palma da mão na telinha da esquerda e logo a porta abriu e vi a imagem da Terra em uma tela igual à anterior. Fiquei alguns minutos observando os detalhes daquele ambiente e ouvindo as explicações de Oatas às diversas perguntas que fiz.

O quarto era amplo, simples e confortável. No centro havia uma cama suspensa com uma cúpula transparente e a parede do fundo era quase toda tomada pela tela que fazia parte do equipamento de áudio e vídeo. Nas laterais havia portas de armários embutidos e uma que dava acesso ao banheiro. Os armários destinavam-se à guarda de roupas, pertences pessoais e cristais de áudio e vídeo. Um deles era uma lavanderia automática e acima das portas havia caixas acústicas muito finas, pois pareciam quadros. O assoalho era revestido com um carpete sem pêlos e a cama chamava especialmente a atenção.

Ela era sustentada pelo mesmo princípio utilizado na nave e a cúpula servia para manter estável a temperatura, dispensando o uso de cobertores e permitindo o enriquecimento do ar com maior teor de oxigênio. Tinha controles da aparelhagem de som e imagem e as regulagens de uma cama hospitalar. Podia ser posicionada em qualquer lugar ou altura e era uma maravilha tecnológica dedicada ao descanso do corpo.

Sob a grande tela havia teclas e orifícios para inserção de cristais de som e imagem. Com uns quatro centímetros de diâmetro e quinze de comprimento, podiam gravar e reproduzir de duas a três mil músicas e imagens a elas associadas. Oatas fez demonstrações com músicas terrestres da minha predileção e peças arretianas. Além de ouvir, observei imagens tridimensionais dos intérpretes e aquilo que ele denominou como “alma ou forma pensamento” da música.

O banheiro tinha uma pia com armário espelhado e um vaso sanitário com ducha higiênica externa. A pia e o vaso eram de um material semelhante a um acrílico leitoso, a água saía da torneira com a aproximação das mãos e o sanitário dava descarga automática assim que utilizado. O box tinha uma ducha circular e um chuveiro com diversas regulagens de pressão e temperatura. A parede em frente ao vaso sanitário tinha uma extensão da aparelhagem de som e imagem.

Depois voltamos ao armário de roupas e Oatas explicou a finalidade de cada um dos três tipos de trajes e acessórios que os acompanhavam. Um deles era igual ao que eu estava usando e era o traje de dormir. Os outros eram o de passeio e o de trabalho, ambos confeccionados com um tecido semelhante ao algodão com lycra, e ficavam colados ao corpo. O tecido do traje de dormir era o mais fino, o de passeio, um pouco mais espesso e o de trabalho, o mais encorpado. Todos eram constituídos por duas peças, uma vestida por cima e a outra por baixo, dispensando o uso de cuecas.

Os trajes de dormir não cobriam os pés e os braços, enquanto os demais dispensavam o uso de meias e tinham mangas compridas que podiam ser complementadas por luvas. As roupas de trabalho e de passeio eram ornadas com um cinto apresentado em três versões. Cada um continha menor ou maior número de compartimentos para armazenar objetos diversos. O traje de dormir era acompanhado por uma sandália de dedos e um mocassim de tecido e solado sintético. O traje de passeio era complementado por um tênis e o de trabalho era vestido com uma bota de cano longo, ambos de tecido e solado sintético.

Quando Oatas terminou suas explicações, escolhi um traje de trabalho e fui para o banheiro, enquanto ele permaneceu no quarto para me socorrer em qualquer dificuldade. O espelho mostrou que eu estava com a metade da idade terrestre e com os cabelos um pouco mais compridos. Ao escovar os dentes percebi que algumas obturações e falhas em minha arcada estavam corrigidas, assim como algumas cicatrizes nas pernas e na mão. Meu rosto não apresentava vestígios de barba e não havia pêlos visíveis no peito, axilas, barriga, braços e pernas. Tomei banho e me vesti sem dificuldades. A ducha circular era uma maravilha.

Quando me viu, Oatas disse que eu estava muito bem e que fui muito rápido no primeiro banho em órbita. Providenciamos a lavagem da roupa usada e fomos para o seu quarto. Enquanto ele tomava banho fiquei observando a “alma ou forma pensamento” da música arretiana. Era algo indescritível formado por cores entrelaçadas, pulsantes e “explosivas” que acompanhavam o ritmo da música. Logo depois fomos para a cabine de comando, onde os tripulantes nos aguardavam.

O encontro com os tripulantes

Oatas reapresentou cada um deles e fiquei retraído, sem saber exatamente como cumprimentá-los. Limitei-me a estender a mão e a dizer o tradicional “muito prazer” e o meu “nome de guerra”. Oatas percebeu meu embaraço e disse que podia abraçá-los e beijá-los como fazia com meus amigos e amigas na Terra, pois os arretianos eram muito carinhosos. Naquele momento eu estava sendo apresentado a Salino e, quando nos abraçamos, tive a sensação que ele era uma pessoa muito querida. Parecendo ler meus pensamentos, ele disse que era uma pena eu não me lembrar da nossa velha amizade iniciada em um planeta de outro sistema estelar.

O que se seguiu foi uma longa série de abraços, beijos e recordações, especialmente para os meus novos amigos. Eles tinham lembranças de suas vidas anteriores, como se fossem acontecimentos da juventude. Eu, mesmo sem tê-las, sentia que eram velhos amigos, pois nossa afinidade foi imediata. Desde 1978 tinha informações a respeito de uma vida anterior com Oatas e ele, juntamente com Salino e Tentra, foram os que mais conviveram comigo no passado. Por terem aproveitado as lições de cada vida, se adiantaram espiritualmente e viviam em mundos mais evoluídos que a Terra. Antes de continuar o relato da nossa animada conversa, vamos fazer um apanhado das suas características gerais e uma descrição de cada um deles.

Tinham cabelos lisos, fartos, brilhantes, compridos e seus corpos eram proporcionais e harmoniosos, com exceção dos dedos das mãos que eram ligeiramente maiores que o padrão terrestre. Seus rostos eram muito bonitos e a pele era lisa e sedosa, como das nossas crianças. Vestiam roupas de trabalho do mesmo modelo, variando a cor, tonalidade e detalhes do cinto ou do calçado. As cores e desenhos das roupas eram mais sóbrias nos homens e mais alegres e descontraídas nas mulheres. O nariz era delicado e seus lábios eram mais finos que os nossos. Os olhos eram o ponto forte de todos eles e foi o detalhe que chamou minha atenção quando os vi pelo telão. Eram bem maiores que o padrão terrestre, amendoados e puxados, ao estilo oriental, muito bonitos e quase hipnóticos, tamanha a atração que exerciam ao se olhar para eles. As sobrancelhas eram separadas e retas, mais finas nas mulheres e mais grossas nos homens. Eles tinham uma altura entre 1,90 e 2 metros, um peso próximo de 80 quilos e não apresentavam vestígios de barba.

As mulheres eram um pouco mais baixas e mais magras, aparentando uns 60 quilos. Elas tinham cílios naturais mais compridos, os quais conferiam aos seus grandes olhos uma beleza toda especial. Adornavam a testa com uma espécie de diadema combinando com a roupa e, no conjunto, eram charmosas e muito bonitas, tanto de rosto, como de corpo, semelhante ao padrão das nossas manequins. Tinham seios e bumbuns discretos e a cintura bem marcada. A voz era delicada, musical e falavam de maneira pausada, fechando ou arregalando os olhos, dependendo do clima que queriam transmitir.

Antak, o comandante, era o mais forte ou musculoso e tinha olhos verdes, pele bronzeada e cabelos ruivos. Utilizava um traje azul-marinho e apresentava um símbolo no peito, constituído por um triângulo amarelo dourado, com estrelas no centro. Tinha o equivalente a 70 anos terrestres, a aparência de 40 ou menos e a pele de 20. Não tinha rugas ou marcas de qualquer espécie, apenas algumas sardas, como a maioria dos ruivos terrestres.

Sua esposa Tali tinha olhos azuis lindíssimos, pele morena e cabelos negros brilhantes, lisos e grossos, como os de uma japonesa. Vestia uma roupa em tons rosa e azul claro, como seus olhos. Ostentava o mesmo distintivo do marido, pois também era uma comandante de nave estelar. Tinha 68 anos e não aparentava 30. Apesar de ser menos sorridente e falante, Tali era muito meiga e carinhosa.

Otento, o navegador, tinha olhos azuis quase negros, pele morena e cabelos semelhantes aos de Tali. Vestia uma roupa amarela e ostentava um círculo azul no peito com o desenho de um átomo. Era o mais magro de todos e tinha 58 anos terrestres, que também não aparentava. Otento era muito simpático, falante e brincalhão.

Sua esposa Sathya tinha olhos verdes, pele bronzeada e cabelos num tom amarelo dourado, ligeiramente ondulados. Vestia um traje amarelo e marrom e ostentava o mesmo símbolo do seu marido. Tinha a mesma idade de Otento e parecia uma colegial.

Salino, o engenheiro de bordo, tinha a pele bronzeada, cabelos castanhos, olhos azuis e era o mais alto deles. Seu uniforme era azul, exatamente igual ao que eu estava usando. O símbolo que ostentava era uma estrela dourada dentro de um círculo azul escuro. Salino tinha 55 anos e era alegre, feliz e brincalhão. Logo de início, seu modo de ser me deixou completamente à vontade e me contagiou totalmente.

Tentra, sua esposa, tinha a pele bronzeada, cabelos avermelhados e olhos verdes maiores que os de Tali e Sathya, além de algumas sardas no rosto. Usava uma roupa combinando tons rosa, azul e amarelo, com o mesmo símbolo ostentado por Salino. Tinha 53 anos e uma aparência juvenil. Tentra era uma doçura de pessoa, extremamente meiga e carinhosa. Depois dos cumprimentos iniciais, ficou o tempo todo ao meu lado relembrando, juntamente com Salino, tudo que eu tinha “aprontado” com eles em vidas passadas.

Oatas era o mais baixo. Tinha 1,75 metros de altura, pele clara, cabelos castanhos, ligeiramente encaracolados e devia pesar menos de 60 quilos. Seus olhos eram castanhos e menores que os demais. Possuía dentes mais largos, o que fazia supor que tinha menos dentes na boca. Oatas viveu na Terra na época Atlante, onde nos conhecemos e fomos amigos. Naquela época, adquiriu méritos que permitiram sua saída da Terra e transferência para Marte.

Depois das apresentações e das conversas iniciais, os tripulantes mostraram os detalhes da cabine de comando. Ela era muito simples e não tinha nenhuma semelhança com as cabines das aeronaves terrestres. Parecia uma sala de estar com dois grandes ambientes. Mais à frente havia uma mesa em forma de arco, denominada como mesa de comando. Tinha dez assentos e, em frente a cada um deles, um microfone com fone de ouvido, uma tela e um teclado. Esses equipamentos permitiam a comunicação com o “supercomputador” que, segundo Antak, era o verdadeiro comandante da SOL-4.

Seu nome era SINE, a sigla de Sistema Inteligente de Navegação Estelar. Era um computador que falava, aprendia, se autocorrigia e autoprogramava em situações não previstas ou de emergência. Podia-se conviver com ele, trocar experiências ou pedir sugestões, sem correr o risco dele se comportar como aquele do filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço.

No centro havia uma grande mesa redonda com várias poltronas, utilizada para reuniões e bate-papos da tripulação. A frente e as laterais da cabine eram formadas por uma única tela de cristal líquido, a qual podia ser subdividida e apresentar diversos tipos ou origens de imagens. Também podia ficar totalmente transparente e mostrar o exterior da nave.

Na parte do fundo havia seis cabines de teletransporte, cuja frente era formada por um acrílico escuro. A matéria era “desintegrada” na cabine de origem e “reintegrada” na de destino, quase que imediatamente. O processo daquelas cabines era diferente daquele utilizado nas cabines existentes em Arret e era realizado por posicionamento de coordenadas espaciais e não por velocidade, como estávamos acostumados a raciocinar. Quando terminaram as explicações, pedi para ver imagens da Lua, de alguns planetas, do Sol e de satélites artificiais da Terra.

Salino deu algumas instruções verbais ao SINE e a nave se movimentou, mostrando a imagem da Lua na tela frontal. Em seguida, utilizando o “zoom”, apareceram montanhas, planícies e detalhes do solo, como se estivéssemos a 50 metros dele. A seguir, surgiram imagens panorâmicas de Saturno, de Júpiter, de Marte e do Sol, com suas manchas e enormes línguas de fogo. Depois, a nave voltou-se para a Terra e começou a focalizar satélites dos mais diversos tamanhos e formatos.

Antak disse que muitos estavam inativos e eram lixos espaciais. Afirmou que, em respeito à Lei do Livre Arbítrio, as naves do comando da frota de apoio à Terra recolhiam apenas aqueles que escapavam da atração gravitacional. Pedi para ver alguma dessas naves e Salino movimentou a SOL-4, mostrando algumas que trafegavam e outras que estavam estacionadas bem acima da atmosfera. Informaram que a quantidade delas era grande, aumentando ou diminuindo conforme o nível de tensão existente na Terra.

Em seguida as imagens desapareceram e a tela voltou a ficar transparente, mostrando a esfera terrestre. Ainda falaram sobre outros equipamentos e características gerais da nave, como o seu escudo protetor, a forma de deslocamento por posicionamento em uma espécie de túnel do tempo, milhares de vezes superior à velocidade da luz. Depois Antak nos convidou para uma reunião na mesa redonda.

Começou dizendo que estavam ali para colaborar no meu aprendizado sobre Arret, para que eu pudesse escrever o livro que estava pretendendo. Disse que, em linhas gerais, o modo de vida do seu povo representava aquilo que a Terra será daqui a alguns séculos e que, antes das transformações, era conveniente escrever sobre o novo sistema social que substituirá o atual, transmitindo esperança aos seres de boa vontade que aguardam a grande transição e sofrem com o atual modo de vida terrestre. Falou que eles, com muitas dificuldades trabalhavam no embrião daquilo que será a fraternidade e a irmandade planetária, a síntese da última missão de Jesus.

Para atingir esses objetivos, o texto deveria enfocar o novo cenário e as dádivas que o Pai Celestial distribuirá com abundância aos Seus filhos e filhas que passarem no exame de seleção que se avizinha. Enfatizou que, ao invés do desenvolvimento tecnológico, os relatos deveriam privilegiar os aspectos sociais, educacionais, políticos, religiosos, cooperativos e culturais do seu povo e, principalmente, os motivos da sua felicidade. Pediu para não me preocupar se o trabalho será grande ou pequeno, se dará frutos ou não e também, se será publicado em seguida ou após alguns anos.

Enquanto Antak falava, comecei a avaliar a amplitude e a complexidade do trabalho, pois não imaginava escrever sobre um tema tão abrangente e com aqueles objetivos. Ele captou meu pensamento e ponderou que eu era um analista de sistemas que havia levantado dados, definido, descrito, testado, documentado e implantado inúmeros sistemas em diversas empresas da cidade de São Paulo por mais de duas décadas, além dos quase sete que estava em Alto Paraíso de Goiás sem perder contato com minha profissão anterior.

Em seguida perguntou se estava certo sobre o meu currículo. Assim que concordei, ele disse que a minha experiência profissional era mais que suficiente para atingir os objetivos propostos. Bastaria eu agir como se estivesse documentando um grande sistema em operação, ou um macrosistema composto por vários sistemas integrados, cujo objetivo final era a felicidade do povo arretiano. Afirmou que me achava capacitado para a tarefa e que gostaria de me “contratar”, sem remuneração, mas com um bom “salário espiritual”. Brincou dizendo que não podia garantir que o livro traria algum retorno material e em que tempo.

Depois perguntou se eu aceitava ou desistia daquele desafio. Respondi que aceitava e eles me incentivaram com palavras carinhosas e promessas de ajuda. Disseram que todos os locais e sistemas do planeta estariam abertos para os levantamentos necessários, incluindo o governo central. Comecei a ficar entusiasmado com o novo trabalho e bastante curioso com relação ao governo central. Tentra adiantou que ele não obedecia a nenhum padrão terrestre e me pediu para aguardar, pois era muito grande o conjunto de agradáveis surpresas que eu teria nos próximos dias. Tali disse que aquele momento merecia uma comemoração e nos convidou para segui-la até o restaurante.

Chegamos a um grande salão com inúmeras mesas, cadeiras e dimensões semelhantes às da cabine de comando. Localizado abaixo dela, tinha o mesmo tipo de tela transparente mostrando o globo terrestre. Tali escolheu uma mesa e falou que iríamos brindar com um vinho branco, parecido com o “moscato italiano”. Enquanto ela falava, surgiu um robô, semelhante ao C3-PO de Guerra nas Estrelas, empurrando uma plataforma de dois níveis que flutuava suavemente. Ele colocou um cálice para cada um e serviu o vinho. Em seguida, disse que aguardaria o momento para servir a refeição e se retirou.

Antak pronunciou uma breve oração e nos convidou para o brinde. Após um animado bate-papo, o robô trouxe um carrinho com frutas, castanhas, cápsulas e garrafas de sucos. As frutas eram semelhantes a algumas espécies terrestres e os sucos eram deliciosos, consistentes e naturais. Apesar de comer pouco, ingeriam cápsulas contendo vitaminas, proteínas, sais minerais, fibras, antioxidantes e me incentivaram a experimentar várias frutas e castanhas, alegando que meu aparelho digestivo exigia um volume maior de comida. Quando saímos o robô apareceu e Tali falou alguma coisa com ele, juntando-se a nós em seguida, pois iríamos a uma sala especial onde meu treinamento seria iniciado.

OS TRÊS DIAS DE PREPARAÇÃO

Quando lá chegamos, Antak disse que iriam aproveitar os três dias para me instruir sobre a atualidade arretiana, seu povo, modo de vida, fauna, flora e outros assuntos, para que eu lá chegasse com um resumo geral que facilitasse os levantamentos posteriores. Falou que Oatas estaria o tempo todo comigo e que eles se revezariam para apresentar e comentar cada tema. Iriam realizar as apresentações do geral para o particular, à moda cartesiana terrestre, e começariam com a estrutura do sistema estelar arretiano, a ser apresentado por Sathya. Os demais se despediram e prometeram retornar no horário do almoço.

Após uma breve descrição do sistema estelar arretiano, cuja imagem estava fixa na tela, Sathya informou que partiríamos para lá na noite do terceiro dia e que, dali a poucas horas, a nave se deslocaria para o espaço entre a Terra e Marte, onde ficaríamos estacionados até o momento da partida. Em seguida a imagem adquiriu movimento e, durante umas três horas, assistimos a um vídeo tridimensional, muitas vezes interrompido para explicações de Sathya ou para responder perguntas que fiz.

Arret era o quarto planeta da estrela central das Três Marias, na Constelação de Órion. Essa estrela, batizada pela astronomia terrestre com o nome de Alnilam, era algumas vezes maior que o Sol e, girando em torno dela, havia doze planetas, alguns com até sete “luas”. Um deles era habitado por um povo mais evoluído que o arretiano, outros dois tinham grau semelhante e três, um grau inferior. Os demais não eram habitados por seres humanos.

O planeta era muito parecido com a Terra, com o dobro do seu tamanho, uma população ligeiramente superior a 12 bilhões de habitantes e possuía três “luas”, sendo uma semelhante à nossa e outra com mais que o dobro do tamanho. A terceira era cinco vezes maior e também a mais distante. Ela possuía atmosfera com condições de vida e era habitada por peixes, répteis, animais e pássaros. A cor da atmosfera era de um azul mais forte que a terrestre e o ar mais rico, possuindo 25 por cento de oxigênio. O planeta era constituído por metade de mares e metade de terra firme, dividida em sete continentes, sendo cinco na zona equatorial e um em cada pólo.

No horário combinado os demais tripulantes entraram na sala e Antak perguntou se eu não gostaria de tomar um banho de cachoeira. Fiquei surpreso com o convite e, antes da resposta, ele disse que existia uma cachoeira com piscina, lembrando um pouco daquelas existentes no Vale Dourado. Fiquei imaginando como seria o lugar e que roupa iria usar, pois não tinha visto nenhum traje de banho no armário do meu quarto. Eles captaram meu pensamento e começaram a rir. Tentra disse que tomavam banho ao natural e, como eu não tinha esse costume, que não me preocupasse, pois no vestiário havia trajes de banho e que todos iriam usá-los para que eu me sentisse mais à vontade.

Chegamos a um vestiário masculino com alguns bancos, armários e compartimentos individuais. Escolhi um calção azul e comecei a mudar de roupa imaginando que tipo de cachoeira com piscina tinham construído na nave. Enquanto isso, meus amigos já estavam prontos e me esperavam. Notei que tinham corpos perfeitos, de musculatura discreta e sem pêlos visíveis no peito, braços, axilas e pernas. Comecei a imaginar como seria o corpo das mulheres e, novamente começaram a rir.

Pedi desculpas e Salino, com seu jeito brincalhão, falou que eu não deveria tentar inibir pensamentos extremamente comuns e arraigados na mente dos povos da Terra, cujos costumes eles conheciam e entendiam muito bem. Disse que, logo que chegasse a Arret, iria me acostumar com o modo de vida do seu povo e iria pensar e agir naturalmente, sem precisar me esforçar como fazia naquele momento. Todos disseram algo parecido, com o objetivo de me deixar à vontade e sem preocupações com qualquer tipo de pensamento que surgisse em minha mente. Apesar de continuar envergonhado, comecei a admirar aquelas pessoas pela sua pureza, maneira de agir e de compreender tão bem aqueles que não pensavam e não agiam como eles.

Salino passou o braço pelo meu ombro e foi caminhando comigo até a porta que dava acesso à cachoeira. Pediu para fechar os olhos e só abrir quando ele falasse. Ao abrir, minha surpresa foi enorme. No lugar de um ambiente de aspecto artificial, existia um enorme espaço com pequenas árvores, pedras, plantas, flores, arbustos, grama, poltronas, mesas e uma belíssima cachoeira que caía em uma grande piscina.

A água era realimentada por bombas especiais, depois de passar por um processo de filtragem e normalização do pH, tornando-a tão pura como as nossas melhores águas minerais. A piscina tinha formato retangular, com uns 15 metros de largura e o dobro de comprimento. As bordas eram irregulares e seguiam contornos de pedras que avançavam ou recuavam. O fundo era formado por areia e pedras, com profundidade máxima de três metros. O teto abobadado era transparente e o ambiente estava iluminado por uma luz “solar” que destacava as cores das pedras.

Notei Tali e Sathya nadando na superfície e Tentra submersa. Depois de uns dois minutos conversando com Salino sobre aquele local, comecei a ficar alarmado com o tempo que ela estava sob a água. Ele me tranqüilizou dizendo que os arretianos podiam mergulhar durante cinco a sete minutos e que alguns o podiam por um tempo maior. Falou que apreciavam os esportes aquáticos e eram bons nadadores, como eu estava observando. Enquanto isso, Tentra saiu da piscina e me abraçou pelas costas. Não me assustei porque seu corpo não estava gelado. Sorridente como sempre, disse que a água era igual à terrestre, que estava na temperatura do corpo e me convidou para experimentá-la.

Dizendo que eu não gostava de pular, ela me levou a um local com uma profundidade próxima de um metro, onde havia algumas pedras que chegavam à superfície. Curioso, perguntei como sabia desse meu costume e ela respondeu que acompanhava minha vida há muito tempo, pois os verdadeiros amigos nunca se esqueciam daqueles que amavam.

Ensaiei algumas braçadas sem me distanciar das pedras e, quando novamente fiquei em pé, todos estavam na piscina. Alguns nadavam na superfície ou submersos e outros estavam na cachoeira tomando uma ducha sobre uma plataforma de pedra. Tentra me convidou para nadar até lá e garantiu que estaria por perto para me ajudar em qualquer dificuldade.

Comecei a nadar do meu jeito desajeitado, ainda mais se comparado com a elegância e o estilo de campeões dos meus amigos. Cheguei à plataforma sem dificuldades, pois meu preparo físico tinha melhorado escandalosamente. Após uma deliciosa ducha sob a cachoeira, Tentra me mostrou o espaço que existia atrás da água. Lá havia um ambiente com a largura de um metro e um banco esculpido na rocha, onde era possível sentar confortavelmente e massagear os pés. Depois de uma nova ducha, sentei na beira da plataforma pensando em como tinham construído aquele local maravilhoso e tão natural.

Antak e Tentra se aproximaram e sentaram-se ao meu lado. Falaram sobre aquele ambiente denominado como Sala das Águas e o que ela significava para eles durante as longas viagens. Disseram que ela e a Sala do Horto eram os lugares onde relaxavam, meditavam e batiam longos papos durante as viagens. Antak disse que após o almoço iríamos conhecer o outro local e, em seguida, mergulhou durante alguns minutos.

Tentra explicou que o fôlego deles para mergulho dependia mais do controle mental, que do condicionamento físico. Também falou que os olhos arretianos tinham uma constituição que permitia ver com nitidez sob a água e que os meus tinham a mesma estrutura, pois meu corpo estava totalmente adaptado às condições de vida em seu planeta. Garantiu que eu poderia ficar submerso mais de um minuto na primeira tentativa e que esse tempo aumentaria gradativamente.

Seguindo suas recomendações, mergulhei acompanhado por ela e Salino, um de cada lado. Quando emergi, ela me parabenizou e disse que ficamos submersos por quase dois minutos. Fiquei espantado com meu novo fôlego e me animei a continuar o treinamento. Durante uma meia hora, revezei o tempo entre mergulhos e conversas com meus amigos até sairmos da piscina, quando Tentra informou que fiquei mais de dois minutos submerso e estava progredindo rapidamente. Voltamos ao vestiário, mudamos de roupas e fomos ao restaurante.

As frutas, os sucos e as cápsulas eram de espécies diferentes, um pouco mais leves, pois o organismo requeria menos calorias na parte da tarde. Novamente notei que comiam pouco. Como algumas frutas pareciam ter sido colhidas naquela manhã, perguntei se eram produzidas na Sala do Horto. Tentra explicou que elas estavam armazenadas há uns 25 dias em um equipamento que não utilizava o frio como meio de conservação e mantinha os alimentos em condições naturais por diversos meses. Quando terminamos, saímos para conhecer outro local muito interessante.

A Sala do Horto tinha dimensões semelhantes ao da Sala das Águas, era um pouco mais comprida e possuía o mesmo tipo de teto. Era uma pequena floresta com muitas árvores, trilhas e locais gramados, circundados por flores de várias espécies. Neles havia poltronas suspensas que reclinavam e ofereciam um grande conforto, substituindo as nossas redes com muitas vantagens. Caminhamos um pouco para conhecer o local e depois Tentra ensinou como ajustar as poltronas ao meu gosto.

Conversamos sobre a situação atual da Terra e sobre os acontecimentos previstos para o final do seu ciclo evolutivo. As informações não aumentaram em nada os meus conhecimentos, especialmente, quanto a datas. Mais tarde, Antak disse que o horário de almoço tinha terminado e que estava na hora da aula sobre a geografia, a flora e a fauna, a ser monitorada por Salino. Era uma continuação da anterior e ocuparia o restante da tarde.

Chegando à sala, Salino alertou que aquela sessão sobre a geografia, a fauna e a flora, apesar de longa, seria uma das mais resumidas de todas, dada a abrangência e a variedade dos temas envolvidos. Disse que eu teria acesso a muitos outros detalhes durante as viagens, passeios e visitas que faríamos em Arret durante mais de trinta dias. Mesmo assim, os vídeos e as explicações de Salino transmitiram um vasto conjunto de informações sobre o planeta.

Seus mares eram menos salgados e os rios eram de água doce como os nossos, ambos com muitas espécies de peixes e de vegetação aquática. Além de grandes ilhas fluviais, havia ilhas marítimas com área superior a 500 quilômetros quadrados. O relevo era bem menos acidentado que o terrestre, predominando as planícies. As montanhas raramente ultrapassavam a altura de mil metros em relação às planícies em que se situavam, as quais, em geral, estavam a quinhentos metros acima do nível do mar. Em Arret não existiam desertos ou geleiras.

As chuvas eram leves, bem distribuídas, sem ventanias, raios ou trovões e ocorriam quase sempre à noite, sob comando dos arretianos. A temperatura dos continentes polares girava em torno de 15 graus centígrados e nos demais, variava de 18 graus, nos extremos polares, a 25 graus na zona equatorial. O clima geral era uma mistura de outono e primavera dos nossos países tropicais. A vegetação era semelhante à nossa, predominando o verde azulado nas matas e um tom mais claro nas planícies. As flores apresentavam múltiplas cores, mais vivas e brilhantes.

A maioria dos pássaros eram canoros e de pequeno porte. Assim como os animais, não receavam os arretianos e atendiam prontamente aos seus chamados. Os animais e os pássaros não eram carnívoros e apresentavam, como as espécies vegetais, uma quantidade e variedade bem menor que a terrestre. Os arretianos respeitavam e os consideravam como irmãos de um reino anterior e os tratavam com muito amor, para que evoluíssem e atingissem mais rapidamente à individualização no reino humano. Lá não havia mosquitos, baratas, ratos, cobras e outros seres que aqui consideramos como nocivos.

Tentra chegou no final da aula e nos acompanhou até a Sala das Águas sem nada dizer a respeito do novo personagem que lá encontramos. Era Othíbio, o Ministro das Relações Exteriores de Arret. Ele estava retornando de uma missão diplomática em Marte e aproveitou para fazer a visita. Parecido e como mesmo tipo físico de Salino, logo demonstrou que também era muito bem humorado e brincalhão.

Assim que fui apresentado, ele disse que sabia da minha presença na nave e que Antak e os demais tinham feito um relatório a respeito dos meus progressos, citando alguns momentos hilariantes, como o teste que realizei em meu novo corpo. Falou que estava feliz com o nosso encontro e que após o jantar iríamos conversar sobre “trabalho”, pois aquele era um momento de relaxamento. Em seguida entrou na piscina e nós o imitamos. Tomamos ducha, nadamos, mergulhamos e “jogamos conversa fora” durante quase uma hora, ficando evidenciado que Othíbio era uma pessoa simples e acessível como os demais. Apesar de ser o responsável pelo relacionamento interplanetário do governo central, ele não demonstrava essa sua posição.

Em uma conversa posterior, Tentra informou que em Arret não existem classes sociais e todos são tratados igualmente, com os mesmos direitos e deveres. Tampouco existe o nosso conceito de hierarquia ou de chefia. Os seres de maior adiantamento espiritual, ou de maior responsabilidade social, são os que mais se esforçam para melhor servir, compreender e ajudar aqueles que ainda não atingiram o nível deles. Ela lembrou o caso de Jesus, servindo e se sacrificando na cruz para dar o exemplo e possibilitar a elevação espiritual da humanidade terrestre.

Após o banho fomos para o restaurante, onde se repetiu a cena anterior, desta vez, com frutas mais aquosas, sucos naturais e as indispensáveis cápsulas. Tentra explicou que à noite a alimentação era mais leve, pois o nível energético requerido era menor e citou um ditado também conhecido na Terra: “de manhã devemos comer como um rei, à tarde, como um príncipe e à noite como um mendigo”.

No caminho para o nosso local de descanso, fui conversando com Othíbio e perguntei como chegou à SOL-4. Ele respondeu que foi teletransportado de sua nave e que ela poderia ser vista da Sala do Horto. Batizada como Amizade, tinha o mesmo formato da nossa e dimensões bem maiores. Assim que começamos a observá-la, um conjunto de luzes de várias cores começou a piscar em um ritmo musical e Othíbio disse que a tripulação estava nos cumprimentando e desejando sucesso ao nosso trabalho. Logo elas diminuíram a intensidade, até restar somente as luzes iniciais. 

Sentamos no círculo central e Antak iniciou a conversa falando sobre Othíbio, seu trabalho em Arret e em outros planetas da nossa zona galáctica. Depois de dizer que ele tinha um convite a me fazer, passou-lhe a palavra. Othíbio fez alguns comentários sobre a fala de Antak e disse que Arcthuro, o presidente do governo central, pediu que me convidasse para uma reunião às três horas da tarde do dia do nosso desembarque, mantendo a outra que aconteceria no meio da minha estada no planeta. 

Em seguida perguntou se poderia levar minha resposta favorável a Arcthuro. Fiquei observando Othíbio sem nada dizer, pois estava espantado com o convite e com a pergunta. Ele a repetiu e eu, ainda confuso, falei que ficaria aguardando a reunião com grande expectativa. Ele esclareceu que fez a pergunta em respeito ao meu livre arbítrio e enfatizou que jamais fariam qualquer coisa sem o meu consentimento. Disse também que Arcthuro era o primeiro e maior cumpridor dessa Lei.

Pedi para ele falar um pouco sobre Arcthuro e ouvi atentamente o que ele disse com relação à simplicidade, respeito, justiça, abnegação, bondade e amor que vinha manifestando aos arretianos nos últimos 80 anos do seu governo. Seu modo de ser era igualmente reconhecido e retribuído pelo povo, que o amava profundamente e o respeitava como um pai que se sacrificava pelos filhos. Ele era o sacerdote que cumpria e ensinava a Lei Divina e o rei que governava com justiça e sabedoria.

Othíbio me pediu para aguardar com tranqüilidade o momento da reunião e para ver Arcthuro como uma pessoa igual aos meus demais amigos e não como o “supremo mandatário” de seu planeta. Em seguida, falou que precisava retornar à Amizade e partir para Arret. Dizendo que logo nos encontraríamos, se despediu e saiu com Antak e Salino, com destino à cabine de comando, onde seria teletransportado.

Os dois retornaram uns dez minutos depois e me pediram para observar a despedida da Amizade. As luzes coloridas voltaram a piscar enquanto ela se afastava lentamente. Após uns dois minutos elas se apagaram e seu escudo protetor ficou visível e começou a brilhar até não se distinguir mais a nave. Tudo desapareceu após um clarão semelhante a uma explosão e Antak comentou que a Amizade já havia saído dos limites do Sistema Solar e estava a caminho de Arret. Continuamos conversando sobre Othíbio, Arcthuro, o governo central e o trabalho deles na SOL-4. Fiquei sabendo que Othíbio era tio de uma vizinha de Tentra que eu iria conhecer, a qual trabalhava junto e era muito amiga de sua filha Vércia. Já passava das nove horas quando Antak disse que tinham que tomar algumas providências e que depois iriam dormir.

Oatas e eu os acompanhamos até a entrada da cabine de comando e depois fomos para a ante-sala dos nossos quartos. Lá tomamos suco de frutas e conversamos por quase uma hora. Falei a maior parte do tempo, enquanto Oatas ouvia, fazia algumas colocações ou respondia às minhas perguntas. Além de ter falado sobre várias coisas que aconteceram naquele dia, eu estava preocupado em controlar meus pensamentos, pois eram facilmente captados por ele e pelos tripulantes.

Além daquilo que Salino, Antak e Otento falaram no vestiário da Sala das Águas, a conversa me deixou mais aliviado. Antes de ir para o seu quarto Oatas forneceu outras informações sobre os controles da cama e do equipamento de áudio e vídeo. Depois de tomar banho e mudar de roupa, deitei ouvindo a Canção da América e comecei a relembrar as cenas e acontecimentos daquele dia. Quando ouvi os acordes da Ave Maria, uma sensação de paz me invadiu e logo adormeci.

Após o banho fui com Oatas para o restaurante, onde nossos amigos nos aguardavam para a refeição matinal. Quando terminamos, Antak disse que teríamos uma hora de descanso e depois eu iria assistir a duas sessões de vídeo naquela manhã e a outras duas à tarde. O primeiro seria apresentado por ele e versaria sobre a forma de governo e o “sistema financeiro”. O segundo, monitorado por Tentra, seria sobre a família e o relacionamento amoroso. À tarde, Tali apresentaria uma visão geral dos sistemas de educação, saúde e lazer. Otento fecharia o dia com os sistemas agrícola e industrial.

Fomos para a Sala do Horto e conversamos sobre os temas do treinamento do dia e sobre Vércia, a filha de Tentra e Salino. Depois, Antak, Oatas e eu fomos para a sala de aulas e os demais foram se ocupar com seus afazeres na nave. A rotina daquele dia seguiu o padrão do anterior, com períodos de lazer na Sala das Águas e descanso na Sala do Horto. Os temas apresentados me permitiram começar a entender o modo de vida e os motivos da felicidade dos meus amigos e do povo arretiano.

A aula sobre a forma de governo e o “sistema financeiro” revelou aspectos interessantes daquela sociedade planetária. Em Arret falavam uma única língua e lá não havia países, estados, municípios e proprietários de terras. O governo central era um organismo planetário que atuava como uma “corporação empresarial” simples, ágil e objetiva. Seus componentes não concorriam entre si e todos trabalhavam para atingir os objetivos da “corporação”, sem visar poder, salários, carreiras ou promoções. Trabalhavam por prazer, naquilo que gostavam e que sabiam fazer melhor, pois independente do que faziam, tinham os mesmos direitos e obrigações sociais.

Lá não circulava nenhum tipo de moeda e ninguém recebia qualquer remuneração pelo trabalho no horário padrão. Também não pagavam por nada que fosse necessário, como alimentação, habitação, vestuário, saúde, educação e lazer. Para ter acesso a bens não essenciais, como veículos ou aparelhos de som e imagem, utilizavam as “horas extras” e, tanto o presidente como um jardineiro, necessitam da mesma quantidade dessas horas para adquirir o mesmo bem.

O horário de trabalho padrão era de seis horas diárias, em dois períodos de três horas, das oito às onze e das quatorze às dezessete. O expediente semanal era de cinco dias, durante seis meses por ano. Se trabalhassem mais, produziriam bens em quantidade superior às necessidades da população do planeta. Trabalhavam um mês e tiravam férias no outro, quando eram substituídos pelos que descansaram no mês anterior.

As férias eram utilizadas para atividades turísticas, culturais, educativas e, principalmente, para contatos com os habitantes de outras regiões do planeta. O presidente do governo central, seus doze ministros e outros administradores do “alto escalão” tinham um regime de trabalho diferente e raramente tiravam mais que dois meses de férias por ano. Nos hospitais, centros de lazer e outras atividades essenciais, o trabalho era ininterrupto, com revezamentos a cada seis horas.

A palestra de Tentra sobre a família e o relacionamento amoroso foi a mais difícil de ser compreendida ou aceita pela mente terrestre. Em Arret, os casais se uniam por laços de afinidade pura, a ponto de exercerem a mesma profissão e trabalharem juntos durante toda a vida, como era o caso dos tripulantes. Assumiam esse compromisso antes do nascimento e, aos sete anos, já sabiam se iam se casar e com quem. O namoro começava nessa idade e tinha a conotação de uma grande amizade. O casamento ocorria em uma cerimônia simples celebrada pelos seus pais.

Na volta das férias nupciais, a lua-de-mel arretiana, o casal recebia uma casa mobiliada e equipada, no local que escolheram para viver e trabalhar. Os filhos, além do respeito e dos fortes laços que os uniam aos seus pais, também eram considerados filhos de todos os arretianos e, quando começavam a freqüentar escolas, podiam até morar por longos períodos em uma outra casa. O relacionamento amoroso era um conceito que apresentava sérias dificuldades para ser compreendido pela mente terrestre, centrada no sexo e no orgasmo físico, independente da afinidade entre os parceiros.

Lá, essa parte do relacionamento entre casais era muito diferente. A mulher não tinha menstruação e a ovulação, seguida de uma relação sexual física, só acontecia quando o período era propício para o nascimento de um filho ou filha. Porém, mesmo com duzentos anos de idade, os casais podiam realizar aquilo que chamavam de entrelaçamento energético, o qual levava a um “orgasmo espiritual” muito superior ao físico. Podiam realizá-lo sempre que o desejassem, mesmo que separados por milhares de quilômetros. O processo não tinha nenhuma limitação, pois ocorria em um outro plano, enquanto os corpos físicos dormiam. Os casais arretianos realmente faziam e sentiam amor, semelhante à sensação de abraçar e beijar a filha ou filho querido, potencializada dezenas de vezes.

A aula sobre os sistemas de educação, saúde e lazer, apesar de resumida, transmitiu informações muito interessantes. Entre os três e os sete anos, as crianças adquiriam, gradativamente, a memória de suas experiências passadas e daquilo que vieram fazer no planeta. Aos sete anos estavam intelectualmente aptas para realizar trabalhos que desenvolveram em vidas passadas, especialmente na anterior. Por essa razão, lá não havia cursos de alfabetização. Nessa idade e por sua livre escolha, quase todos freqüentavam cursos de informação sem currículo mínimo, presença obrigatória ou certificados de conclusão.

Também podiam não freqüentar esses cursos até os 14 anos, quando começava a fase de formação profissional para o trabalho que vieram executar. Nessa idade, os jovens tinham acesso a cursos de capacitação, como medicina ou engenharia, dentre outros. Escolhiam livremente a escola, o curso e as cadeiras que julgavam necessárias à sua formação. O acesso não dependia de vestibulares, bastando o registro de sua decisão no período letivo anterior. As avaliações eram realizadas pelos próprios alunos e, na conclusão do curso, não recebiam certificados.

Em Arret, valorizavam as qualidades reais ou espirituais de cada pessoa. Bastava ela dizer que estava capacitada para o trabalho, que ninguém perguntava onde e quando aprendeu, ou como se preparou, pois ninguém trabalhava em algo que não gostava e que não pretendia executar com perfeição. Quando julgavam necessário outros conhecimentos para melhor desempenhar seu trabalho ou missão, ingressavam em escolas de especialização e alguns ainda freqüentavam cursos avançados em planetas mais evoluídos.

O sistema de saúde era totalmente preventivo e estava apoiado na manutenção de um corpo saudável através da alimentação correta e da prática de esportes, os quais objetivavam apenas exercitar o corpo e a mente. Nos centros médicos existentes em cada cidade, as poucas cirurgias eram realizadas com a ajuda de sofisticados aparelhos e quase sempre no corpo vital da pessoa, sem cortes ou contatos físicos.

O arretiano não ficava doente e vivia saudavelmente até os duzentos anos com uma energia juvenil. Morria por vontade própria, alguns dias ou meses após o termino do trabalho que vieram realizar no planeta. Quando chegava esse momento, despediam-se dos amigos e familiares, dormiam e não acordavam mais. Os hospitais eram mais maternidades do que outro tipo de clínica.

O parto era natural, sem dores e realizado dentro de uma piscina especial. A operação cesariana era muito rara e utilizada somente quando existia risco de vida para a mãe ou para o bebê. Os arretianos faziam “check-up” diário e, a maioria deles, mais de uma vez por dia, sempre que utilizavam a cabine de teletransporte. Ela realizava esse procedimento automaticamente e, quando constatava alguma anormalidade, o sistema de saúde convocava o usuário e resolvia o problema na fase inicial, de uma maneira rápida, segura e indolor.

O lazer era a atividade mais importante no planeta e incluía a música, o cinema, o teatro, a dança, os jogos de salão e outras práticas, predominando os esportes aquáticos, como a natação e o mergulho. Lá, tudo era praticado sem competição e, portanto, não existiam campeonatos ou torcidas organizadas. Também não praticavam esportes como o futebol, basquete e vôlei, dentre outros de natureza competitiva. O objetivo do esporte era apenas exercitar e manter o corpo e a mente sadios.

O sistema agrícola, além de fornecer a base de sustentação da vida, colocava os arretianos em estreito contato com a natureza, a qual muito admiram e respeitam. A maioria das cidades eram agrícolas e ficavam localizadas no centro das áreas de cultivo, como se fossem agrovilas. Raramente comportavam mais de 18 mil habitantes e produziam uma grande variedade de frutas, alguns legumes e verduras e poucos cereais. Parte da produção era destinada à alimentação em estado natural e a outra, ao processamento industrial. Como o clima do planeta não apresentava variações sensíveis, quase todas as regiões produziam de tudo.

As cidades industriais eram maiores e algumas chegavam a 50 mil habitantes. Umas só produziam equipamentos básicos ou matérias-primas e outras as transformavam em utilidades para a vida planetária, desde pequenos objetos, até grandes naves intergalácticas. O complexo agrícola e industrial era bem distribuído em todo o planeta, sem privilégios para nenhuma região. Os trabalhos pesados ou repetitivos eram executados por máquinas e robôs de diversos tipos e habilidades.

Durante o descanso matinal na Sala do Horto, Antak fez uma rápida exposição dos temas das quatro aulas do dia. Sathya apresentaria os tipos de naves de transporte e o sistema de distribuição. Tentra se encarregaria do urbanismo e Tali complementaria seu tema anterior, falando das artes e espetáculos. Ele iria concluir o treinamento falando sobre o sistema religioso. Depois iniciamos a programação daquele dia maravilhoso e cheio de novidades como os dois anteriores, tanto com relação aos temas tratados, como pela agradável surpresa que tivemos na última aula. Elas continuaram até o final da noite.

Em Arret havia sete classes de naves de transporte e todas apresentavam a forma de um charuto achatado, ou uma elipse, cujo comprimento era sempre o triplo da largura, ou o quádruplo da sua altura. Além dos tipos básicos abaixo, fabricavam outras com vários formatos, voltadas para a execução de serviços especiais, ou para transporte em locais específicos, como parques, canteiros de obras e centrais de abastecimento.

  • As grandes naves do tipo 1, com 1.368 metros de comprimento, 456 de largura e 342 de altura, eram utilizadas para viagens na Via Láctea ou a outras galáxias. Elas raramente desciam nos planetas visitados e, normalmente, estacionavam em órbitas elevadas. O contato com o solo era realizado por naves do tipo 4 ou menores, abrigadas em seu interior.

  • As naves do tipo 2, como a Amizade, tinham 456 metros de comprimento, 152 de largura e 114 de altura. Eram utilizadas para transporte de cargas e para lazer turístico na Via Láctea ou regiões dela.

  • As naves do tipo 3, como a SOL-4, com 144 metros de comprimento, 48 de largura e 36 de altura, eram utilizadas para viagens em regiões da Via Láctea, com a mesma autonomia e recursos de navegação das naves do tipo 2. Elas também eram utilizadas para transporte de cargas dentro e fora da atmosfera arretiana.

  • Para o transporte de cargas a qualquer região do planeta ou do sistema estelar arretiano, havia as naves do tipo 4. Elas tinham uma largura de 24 metros, altura de 18 e um comprimento de 72. Podiam dar uma volta em Arret em menos de dez minutos e, fora da atmosfera, sua velocidade era espantosa.

  • As naves do tipo 5 eram utilizadas para o transporte de cargas e de passageiros em viagens turísticas a qualquer lugar de Arret ou de seu sistema estelar. Tinham 12 metros de largura, 9 de altura e 36 de comprimento. Dentro da atmosfera e fora dela, seguiam o mesmo padrão de velocidade das naves do tipo 4.

  • Como tipo 6, existia uma nave medindo 8 metros de largura, 6 de altura e 24 de comprimento. Era o ônibus arretiano, por ser largamente utilizada no transporte de passageiros para qualquer região do planeta, incluindo colônias marítimas, estações orbitais e satélites naturais.

  • A última nave media 2 metros de largura, 1,5 de altura, 6 de comprimento e era conhecida como veículo do tipo 7, ou de transporte familiar e individual. Era o único lá existente para essa finalidade e seu modelo básico era diferenciado apenas pelas cores do seu interior e pela sua pintura externa, algumas, uma verdadeira obra de arte.

A distribuição de bens para a população era realizada em estabelecimentos semelhantes aos nossos supermercados. Os arretianos tinham acesso a eles através de duas formas distintas. O primeiro caso, em que os direitos eram iguais para todos, envolvia uma infinidade de produtos necessários à sobrevivência, bem-estar, conforto e qualidade de vida, como alimentos, vestuário, equipamentos e utensílios domésticos, roupas e guarnições, dentre outros. Para obtê-los, bastava ir a um supermercado, registrar a saída dos produtos nos inúmeros terminais de leitura lá existentes e levá-los para casa sem necessidade de pagamento.

O segundo caso envolvia os bens não essenciais, como equipamentos de som e imagem, cabines de teletransporte e veículos do tipo 7. Para obtê-los, o interessado dirigia-se a outro tipo de estabelecimento, onde se identificava e retirava o bem que estaria à sua disposição em até duas semanas após a escolha do tipo, cor ou modelo, desde que tivesse o crédito necessário em horas extras. Também podia recebê-lo como presente de casamento de seus pais ou padrinhos que tivessem o respectivo crédito.

As cidades arretianas eram cuidadosamente planejadas para facilitar o relacionamento, a convivência comunitária e o aproveitamento das horas de lazer. As avenidas eram muito largas e possuíam um canteiro central arborizado e florido. Nelas, a cada cem metros, havia ambientes circulares destinados a atividades culturais e recreativas. As ruas secundárias não tinham canteiro central, mas eram largas, arborizadas e floridas. Ambas eram destinadas exclusivamente a pedestres e eram revestidas com pedras planas e um tipo de grama japonesa. 

As residências apresentavam sete tipos de plantas e uma área construída que variava em função da quantidade de quartos. Podia ter de dois a cinco dormitórios e de 100 a 210 metros quadrados. Quase todas eram térreas e apresentavam amplas varandas em sua volta. O material básico empregado nessas construções era a madeira, combinada com resinas plásticas e fibras minerais, como a de vidro.

Os terrenos residenciais tinham 50 metros de lado e eram impecavelmente gramados e arborizados. As habitações eram posicionadas do centro para frente e, na junção dos quatro terrenos que formavam cada quadra, existia uma piscina com cachoeira, escorregador e outros equipamentos de lazer comunitário. Um conjunto variável de quadras formava um bairro e cada um deles era constituído por residências de mesmo formato e mesma quantidade de quartos. As cores externas eram variadas, predominando os tons claros. A visão das quadras e dos bairros, além de muito bonita, era um espetáculo de cores, árvores e flores.

Os prédios públicos, como teatros, cinemas e supermercados, eram identificados pelo seu formato e cores peculiares. Eles obedeciam a outro padrão de construção e raramente tinham mais que dois andares. O prédio mais alto de Arret era o Palácio da Harmonia, com 28 andares, onde ficava instalado todo o primeiro escalão do governo central do planeta. Ele era muito bonito, tinha a forma piramidal e sua base era formada por uma estrela de oito pontas. Externamente, era uma impressionante estrutura de cristal dourado com topo azulado, onde se localizava o gabinete de Arcthuro. Apesar do baixo índice de incremento populacional, o Ministério da Habitação sempre construía novas cidades, mais para manter um padrão de idade média das edificações em torno de duzentos anos, equivalente à expectativa de vida da população. 

As artes e espetáculos foi o tema que apresentou menos novidades, pois a música, o teatro e a dança, em diferentes graus de manifestação, existiam em planetas de todos os graus evolutivos. Porém, em Arret, a música era tão popular que era impossível encontrar uma pessoa que não dominasse, pelo menos, um instrumento musical, os quais eram muito parecidos com os nossos. A dança clássica era muito popular e também a de salão, no estilo praticado em nosso planeta na época das grandes orquestras.

O teatro utilizava avançados recursos de cenografia e o cinema, em três dimensões, era apresentado em grandes telas côncavas, semelhantes às da SOL-4, as quais reproduziam a realidade de uma forma assustadora, pois até os odores, o frio e o calor eram sentidos pela platéia. Apesar de terem recursos parecidos em suas casas, os arretianos preferiam assistir a filmes em locais públicos, tanto pela oportunidade de contato e convivência com outras pessoas, como pelas palestras que sempre ocorriam antes de cada espetáculo. Também assistiam a filmes e documentários realizados em outros planetas, inclusive na Terra.

A aula sobre o sistema religioso contou com a presença dos demais tripulantes e, antes de iniciar, Antak fez uma breve oração, após a qual observamos uma luz dourada que se transformou na imagem de Jesus. Antes que se desfizesse, foi possível ouvi-lo dizer que estava satisfeito com o trabalho em andamento e que sempre estaria conosco. Todos se emocionaram e Antak fez alguns comentários sobre a admiração do povo arretiano por aquele ser maravilhoso. Dentre outras coisas, disse que Jesus, em várias ocasiões, foi o guia de Ahelohim, o messias de Arret, como Jesus o era da Terra.

Depois, Antak falou sobre a religiosidade do seu povo, a qual atendia plenamente aos princípios básicos que Jesus veio demonstrar e ensinar em nosso planeta. Ao mesmo tempo em que ninguém era ligado a uma corrente religiosa, todos amavam o próximo como a si mesmos e a Deus sobre todas as coisas. Lá não havia templos ou igrejas e nem pessoas como padres, pastores ou rabinos. Porém, antes de qualquer espetáculo cultural, sempre ocorriam palestras de cunho filosófico, proferidas por membros do governo central ou por cidadãos comuns. Os Arretianos adoravam essas palestras, onde sempre ocorriam fenômenos como aquele que acabávamos de presenciar.

A PARTIDA DO SISTEMA SOLAR

Ao término da aula, Antak pediu para Tentra falar sobre a viagem a Arret e divaguei por alguns momentos da sua exposição, pensando nas razões de todo o trabalho que estavam tendo comigo. Além daquilo que ela estava fazendo, cujo objetivo era me tranqüilizar, os demais estavam há três dias à minha disposição, pois não havia percebido nenhuma outra atividade especial na SOL-4. Tentra captou essas divagações e pediu para me concentrar na sua fala, pois não queria que eu ficasse inseguro ou preocupado com alguma coisa que acontecesse fora do padrão e eu a interpretasse de maneira errada. Depois de dizer que mais tarde conversaria comigo, continuou sua exposição. 

Ela falou que às três horas da manhã a nave entraria em uma espécie de túnel do tempo, portal ou “xendra”, como alguns conheciam na Terra. O processo seria comandado pelo SINE e a viagem, de centenas de anos-luz, ocorreria em um tempo muito curto, pois às cinco horas a SOL-4 já estaria estabilizada e em órbita alta em relação à superfície arretiana. Durante essas duas horas eu deveria permanecer em minha cama com a cúpula fechada, para não acordar com dor de cabeça ou enjoado. Pediu para não ingerir líquidos após a refeição e para urinar antes de deitar, pois, entre três e cinco horas, a cúpula não abriria ao meu comando e estaria bloqueada pelo SINE, para minha total segurança.

Após a exposição, Antak falou que ele, Tali, Otento e Salino iriam tomar as providências para a viagem e combinaram nos encontrar no restaurante, na hora do jantar. Ao sair, brincou dizendo que iriam trabalhar enquanto a gente se divertia na Sala das Águas. No caminho, enquanto Oatas e Sathya conversavam mais à frente, pedi desculpas a Tentra pelas minhas divagações e ela disse que o povo arretiano não sabia o que era pedir desculpas, pois lá ninguém se ofendia. Salientou que fez a observação somente para que eu não perdesse nenhum detalhe importante, como o travamento da cúpula da cama.

Reiterou que iríamos conversar sobre o assunto das minhas divagações após alguns mergulhos e perguntou se eu concordava em tomar o banho ao natural, pois queria saber se eu já estava preparado para encarar essa situação corriqueira para o seu povo, apesar de incomum e cheia de preconceitos e malícias na Terra. Respondi que ainda me sentia inibido e sem saber como me comportar, mas que gostaria de tentar e iria me esforçar para não decepcioná-la. Ela me incentivou e disse que eu iria me sair bem nessa última etapa do treinamento, no qual tinha recebido boas notas até então.

Não entendi exatamente o que ela quis dizer, mas não tive tempo para fazer perguntas, pois estávamos chegando à Sala das Águas. Tentra contou a novidade para Oatas e Sathya, deixando-os contentes com a notícia e eles me incentivaram a agir naturalmente, como era comum ente as crianças terrestres. No vestiário, pedi para Oatas me vigiar e “puxar minha orelha” se fosse necessário. Ele deu uma gargalhada e disse que não precisaria me vigiar, mas estava ansioso para me ver no ambiente da piscina. Assim que nos despimos, me pediu para ignorar o fato e disse que tudo iria dar certo.

Quando entramos, Sathya nadava submersa e Tentra estava em pé sob a cachoeira. Não pude ignorá-la, pois assim que me viu, pediu para esperá-la na borda da piscina e mergulhou. Entrei imediatamente na água e os poucos segundos que ela demorou pareceram minutos, pois nesse tempo houve uma luta entre a parte dos meus pensamentos que teimavam em observá-la e a outra que recriminava o procedimento.

Ao chegar, ficou em pé e perguntou como estava me sentindo. Disse que estava envergonhado, pois não tinha conseguido deixar de observá-la. Ela deu uma gargalhada e pediu para me despreocupar e, se sentisse vontade de olhar, que não lutasse contra esse pensamento, como estava fazendo naquele momento. Falou que não se sentiria desrespeitada por ser observada e garantiu que logo eu me acostumaria, pois a curiosidade inicial se transformaria em um fato corriqueiro. Tentra afastou-se um pouco e me pediu para observá-la à vontade, até concluir que ela era igual a todas as mulheres, sem nada de especial ou digno de ser notado.

Depois, voltou a perguntar como estava me sentindo. Respondi que, naquelas circunstâncias, não havia razão para me sentir mal, pois ela era uma pessoa muito querida que, como uma amorosa e paciente professora, estava ali para me ensinar uma difícil lição, da maneira mais fácil de ser assimilada. Falei que sentia a necessidade de aprendê-la para continuar o maravilhoso curso que estavam me oferecendo, com um empenho e dedicação que eu nunca presenciei na Terra.

Quando terminei de falar, notei lágrimas em seus olhos e pensei ter feito ou falado alguma coisa errada. Imediatamente ela disse que suas lágrimas eram de emoção e de felicidade pelo que eu acabara de sentir e dizer. Falou que os arretianos eram muito emotivos e choravam facilmente em situações como aquela. Depois me convidou para um mergulho e só então percebi Oatas e Sathya ao nosso lado, sorrindo e fazendo sinais de aprovação. Nos divertimos bastante e durante esse tempo minhas sensações iniciais desapareceram. Mais tarde, Tentra me chamou para uma conversa fora da piscina.

Assim que sentamos, ela disse que aquilo que estavam fazendo representava uma grande satisfação para eles e que qualquer arretiano faria coisas semelhantes, mesmo que não houvesse um motivo claro ou especial. Disse que o livro ou livros, juntamente com outros já publicados e a serem publicados nos próximos anos, ajudarão muitas pessoas a pensar e a sonhar com um mundo melhor, mais fraterno e feliz, baseado no serviço impessoal e desinteressado de recompensas materiais.

Afirmou que o conjunto desses pensamentos e desses sonhos acelerará o processo cósmico e ajudará a transformar o modo de vida terrestre em algo parecido com aquilo que vi e iria confirmar durante os levantamentos em Arret. Tentra estava muito compenetrada, parecendo observar alguma coisa que eu não via e afirmou que, antes de estarem fazendo algo pela nossa humanidade, estavam fazendo por eles mesmos.

Enfatizou que era somente o serviço desinteressado que impulsionava o ser para estágios mais avançados na senda da evolução e afirmou que, se eu escrevesse o livro, deveria fazê-lo sem esperar reconhecimentos e recompensas materiais. Também deveria me preparar para receber mais críticas que elogios, pois boa parte da humanidade terrestre não entenderia a mensagem central e não tinha interesse em mudar seu modo de vida atual.

Em seguida, perguntou se eu tinha pensado sob esse prisma. Respondi que sim e afirmei que nunca imaginei escrever o livro para ganhar dinheiro e que as críticas também não seriam novidades, pois eu seria apenas mais um dos milhares que já passaram por situações semelhantes. Ela disse que estava satisfeita com o meu modo de pensar e que ela e os demais iriam me ajudar em tudo que fosse possível, para que eu colhesse mais rosas que espinhos.

Oatas e Sathya saíram da água e sentaram-se junto a nós. Apesar de não terem ouvido a conversa, reforçaram tudo que Tentra falou. Ao final, ele informou que passei nos testes e que, dali para frente, as coisas seriam mais fáceis para mim. Em seguida, disse que estava na hora de irmos ao restaurante e, por essa razão, resolvi não fazer perguntas sobre os testes.  

Fomos recebidos com palmas, abraços, cumprimentos e os mesmos incentivos que acabara de ouvir. Disse a eles que estava achando que me submeteram a um teste real e, se não fosse aprovado, adeus viagem a Arret. Antak confirmou minhas suspeitas e informou que os três dias de treinamento tinham esse objetivo. Falou que não me informou a respeito para não prejudicar meu aprendizado sobre seu povo e o processo de assimilação das novas regras de comportamento social.

Aliviado com a notícia, agradeci a todos pelo carinho e paciência que tiveram comigo. Depois, Tali nos convidou para um brinde, após o qual ingerimos uma refeição leve. Enquanto nos dirigíamos à Sala do Horto, perguntei a Antak se ele sabia algo a respeito do meu corpo original. Ele informou que meu corpo dormia um sono tranqüilo e que suas funções vitais estavam sendo controladas por uma cápsula sobre o meu quarto, a qual enviava informações para uma das naves do comando da frota de apoio à Terra e esta as retransmitia ao computador da SOL-4.

Depois de dizer aos demais que logo os encontraríamos, entramos em uma sala de treinamento. Antak pressionou uma tecla, deu alguns comandos de voz e logo a tela se iluminou com uma imagem distante da Terra. Seu tamanho foi aumentando até que vi minha casa, o meu corpo e o de minha esposa, ambos dormindo. Notei que o relógio marcava meia noite e quinze.

Fiquei impressionado com o fato de estar na nave há quase três dias e o relógio ter avançado apenas 10 minutos. Imediatamente lembrei da primeira conversa com Oatas e dos cálculos que fiz. Antak captou meu pensamento e comentou que dentro de umas duas horas terrestres eu estaria de volta àquele corpo e me pediu para ficar tranqüilo, pois ele estava sendo muito bem cuidado. Informou que durante a estada em Arret não haveria condições para vê-lo em tempo real e perguntou se eu estava satisfeito. Ante a resposta afirmativa, a tela foi apagada e saímos ao encontro dos nossos amigos.

A conversa foi muito animada e versou sobre a chegada ao planeta e o início dos levantamentos. O desembarque ocorreria em Agartha, a sua capital, em um dia equivalente a uma segunda-feira, após a refeição da manhã. No início da tarde iríamos à sede do governo central, onde ocorreria a reunião com Arcthuro. No dia seguinte seriam iniciados os levantamentos básicos, previstos para as três primeiras semanas. Depois haveria outra reunião com Arcthuro, na qual seriam definidas as etapas seguintes e o dia do meu retorno à Terra.

Mais tarde, uma informação de Antak me deixou surpreso. Disse que o trabalho de Oatas estava concluído com grandes méritos e que ele iria voltar a fazer parte da espiritualidade marciana. Falou que Tentra e Salino seriam meus guias em Arret, juntamente com outras pessoas que lá eu iria conhecer.

Perguntei por que ele iria nos deixar, se tinha dito que seria o meu guia durante a viagem. O próprio Oatas respondeu dizendo que assim procedeu porque eu não estava preparado para compreender e aceitar outra alternativa. Se dissesse que seriam Tentra e Salino, que eu ainda não conhecia, poderia me deixar inseguro e prejudicar o plano que estabeleceram. Afirmou que não me enganou e que estaria sempre comigo, pois seu pensamento jamais me abandonaria. Falou que aquela foi a melhor maneira que encontraram para fazer o contato comigo e perguntou se eu agiria de outra maneira naquele tipo de situação.

Concordei plenamente com suas justificativas e relembrei que ele já havia feito muito por mim desde o nosso primeiro contato em 1978. Falei que ele sempre ocuparia um lugar especial no meu coração, pois nunca o esqueci. Oatas brincou dizendo que, naquela ocasião, quase revelou o sistema de sustentação e de propulsão das naves marcianas, tamanha a minha insistência e de um amigo, o Luiz Duarte. Aproveitando o clima, Tentra perguntou se eu aceitava que ela e Salino fossem meus novos guias. Na mesma linha, falei que a pergunta não merecia resposta e agradeci a todos, relembrando algumas das coisas que fizeram por mim.

Depois, Tentra relembrou alguns detalhes da viagem e disse que, se eu estivesse com algum receio, por não contar mais com o Oatas, providenciariam uma cama extra e eu poderia dormir no quarto deles. Agradeci a oferta e assegurei que não seria necessário. Garanti que o travamento da cúpula não representaria nenhum problema, pois não tinha o costume de acordar à noite, a não ser para urinar e, caso isso acontecesse, me desapertaria na própria cama, a menos que provocasse algum curto-circuito. Eles riram e Salino afirmou que era a melhor coisa a fazer, pois não havia esse perigo.

Como já estava se aproximando a hora que devíamos nos recolher, acompanhamos Oatas até a sala onde recebemos nossos corpos ao chegar à nave. Ficamos abraçados um bom tempo durante as despedidas e ele aproveitou para fazer algumas recomendações e para prever várias coisas que poderiam acontecer nos dias, meses e anos seguintes.

Quando ele deitou e fechou a cúpula da cama e seus olhos, entendi como funcionava a morte nos mundos mais adiantados, onde era tratada como um fato natural e não guardava a menor semelhança com aquilo que ocorria na Terra. Tentra e Salino me acompanharam até o meu quarto e ela repetiu sua proposta anterior. Voltei a dizer que estava tranqüilo e que não queria alterar o plano que tinham estabelecido. Assim que saíram fiz a higiene noturna, deitei e fiquei alguns minutos pensando em Oatas, nos dias que passamos juntos e em tudo que ele previu para acontecer.

O PRIMEIRO DIA EM ARRET

O desembarque e os contatos iniciais

Quando acordei, a tela do equipamento de áudio e vídeo mostrava uma imagem semelhante à da Terra. Em meio a nuvens e uma atmosfera azulada, apareciam oceanos, ilhas e continentes com disposições e formatos diferentes. Foi nesse momento que me dei conta que estávamos em Arret. Fiquei uns dez minutos observando e pude notar que a nave completou uma volta em torno do planeta. Tomei o banho mais rápido da minha vida, vesti-me e fui para o restaurante pensando em Oatas e onde seu espírito estaria naquele momento.

Durante a refeição eles notaram que eu estava ansioso pelo desembarque, apesar de toda a carga de informações que recebi sobre o planeta. Tentra brincou dizendo que eu parecia uma criança às vésperas de receber o presente do Papai Noel e que isso era muito bom. Quando terminamos, fomos à cabine de comando para acompanhar os detalhes da entrada na atmosfera e da aterrissagem.

Ocupamos a mesa de reuniões e ficamos aguardado Antak que, na mesa de comando, conversava com alguém cuja imagem aparecia na tela à sua frente. Logo ele juntou-se a nós e me pediu para observar o exterior da nave, pois ela iria entrar gradativamente na atmosfera, em órbitas espiraladas, permitindo a visão geral dos continentes, mares, ilhas e de algumas cidades, especialmente a de Agartha. Em seguida, a SOL-4 começou a se aproximar do planeta em posição vertical, com a cabine de comando voltada para ele.

Eu quase nem piscava para não perder nenhum detalhe daquela operação especial que estavam realizando. Durante quase uma hora fiquei observando e ouvindo explicações sobre os mais variados acidentes geográficos, até que paramos sobre a grande ilha de Agartha. Conforme nos aproximávamos do solo, ficava visível o tráfego de algumas naves e diversos detalhes da cidade. Quando chegou a uns mil metros do solo, a SOL-4 retomou a posição horizontal e logo estacionou.

Durante o tempo que a nave permaneceu na vertical e quando mudou de posição, não houve mudança de sensação ou qualquer tipo de desconforto. Parecia que a SOL-4 tinha uma gravidade própria, à medida que nada caía das mesas ou de qualquer outro lugar. Não houve tempo para perguntas a respeito, pois Antak informou que os veículos deles já estavam a caminho e nos convidou para desembarcar.

Assim que pisei no solo arretiano, tive uma idéia real das dimensões da SOL-4. Era um charutão gordo e dourado, quase chegando ao cobre brilhante. Ela ficava suspensa a um metro do solo e não tinha trens de pouso ou coisa parecida. Logo minha atenção se voltou para as três pequenas naves ali estacionadas, todas do mesmo tipo e modelo, com cores e pinturas metálicas diferentes. Eram veículos do tipo 7 e, como não vi nenhum “motorista”, perguntei quem os tinha trazido. Salino respondeu que foi o piloto automático dos veículos, obedecendo a um comando emitido pelo SINE. Eu já estava me acostumando a essas novidades e passei a observar o enorme aeroporto.

Era uma área quadrada com uns quatro quilômetros de lado, repleta de arbustos e jardins nas longas e largas faixas que separavam pistas de larguras e comprimentos diferentes. Seus pisos eram formados por um gramado que parecia um imenso tapete. Nos quatro lados distinguiam-se construções de diversos tamanhos e formatos, algumas semelhantes a hangares de aviões terrestres. Havia três naves como a SOL-4 estacionadas e outras de tamanho menor.

Quando concluí as observações, cada casal se dirigiu aos seus veículos e Tentra me levou até o deles, cujo nome era Canarinho. Tinha três confortáveis assentos na frente, outros três atrás e um grande compartimento de bagagens. Salino me pediu para sentar na lateral dianteira, para melhor apreciar a vista de Agartha. A pequena nave não tinha volante, câmbio, acelerador, breque e outros dispositivos próprios dos veículos terrestres, somente pequenas telas e teclados em frente a cada assento. Parei de observar outros detalhes, pois os veículos dos nossos amigos começaram a decolar. Pararam a uns 30 metros de altura, acenaram e saíram a uns duzentos quilômetros por hora.

Em seguida, Tentra apertou uma tecla, deu um comando de voz e logo o Canarinho se posicionou acima da SOL-4. Obedecendo a outro comando de voz, começou a se deslocar a uns cem quilômetros por hora. Durante o trajeto notei que o veículo obedecia a ordens verbais de Tentra ou de Salino para parar, elevar, baixar, virar, diminuir ou aumentar a velocidade. Além dessas instruções, eles não prestavam a menor atenção no tráfego e não tocavam em nada. Preocupavam-se apenas em chamar minha atenção para observar detalhes da cidade, como praças, mercados, escolas e casas de diversos formatos.

Logo avistamos e circundamos o Palácio da Harmonia, onde teríamos a reunião com Arcthuro na parte da tarde. Como vi na SOL-4, era um prédio muito bonito e emanava uma energia maravilhosa que pudemos sentir. Apesar de não ser tão grande ou alto, como muitos prédios terrestres, sua estrutura impressionava e chamava a atenção de maneira hipnótica.

Alguns minutos depois avistamos um conjunto de residências octogonais e Tentra mostrou a quadra e a casa onde moravam. O Canarinho parou sobre o local a uns 50 metros de altura e baixou rapidamente, sem transmitir nenhuma sensação de queda. Fiz uma pergunta a esse respeito e Salino informou que, quando fossemos visitar uma fábrica daqueles veículos, eu iria conhecer detalhes do seu mecanismo de compensação gravitacional, o qual inibia as sensações de queda, de elevação, de acelerações ou desacelerações rápidas.

Assim que descemos, disseram que aquele era o “meu novo lar” e me pediram para entrar primeiro. Ao me aproximar da porta ela se abriu, dando acesso a uma ampla sala com dois ambientes que logo se iluminaram com uma luz que vinha do teto e das paredes, como na SOL-4. Tentra apertou uma tecla e as janelas ficaram translúcidas, alterando imediatamente a intensidade da iluminação interna. Antes que fizesse qualquer pergunta, ela me pegou pelo braço e disse que, enquanto Salino preparava um suco, iria me mostrar a casa e o meu quarto.

Ela era simples e funcional. Tinha três suítes, sala de estar com dois ambientes, sala de música e vídeo, cozinha, sala de refeições e despensa conjugada com lavanderia. O quarto deles tinha uma cama de casal e o de Vércia, sua filha, tinha uma de solteiro. O meu era o de hóspedes, tinha duas camas de solteiro e as mesmas comodidades daquele que ocupei na SOL-4. O lado externo da casa era uma grande varanda com mesinhas, cadeiras, poltronas, vasos de flores e outros objetos.

Como as demais, a casa ficava posicionada quase no centro de um terreno com um gramado impecável, cercada por muitas árvores ornamentais e frutíferas. Quando entramos, Salino nos aguardava na sala de música com uma jarra de suco de frutas e minhas músicas preferidas. Conversamos sobre a “nossa casa” e, dentre suas várias características, a que mais chamou minha atenção foi a inexistência de rede elétrica externa.

Mais tarde me levaram até um compartimento na varanda e me mostraram as duas baterias responsáveis pelo suprimento elétrico. Uma alimentava a rede elétrica e a outra só entrava em operação em casos de consumo excessivo ou falha da principal. Elas eram carregadas por painéis fotovoltaicos com o mesmo formato das placas que formavam o telhado da casa. Eles não eram facilmente identificáveis, assim como, os coletores solares que aqueciam a água até o ponto de fervura.

As baterias tinham alta capacidade de armazenamento e grande durabilidade. A cada cinco anos, a reserva passava para o lugar da principal e era substituída por uma nova. Aquele sistema, com baterias de menor ou maior capacidade era utilizado em todas as edificações do planeta, dispensando as centrais de geração de energia, as linhas de transmissão e as fiações urbanas. Quando retornamos à sala de música, conversamos a respeito de Vércia e Tentra falou dela com muito orgulho. 

Informou que, pelo fato de viajarem muito, Vércia era filha única, tinha 25 anos, era solteira, trabalhava no Ministério dos Transportes e Distribuição, estava em viagem de férias e iria retornar a qualquer momento. Segundo Salino, ela era parecida com Tentra e também era alegre, carinhosa, comunicativa e brincalhona. Mais tarde ele disse que faltavam algumas coisas na despensa e sugeriu que fôssemos ao supermercado, pois iria colocar alguns assuntos em dia e esperar por Vércia.

Tentra pegou um “carrinho” com duas cestas, apertou uma tecla, chamou-o pelo nome e ele nos seguiu flutuando até o Canarinho. Tentra abriu a porta traseira, ele se acomodou no “porta-malas”. Durante o trajeto, ela explicou que os arretianos colocavam nomes nas coisas que os cercavam e os serviam, independente de pertencerem aos reinos mineral, vegetal ou animal. Falou que as tratavam com carinho, pois também eram constituídas por energias em evolução. Os nomes eram sempre associados a características ou semelhanças com seres dos reinos superiores e exemplificou o caso do seu veículo que, além de voar, as cores de sua carenagem imitavam aquelas de um tipo de Canário lá existente.

O supermercado era um grande prédio de dois andares em forma piramidal, com o topo cortado na metade da altura, onde centenas de pessoas faziam “compras”, seguidas por seus carrinhos flutuantes. Durante mais de uma hora que lá ficamos, a maior parte do tempo foi gasto por Tentra para me apresentar a seus amigos. Eram homens, mulheres, jovens e algumas crianças que me impressionaram pela forma educada e adulta com que se portavam. Além disso, eram muito inteligentes, bem informadas e conheciam várias coisas da Terra.

Tive oportunidade de ver pessoas que representavam o conjunto que conheci durante o treinamento, desde mulatas até loiras, todas com um bronzeado impecável. Dentre esses tipos, predominavam as de pele morena e Tentra me apresentou uma delas, uma moça muito comunicativa, simpática e bonita. Tinha grandes olhos azuis que muito me impressionaram e ela me pareceu bastante familiar, apesar de Tentra não ter falado nada além do padrão que utilizou nos demais casos.

Na volta, por ter percebido minha reação ou porque sabia de alguma coisa ainda não revelada, quis saber o que achei daquela sua amiga. Discorri sobre as impressões que tive e perguntei se ela estava me escondendo algo. Ela sorriu e disse que, como falou em diversas ocasiões, eu teria muitas boas surpresas em Arret, cada uma no seu devido tempo. Ela concluiu o assunto no momento que estávamos sobrevoando um bonito parque e me pediu para observá-lo, pois fazia parte do nosso programa de visitas e levantamentos.

Quando Tentra avistou sua casa, falou que sua filha tinha chegado e, assim que estacionou o Canarinho ao lado do veículo multicolorido de Vércia, ela veio correndo ao nosso encontro. Mal desci, ela me deu um abraço e diversos beijos, além de dizer que estava com muitas saudades. Fiquei surpreso e sem saber o que dizer. Apenas senti que ela era uma pessoa muito querida, pois nossa afinidade foi instantânea. Fomos abraçados para a sala de estar e, quando Tentra entrou, Vércia disse que havia se esquecido dela, deu-lhe vários beijos e sentou em seu colo. Ela era parecida com Tentra, com os mesmos olhos grandes e verdes, sardas no rosto e cabelos ruivos, um pouco mais escuros.

Salino juntou-se a nós e o assunto foi a nossa amizade de muito tempo atrás. Lembraram várias coisas não relatadas na SOL-4 e riram muito de algumas situações que me envolveram com os três ou com parte deles. Enquanto falavam, algumas imagens vinham à minha mente e eu não sabia se eram criadas por mim, por eles, ou eram lembranças reais. Como já passava das onze e meia, Salino perguntou se eu não gostaria de tomar um banho de piscina antes do almoço.

Fiquei indeciso e receoso de tomá-lo na presença dos vizinhos que ainda não conhecia. Vércia captou meu embaraço e brincou dizendo que eu não poderia ter uma “recaída”, pois sabia dos meus progressos na SOL-4 e não aceitaria uma resposta negativa. Apesar de não me sentir à vontade, aceitei o convite torcendo para que os vizinhos não aparecessem. Foi exatamente o que aconteceu, pois chegamos à piscina e não havia ninguém, inclusive, no vestiário, o que me pareceu bastante estranho. Acabei gostando da ausência e, enquanto eu “enrolava” para me despir, os três já estavam prontos, pois o vestiário era unissex.

Chegando à piscina mergulhei imediatamente sem observar os detalhes daquele ambiente. Fiquei uns três minutos submerso, enquanto Salino, Tentra e Vércia nadavam ao meu lado. Durante esse tempo notei que a piscina tinha o fundo e contornos semelhantes à da SOL-4. Emergi no lado oposto da cachoeira e só então pude observar o local. 

A cachoeira tinha uns três metros de altura, uma largura de quatro e um escorregador semicircular com água corrente em cada lado. A piscina tinha uns 20 metros de largura e o dobro de comprimento. Sua profundidade variava de menos de um a três metros. O ambiente era semelhante ao da Sala das Águas e era igualmente bonito. Tentra e Vércia se aproximaram e me convidaram para experimentar o escorregador. Minha primeira experiência foi um desastre e, na terceira tentativa eu estava adorando. Repeti a operação várias vezes e continuei achando muito curioso o fato de nenhum vizinho ter aparecido até aquele momento.

Depois de uma ducha, sentamos na plataforma da cachoeira e vi a moça que conheci no supermercado caminhando em direção ao vestiário. Vércia gritou seu nome e foi ao encontro dela. Salino e Tentra sentaram-se ao meu lado e começaram a conversar, fazendo de conta que não viram e não perceberam nada, pois falaram somente sobre a importância daquele ambiente para eles e seus vizinhos. Logo as duas desceram pelo escorregador e nadaram até onde estávamos. Vércia me apresentou Syndi como sendo sua grande amiga e colega de trabalho. Salino e Tentra mergulharam e as duas sentaram-se ao meu lado.

Vércia iniciou a conversa e depois permaneceu como ouvinte. Logo sua amiga mostrou-se uma pessoa simpática, brincalhona e comunicativa, perguntando uma porção de coisas sobre o Brasil, que ela conhecia muito bem. Imaginei que estava procurando facilitar nosso diálogo e, da minha parte, aumentava a convicção que ela também era uma conhecida de outros tempos, apesar dela nada mencionar a respeito. Apenas mostrou-se muito atenciosa e me tratou como um amigo de infância.

Logo depois os vizinhos começaram a entrar na piscina ou a ocupar cadeiras para tomar sol. Syndi nos convidou para um mergulho e assim permanecemos por alguns minutos. Emergimos próximo do local onde Tentra e Salino conversavam com algumas pessoas e ela me pediu para sair da piscina. Fui apresentado a elas e acabei virando o centro das atenções. Todas conheciam os objetivos da minha estada em Arret e me incentivaram bastante. Também esclareceram o mistério da ausência geral. Disseram que assim procederam para que eu ficasse à vontade e me acostumasse com o novo ambiente. Novamente fiquei impressionado com o nível de preocupação dos arretianos com o bem-estar alheio. 

A reunião com Arcthuro e o final do dia

Mais tarde voltamos para casa e almoçamos. Novamente notei que comiam pouco e ingeriam cápsulas de três a cinco tipos diferentes. Depois, fomos para a varanda conversar até por volta das duas e meia, quando Salino lembrou do nosso compromisso no Palácio da Harmonia. Perguntei se era necessário mudar de roupa e eles riram bastante. Disseram que eu estava bem vestido para a ocasião e que Arcthuro usava o mesmo tipo de roupa, como todos os arretianos em horário de trabalho. Ao indagar sobre como iríamos até lá, Salino disse que usaríamos a cabine de teletransporte e, para me tranqüilizar, ele iria à frente, eu em seguida e Tentra por último. Vércia e Syndi iriam aproveitar para colocar “as fofocas em dia” e logo saíram.

Fomos até a cabine de teletransporte e Salino selecionou as coordenadas do Palácio da Harmonia. Apreensivo, perguntei se não havia riscos de misturar as células com alguma outra coisa, como no filme “A Mosca”. Os dois riram muito, disseram que tinham ouvido falar dele e esclareceram que aquilo era impossível de acontecer em Arret, mesmo que lá houvesse moscas e uma ou várias entrassem na cabine.

Ela teletransportava um único ser vivo por vez, independente de pertencer ao reino humano, animal ou vegetal. A “desintegração” somente ocorria após um processo de validação baseado na análise do código genético contido no DNA e só era possível teletransportar conjuntamente com um ser humano, coisas e objetos provenientes do reino mineral, ou dos reinos superiores, desde que inertes ou reprocessados, como era o caso das nossas roupas e seus acessórios.

Em seguida, Salino entrou na cabine dizendo que me esperaria “do outro lado” e, assim que fechou a porta, sumiu em poucos segundos. Na minha vez, senti uma forte sonolência e logo vi um amplo salão e a silhueta de Salino. Quando sai e olhei em volta, percebi que lá havia umas três dúzias de cabines. Em seguida, ouvi a voz de Tentra e nossa conversa foi interrompida pela chegada de Antak e Tali, enquanto Otento e Sathya caminhavam em nossa direção. Nossos cumprimentos foram tão efusivos, parecendo que estávamos separados há meses.

Entramos em um elevador panorâmico que permitia observar o saguão de cada pavimento e subimos até a recepção da presidência, no penúltimo andar. Durante a curta conversa, Tentra afirmou que eu iria sentir uma energia maravilhosa quando chegássemos à recepção e, maior ainda, quando entrássemos na sala de Arcthuro. Disse que até mesmo um “casca-grossa”, como eu me denominava, não iria ficar imune à energia dele. Quando lá chegamos, a recepcionista cumprimentou todos pelo nome e pediu que aguardássemos alguns minutos.

Logo Othíbio entrou na sala, nos abraçou e, após relembrar nosso encontro na SOL-4, pediu-nos para acompanhá-lo até o gabinete de Arcthuro, no andar de cima. Subimos por uma escada rolante e saímos diretamente na sua sala. Ele nos aguardava em uma grande mesa redonda, com cadeiras para mais 48 pessoas. Fiquei paralisado quando o vi, pois uma grande emoção tomou conta de mim. Ele veio ao nosso encontro e parou na minha frente sorrindo. Assim que me recompus, estendi a mão e ele, ao invés de apertá-la, me deu um caloroso abraço.

Depois de segurar meus braços à moda romana, disse que estava feliz com a visita e que, como servidor de Arret e amigo do povo da Terra, iria ajudar em tudo que fosse necessário para que o trabalho alcançasse o êxito esperado. Voltei a me emocionar e ele colocou a mão direita em meu ombro e disse que, se sentisse vontade de chorar ou de sorrir, que não segurasse ou disfarçasse esses dois belos sentimentos da alma humana. Em seguida, se dirigiu a cada um dos demais com amáveis palavras, sempre seguidas de carinhosos abraços. Depois nos convidou para sentar bem próximos dele.

Arcthuro tinha uns dois metros de altura, cabelos grisalhos até os ombros, pele morena, grandes olhos castanhos e rosto sem rugas, apesar de já estar com 165 anos, 80 deles à frente do governo arretiano. Era uma pessoa de extrema humildade e sabedoria, de fala mansa, pausada, firme e objetiva, transmitindo tamanha sensação de confiança, que era impossível imaginar algum outro sentido em suas palavras, ou deixar de atender qualquer pedido seu.

Assim que sentamos, entrou um robô semelhante ao da SOL-4 e serviu um copo de suco de morangos para cada um. Arcthuro iniciou a reunião falando que Arret tinha fortes laços com a Terra, pois o Messias responsável pelo seu povo era Ahelohim, um dos setenta Messias da Aliança de Sírius, o qual era grande amigo e colaborador de Jesus, o Messias da Terra. Disse que Ahelohim foi seu guia e protetor em algumas de suas passagens pelo nosso mundo, incluindo a última.

Jesus, do mesmo modo, também foi guia e protetor de Ahelohim em algumas de suas missões junto ao povo arretiano, onde passou pelas mesmas situações que seu amigo enfrentou na Terra. Arcthuro enfatizou que esse era um dos motivos da afinidade entre os dois planetas e tudo que pudesse ser feito para transmitir esperança aos que sofrem com o atual modo de vida terrestre, sonham e esperam por um mundo melhor, compensaria qualquer tipo de sacrifício, por maior que fosse.

Falou que essa era a razão principal daquela reunião e da operação que montaram para realizar um trabalho que lançaria mais uma semente no solo da Terra, cuja germinação ficaria subordinada à vontade divina. Afirmou que, em breve, a Terra passará por uma grande transição, ou transformação, cujos detalhes, dia e hora era um segredo do Pai Celestial, para não alarmar Seus filhos e filhas que serão submetidos ao exame de seleção.

Frisou que o livro ou livros que eu pretendia escrever deveria enfocar a esperança em um mundo melhor, a felicidade e as dádivas que o Criador distribuirá abundantemente a todos que superarem as barreiras do mundo competitivo, da vida e dos prazeres materiais. Falou que, se assim eu decidisse quando voltasse à Terra, deveria escrever pelo simples prazer, sem me preocupar com sua publicação e, menos ainda, se traria retorno financeiro, se seria lido por muitos ou por poucos, ou se seria aceito ou repudiado.

Enfatizou que era importante eu fazer a minha parte e deixar o resto por conta do Pai Celestial, o único que sabia o dia e a hora propícia para a semente se transformar em árvore e dar frutos. Lembrou que bastaria escrever com isenção que a idéia seria registrada nos anais espirituais da Terra e muitas pessoas iriam acessá-la durante o sono ou períodos de meditação. Disse que estavam prontos para me ajudar no que fosse necessário e voltou a afirmar que a decisão final de escrever seria minha, que não seria questionada e que não precisaria manifestá-la naquele momento. Confirmou que Tentra, Salino e outras pessoas me acompanhariam durante a estada em Arret e me auxiliariam em qualquer dificuldade.

Depois, disse que já era hora de falar sobre como nasceu a semente e se estabeleceu aquilo que eu chamava de governo central e como teria acesso às informações necessárias para conhecer a realidade e o modo de vida do seu povo. Em seguida, Arcthuro fez um resumo dos acontecimentos anteriores e posteriores à grande transição arretiana, destacando aqueles que levaram à criação do governo planetário.

Ele traçou um paralelo entre a situação de Arret, há 722 anos atrás, com a atualidade terrestre e, o ponto que mais chamou a atenção, relacionava-se com a profecia do “Homem do Cavalo Branco”, citada no início deste livro. Naquela época, com pequenas variações, Arret era a Terra da atualidade, com um modo de vida semelhante àquele de 1960 e uma tecnologia mais avançada que a de 1999.

Três anos antes da transição planetária, a mão divina colocou um de seus servidores na presidência de um país com características semelhantes às do Brasil. Seu nome era Olintho e, com o apoio de suas poderosas alianças espirituais, reestruturou aquele país e obteve a admiração e o respeito do seu povo e de muitos governantes dos demais países. Como seu procedimento estava em sintonia com as leis divinas, quando sobrevieram os dias da prestação de contas ao Criador e o caos reinou no planeta, seu país foi um dos que menos danos sofreu.

Com isso, socorreram muitos povos mais atingidos e Olintho acabou se tornando um líder planetário, auxiliando e coordenando esforços de reconstrução em quase todos os países, sempre com o apoio irrestrito dos seres espaciais, dos quais era uma espécie de embaixador. Ele foi eleito o primeiro governante continental e não viveu o suficiente para assistir à implantação do governo central, mas lançou a semente que frutificou alguns anos depois.

Mais tarde retornou a Arret com o nome de Hórhium e, no final do primeiro século, assumiu o governo central e realizou uma grandiosa obra de consolidação e sistematização dos mais variados aspectos da vida planetária. Conforme pude entender e relacionar com a profecia citada, esse mesmo ser está vivendo no Brasil, aguardando o momento que o Pai Celestial definiu para colocar nossos destinos em suas competentes mãos.

Depois, falou sobre aquilo que imaginaram para facilitar meu aprendizado, sempre submetendo suas conclusões à aprovação dos presentes. Esse comportamento era comum a todos os arretianos e demonstrava o respeito absoluto que tinham pelo livre arbítrio. No final, resumiu a estratégia para propiciar o conhecimento da atualidade planetária.

  • Através de visitas e passeios, eu conheceria as atividades básicas de cada um dos doze ministérios e manteria contato com diversas pessoas, possibilitando avaliar e sentir o seu grau de satisfação e de felicidade. 

  • Nas próximas três segundas-feiras, das oito horas ao meio dia, eu teria reuniões de uma hora com cada um dos ministros cujas áreas foram levantadas na semana anterior.

  • Na última segunda-feira, às três horas da tarde, voltaríamos a nos reunir para avaliar meu aprendizado, definir as próximas etapas e marcar meu retorno que, apesar de previsto para dali a trinta dias, poderia se prolongar por mais dez a doze.

Quando ele disse que, se estivéssemos de acordo, poderíamos encerrar a reunião e colocar o plano em execução, concordamos imediatamente e nos despedimos. Achei que o tempo passou muito rápido e também me senti feliz, otimista e confiante, como nunca estive em minha vida terrestre. Arcthuro era um ser maravilhoso e sua presença tinha o poder de impregnar as pessoas com uma parcela de suas qualidades. Ele era a síntese do povo arretiano e, por isso, era amado e respeitado por todos. Já no andar térreo, cada grupo retornou à sua casa e Salino acompanhou Antak para ajudá-lo a ajustar o planejamento do programa de levantamentos, em função de algumas novas colocações feitas por Arcthuro.

Quando chegamos, Vércia e Syndi estavam em casa e perguntaram sobre a reunião. Fiz um rápido resumo e Vércia concluiu, pela euforia que sentia em mim, que ela foi ótima e falou que eu precisava relaxar um pouco na piscina. Conversamos por mais alguns minutos e fui voltando ao normal, sem nunca mais perder a confiança e o otimismo. Tentra ficou para preparar nosso jantar e esperar por Salino, pois iriam visitar os pais dela. Nós fomos à piscina, onde conheci outros vizinhos e conversei bastante com Syndi.

Ela estava com 25 anos, era solteira e trabalhava no Ministério dos Transportes e Distribuição, juntamente com Vércia. Era a filha mais nova e seus dois irmãos eram casados e cada um tinha um casal de filhos. Perguntei com que idade os arretianos se casavam e ela disse que era entre os 18 e 35 anos, mas iria permanecer solteira, como acontecia com uns vinte por cento da população. Sua afirmativa estava baseada no fato de não ter assumido compromissos com casamento ou filhos para aquela vida e que Vércia estava na mesma situação. Apesar disso, poderiam ter filhos mesmo sendo solteiras, pois esse fato não era incomum em Arret. Paramos nesse ponto, pois Vércia lembrou que já era tarde e que Syndi iria até sua casa antes de jantar conosco.

Voltei com Vércia para a nossa casa e logo Salino e Tentra utilizaram a cabine de teletransporte e saíram. Imaginei que a visita seria em Agartha e me espantei quando Vércia disse que seus avós residiam no outro lado do planeta. Logo me reposicionei e compreendi as comodidades que as cabines representavam e porque os arretianos não davam tanta importância aos seus veículos particulares. Enquanto aguardávamos a chegada de Syndi, pedi para Vércia falar sobre o Ministério dos Transportes e Distribuição. Syndi retornou logo depois e as duas prometeram continuar o assunto após o jantar, quando me transmitiram uma visão geral do sistema de distribuição de bens, aclarando vários pontos ainda obscuros. Depois, por lembrança de Vércia, voltamos ao assunto da conversa com Syndi na piscina. As duas se revezaram e me forneceram informações muito interessantes.

Disseram que os compromissos com casamento e filhos são feitos durante a permanência no plano espiritual e não são esquecidos quando do retorno ao físico. Elas não assumiram esses compromissos e disseram que seus companheiros da vida anterior, que poderiam ser seus parceiros naquela vida, estavam em missão em outros planetas. O de Syndi estava vivendo na Terra e o de Vércia estava em outro sistema estelar. Mesmo assim, poderiam se casar com alguém em situação semelhante ou, o que era mais comum, assim como, poderiam continuar solteiras e terem filhos, se quisessem e houvesse necessidade.

Informaram que esse tipo de maternidade somente ocorreria se algum espírito, com o qual tinham grande afinidade, retornasse de uma missão em outro planeta durante o período em que elas estavam vivendo na matéria. Se esse espírito, por alguma razão relevante, necessitasse retornar imediatamente ao plano físico, precisaria da ajuda de pessoas descompromissadas, como elas duas.

Quando Tentra e Salino chegaram, falaram sobre a visita realizada e sobre o dia seguinte, quando conheceríamos algumas escolas básicas. Vércia disse que nos acompanharia e convidou Syndi, que aceitou o convite. Ao dizer que iria dormir em sua casa e retornaria na manhã seguinte, Tentra interveio e a convidou para ficar. Justificou que seus pais estavam viajando e que havia duas camas no quarto de hóspedes. Em seguida, perguntou se eu concordava em dividir o quarto com ela.

Surpreso com a inusitada situação, respondi brincando com eles. Falei que concordava, desde que Syndi não se aproveitasse da minha inexperiência arretiana. Todos riram e ela disse que isso não iria acontecer, apesar de conhecer minha experiência terráquea, o que motivou novas risadas. Salino também brincou dizendo que eu ainda não tinha completado 24 horas em Arret e ele não gostaria de me ver “traumatizado” por uma “solteirona” como ela. Syndi simulou agredi-lo e, enquanto ele corria para o seu quarto, fomos para o nosso.

Ela disse que sempre dormia naquele quarto quando seus pais viajavam e por isso, tinha roupas e outros apetrechos em um dos armários. Depois, pegou um traje de dormir e foi para o banheiro. Durante o tempo que lá permaneceu, fiquei analisando aquela situação e relembrei a conversa com Tentra na volta do supermercado. Resolvi não estranhar mais nada que acontecesse, pois, desde o contato com Oatas, tudo foi uma sucessão de surpresas e novidades.

Quando retornei do banho, Syndi estava em sua cama ouvindo uma bela música arretiana. Logo abriu os olhos e perguntou se eu não me incomodava com aquele tipo de música. Respondi que não, pois era muito agradável, e ela disse que tinha o costume ouvi-la enquanto relembrava os fatos do dia e fazia uma autocrítica sobre tudo que aconteceu. Perguntei se ela havia se “autocriticado” muito naquele dia e sua resposta foi negativa. Falou que o dia foi ótimo, que estava muito feliz com o nosso reencontro e com a possibilidade de me ajudar a conhecer o povo arretiano, seus costumes e modo de vida.

Ao ouvir a palavra reencontro, esperei ela concluir e falei a respeito da impressão que tive no supermercado e sobre a sensação que ela era uma conhecida de outrora. Depois de me observar atentamente, falou que, como Tentra, Salino e Vércia, também me conheceu em um outro planeta e, sem fornecer maiores detalhes, disse que as experiências do passado somente deveriam ser relembradas se tivessem um propósito útil e pudessem contribuir para o aperfeiçoamento pessoal ou para evitar repetições de erros.

Depois de dizer que o dia seguinte seria muito movimentado e que já era hora de repousar, perguntou se eu gostaria que ela aproveitasse o restante de suas férias para nos acompanhar nos passeios e visitas. Respondi afirmativamente e, brincando, disse que ficaria endividado com mais uma pessoa e não saberia como pagar a todos. Ela sorriu e falou que os resultados do trabalho seriam suficientes para saldar as dívidas e ainda me sobraria bastante.

OS LEVANTAMENTOS BÁSICOS

Os três primeiros dias de levantamentos

Acordei mais tarde que o costume arretiano e Syndi não estava em sua cama e nem no banheiro. Ao chegar à sala, todos me esperavam para a refeição matinal e quando terminamos fomos para a sala de música. Salino detalhou o planejamento dos passeios e visitas previstos para as próximas três semanas e depois, Tentra falou que, a exemplo de Syndi, Vércia também nos acompanharia na maior parte daquela programação. Em seguida saímos com o Canarinho para iniciar a primeira fase dos levantamentos sobre a atualidade arretiana.

Visitamos quatro escolas onde ministravam cursos de informação para alunos de 7 a 14 anos, também franqueados a pessoas mais velhas que por eles se interessassem, ou por algumas de suas matérias. Mesmo sendo um levantamento superficial, as visitas duraram o dia inteiro, pois estava muito curioso com tudo que via, além de conversar bastante com alunos e professores. Conheci o tipo de escola com a qual sonhei desde a minha infância e, apesar de satisfeito com as informações obtidas, estava ansioso pela visita da manhã seguinte ao CET, o Centro de Estudos Tecnológicos, onde realizavam pesquisas de ponta e ministravam cursos de alta especialização.

Chegamos em casa ao entardecer, após um vôo panorâmico sobre Agartha, que era muito bonita, colorida e arborizada. Tentra perguntou se eu gostaria de conhecer um dos teatros que sobrevoamos e respondi que queria ir a um que ficava na zona central. Ela informou que Vércia e Syndi me acompanhariam, pois iria visitar alguns amigos, juntamente com Salino. Através do equipamento de áudio e vídeo, Vércia verificou que o teatro estava apresentando um espetáculo musical.

Tentra e Salino foram preparar a refeição e nós fomos conversar na varanda. Havia um grupo de músicos no canteiro central da avenida, quase em frente à nossa casa. Como fiquei curioso, as duas me levaram até o local onde umas trinta crianças, de sete a dez anos, davam um verdadeiro concerto para uma platéia composta por várias dezenas de adultos, jovens e outras crianças das proximidades.

O grupo executava peças belíssimas com instrumentos parecidos com os nossos, como verdadeiros virtuoses, sem o comando de nenhum maestro e sem partituras. Minhas amigas disseram que aquele tipo de apresentação era muito comum no planeta e que o espetáculo que iríamos assistir, era produzido e executado por grandes músicos, alguns dos quais foram mestres em planetas como a Terra. Após o jantar, Tentra e Salino saíram e nós fomos ao teatro utilizando a cabine de teletransporte.

Entramos sem nada pagar, como era o costume, e logo um cidadão de Agartha foi anunciado para fazer uma preleção sobre a meditação. Ele desenvolveu seu tema com tal brilhantismo que, durante uns vinte minutos que falou, foi ouvido com o máximo de concentração e interesse. No final, todos se levantaram e fizeram reverência com as mãos juntas, encostadas no peito. Logo o ambiente foi tomado por um suave perfume durante alguns minutos. Assim que o palestrante se acomodou na platéia, uns cem músicos se posicionaram e começaram a tocar.

O solista sentou-se diante de um grande piano de caudas, posicionado em primeiro plano e em nível mais baixo que as quatro fileiras de músicos em forma de semicírculo, cada uma mais elevada que a outra. Não havia maestro, nem partituras e os instrumentos eram parecidos com os de nossas orquestras sinfônicas. As músicas eram maravilhosas, semelhantes às nossas sinfonias clássicas. O som parecia vir de todos os lados, como se estivéssemos no centro da orquestra.

A apresentação terminou às dez horas, depois de executarem várias peças, com pequenos intervalos entre algumas delas. Quando entramos em casa, ouvimos dois bips e Vércia nos levou até a sala de música, pois havia recado no equipamento de áudio e vídeo. Após um comando de voz apareceu a imagem de Tentra fornecendo informações sobre as visitas do dia seguinte. Tomamos um suco de frutas, conversamos mais um pouco e também fomos dormir.

Durante o descanso matinal Salino informou que o CET estava localizado a uns 10 mil quilômetros de Agartha, que era freqüentado por alunos de todo o planeta e que lá se reuniam grandes inteligências científicas atuando como pesquisadores e professores. Além de ser uma escola de formação avançada, o local também centralizava todas as pesquisas realizadas em Arret, desde os mais simples, até sofisticados projetos de naves intergalácticas. Enquanto ele falava pensei no tempo de viagem para chegar até lá. Imediatamente ele disse que, no Canarinho, que era um veículo lento, a viagem duraria uns dez minutos. Porém, iríamos sair com uma hora de folga, para que eu pudesse ter uma visão geral de dois continentes e de algumas ilhas.

Assim que embarcamos, a pequena nave subiu uns cinco mil metros e começou a se deslocar sobre a ilha de Agartha. Depois, subiu mais um pouco e acelerou sobre um grande oceano. Sua visão ficou desfocada, tamanha a velocidade, próxima de 60 mil quilômetros por hora. Sem que fosse sentida a aceleração ou desaceleração, o Canarinho transitava lentamente sobre os lugares que Salino queria me mostrar. Sobrevoamos o CET lentamente e pousamos em um local onde Sulio, o reitor, e três de seus colaboradores nos aguardavam.

Ele nos levou à sua sala e fez uma exposição geral das áreas de ensino, pesquisa e desenvolvimento de projetos. O CET tinha o tamanho da cidade de Agartha e lá vivia, entre alunos, pesquisadores e professores, uma população fixa de 80 a 100 mil pessoas. Outro tanto formava uma população flutuante de alunos que residiam em diversos locais do planeta. O local tinha muitos prédios de diversos formatos, com até três andares. Ao final, pediu para Walber, o coordenador da área de pesquisas, que nos acompanhasse durante a visita. Conheci sofisticados laboratórios de ensino e áreas de avaliação e de desenvolvimento de projetos, onde conversamos bastante com professores e alunos.

Eles conheciam minhas deficiências técnicas e usavam uma linguagem bastante acessível. Walber, um dos cientistas mais respeitados de Arret, captava meus embaraços e me socorria fazendo comparações com termos ou coisas corriqueiras na Terra, que ele conhecia muito bem. Tinha informações sobre pesquisas e avanços tecnológicos ainda desconhecidos do grande público. Segundo ele, eram avanços em estágios iniciais, ainda sujeitos a aperfeiçoamentos. Almoçamos no local e depois responderam a algumas perguntas que ainda lhes fiz.

Na viagem de volta, Tentra lembrou que passaríamos o restante da tarde no balneário público de Agartha e, à noite, iríamos jantar na casa de Antak. Logo começamos a sobrevoar o local e, após as explicações de Salino sobre os equipamentos lá existentes, pousamos em um amplo estacionamento. O balneário localizava-se em uma área ligeiramente acidentada da periferia e era dividido por um rio, no qual desaguavam três riachos que desciam das serras limítrofes, formando diversas cachoeiras e piscinas naturais de diversos tamanhos. Com uma área de uns seis quilômetros quadrados, era um maravilhoso centro de esportes e lazer, com vários equipamentos naturais e artificiais.

Entre as variadas modalidades esportivas, predominavam as aquáticas, como a natação, o mergulho, a canoagem e um tipo de “jet-ski”, que tanto se deslocava na superfície como sob a água. Também havia outras atividades de lazer, como fliperamas, caminhadas, cama elástica, gangorras e balanços. Tal como já soubera durante as aulas na SOL-4, não praticavam o futebol e outros esportes de natureza competitiva. O local era freqüentado por milhares de pessoas e tivemos a oportunidade de conversar com vária delas, todas muito amistosas e felizes.

Ao entardecer rumamos para a casa de Antak e Tali. Era um pouco menor que a nossa, com um quarto a menos, pois seus filhos eram casados e viviam em outros continentes. Otento e Sathya chegaram e começamos a conversar sobre tudo que aconteceu desde o desembarque. Após o jantar, Tali nos convidou para assistir a um documentário sobre a grande transição ocorrida há sete séculos. Adorei o convite, pois além de conhecer um cinema, iria ter uma noção dos prováveis acontecimentos previstos para o nosso planeta.

Chegamos a tempo de ouvir a costumeira preleção antes de qualquer espetáculo. Os arretianos freqüentam esses lugares, mais para confraternizar e ouvir a preleção, do que para assistir ao filme, pois podem vê-lo em suas casas, em qualquer dia ou horário, na íntegra ou resumidamente. Logo ouvimos o anúncio da palestrante e do tema da noite: A Justiça Divina. A oradora, muito conceituada entre os arretianos, era Talita, a Ministra da Educação. Durante a quase meia hora que falou, a platéia permaneceu em profundo silêncio, como se todos estivessem vendo as imagens daquilo que ela dizia. Ao concluir, fizeram a costumeira reverência e Talita se acomodou na platéia. Naquele dia não ocorreu nenhum fenômeno sensível para mim.

A sala não ficava totalmente escura e as imagens, em três dimensões, surgiam em uma grande tela côncava com uns sete metros de altura e quase o triplo de comprimento. Não eram projetadas e pareciam vivas e reais. Era possível sentir os odores, o frio ou calor, transmitindo uma assustadora idéia de realidade, especialmente pelo tema do documentário. As imagens eram muito fortes e, se tudo aquilo ocorresse na Terra, as previsões apocalípticas iriam se realizar completamente.  

Quando chegamos, Tentra disse que poderíamos dormir até um pouco mais tarde, pois iríamos sair às nove horas para visitar um parque público de Agartha. Já em nossas camas, conversei com Syndi sobre o filme que muito me impressionou. Depois, pedi para ela falar sobre sua “alma gêmea” que vivia na Terra e sobre Olintho, o provável personagem central da profecia do “Homem do Cavalo Branco”.

Ela disse que não se tratava de sua “alma gêmea” e sim um amigo de grande afinidade. Afirmou que esse conceito exigia um nível evolutivo mais elevado que o deles e, sem fornecer maiores detalhes, falou que a verdadeira alma gêmea era a contraparte divina que morava em nossos corações. Disse que passou as duas últimas vidas como sua esposa e que a decisão de não se casar, não foi tomada em função dele estar vivendo na Terra, mas pela necessidade que todo espírito tem de passar por determinadas experiências em algumas de suas vidas, sem a companhia de um parceiro solidário.

Falou que, nas duas ocasiões que formaram um casal, se ajudaram na conquista de objetivos comuns e, como Tentra e Salino, tiveram a mesma profissão. Informou que, em vidas anteriores, também foi esposa de Salino, que Tentra foi sua irmã e Vércia, sua mãe. Essa era a principal razão da grande afinidade e união que existia entre eles. Depois falou sobre Olintho, enfocando o seu caráter impoluto e sua maneira de agir rígida e justa em momentos críticos, ou extremamente amável e paternal em outros. Disse que, de acordo com os níveis da hierarquia divina mais comumente aceitos na Terra, Olintho era um ser Arcangélico e, como tal, dotado de muitos poderes.

Informou que sua linha evolutiva estava centrada no aspecto “Justiça” da divindade, o qual conhecia profundamente e era intransigente defensor e aplicador. Segundo ela, se o Pai Celestial colocasse Olintho na presidência do Brasil, ele mudaria muitas coisas. Seu governo seria voltado para os interesses legítimos e para o progresso do povo como um todo, buscando reduzir as desigualdades sociais.

Depois, perguntou sobre o que mais eu gostaria de conversar. Eu falei que havia um assunto que não constava do planejamento apresentado por Salino e que também não sabia se seria tratado posteriormente ou se deveria ou não fazer parte do livro. Antes de outras informações, ela disse que captou o assunto e que poderia falar um pouco a respeito. Esclareceu que era um tema muito complexo e que necessitaria de muitas horas para expor uma idéia acessível à mente terrestre, constituída segundo outro modo de pensar, de sentir e de agir.

Depois, falou por mais de meia hora sobre o relacionamento amoroso, quando tirou várias dúvidas em relação à aula na SOL-4 e me deixou com outras, como ela previu. Opinou que o tema deveria ser tratado no livro, pela sua importância para a mente terrestre e prometeu fornecer mais detalhes em outras conversas, pois era um assunto natural para os arretianos, à medida que fazia parte da criação divina, como elo de união entre dois seres, meio de reprodução e de evolução da humanidade.

Naquela manhã iríamos conhecer outro local de lazer, denominado como Parque do Encontro. Antes de continuar, vale ressaltar que os arretianos nomeavam quase tudo que os serviam ou utilizavam. Os nomes eram sempre associados a seres, coisas conhecidas, objetivos ou forma de utilização. Aquele parque era um local de encontros e lá as pessoas passeavam, descansavam e, principalmente, conversavam. Com uma área superior a oito quilômetros quadrados, era maior que o balneário visitado no dia anterior. Tinha alguns lagos e uma infinidade de trilhas e recantos para descanso, em meio a uma abundante vegetação. Em vários pontos estratégicos, existiam construções térreas com salas de música e de reuniões para grupos de 6 a 48 pessoas, além de auditórios com 100 a 150 poltronas.

Neles sempre havia alguém falando sobre aspectos da Lei Divina para uma platéia muito atenta. As palestras duravam uns quinze minutos e o orador, após concluir seu tema abria espaço para discussões, o que motivava novas palestras, pois alguém sempre apresentava um outro enfoque sobre o assunto anterior ou desenvolvia um novo tema. O objetivo do parque não era “andar para conhecer” e sim “parar para meditar, conversar e incrementar os relacionamentos”. Havia dúzias de grupos em animadas conversas e também pessoas solitárias e casais em meditação. Além de conhecer boa parte daquele local, conversamos bastante com vários amigos dos meus anfitriões.

Já em casa, falamos sobre a visita da tarde a uma cidade em construção, batizada como Lírio do Vale e planejada para abrigar 12 mil habitantes dedicados à agricultura. Quando Tentra foi preparar a refeição, Syndi disse que ela e Vércia iriam almoçar em sua casa, pois seus pais tinham retornado de viagem e elas não nos acompanhariam no programa da tarde, pois iriam visitar duas amigas que encontraram no parque.

Quando chegamos, Salino sobrevoou o local, forneceu algumas explicações e pousou ao lado de uma das duas naves idênticas à SOL-4. Elas serviam de apoio ao pessoal do canteiro de obras e eram utilizadas como escritório, restaurante e residência de boa parte deles. Fomos recebidos por Kalleb e sua esposa Shamma, o casal responsável pela execução do projeto. Eles nos levaram ao interior da nave e fizeram uma exposição do projeto, utilizando sofisticados recursos de holografia. Fiquei surpreso ao saber que, apesar de pouco mais da metade do cronograma estar concluído, em menos de 150 dias a cidade estaria em condições de receber seus moradores.

Acompanhamos a montagem de algumas casas, seu ajardinamento, a construção de piscinas e vários outros detalhes. Conversei com muitos “operários” e constatei que, além de cultos, estavam satisfeitos com o trabalho que realizavam. Tinham variados níveis de especialização e muitos executaram funções “mais nobres” nos anos anteriores. Alguns foram professores em centros de ensino, como o CET e, naquele momento, por decisão pessoal, trabalhavam como “operários da construção civil”. 

Os serviços pesados eram executados por naves especiais que substituíam, com grandes vantagens, os nossos tratores, guindastes e outras máquinas. Os homens e mulheres que lá trabalhavam, a maioria casais, executavam diversos trabalhos, desde a operação das máquinas, até detalhes de acabamento das edificações, incluindo sua decoração. Alguns robôs os auxiliavam e tudo era muito bem feito e rápido.

Apesar de estarem construindo uma cidade, eles encaravam aquele trabalho como uma grande diversão, pois parecia que estavam montando um acampamento de fim-de-semana. Nossa visita acabou se prolongando até o início da noite, pois ficamos com Kalleb, Shamma e um grupo de “operários” tomando banho de piscina e conversando sobre detalhes da nova cidade e da vida deles. Jantamos no local e depois voltamos para casa.

Vércia nos aguardava com um convite para uma peça teatral humorística. Syndi passaria a noite com seus pais e voltaria para a refeição da manhã. Chegamos ao teatro quando o orador da noite estava sendo anunciado e seu tema era a felicidade, em sincronia com a peça a ser apresentada, cujo enredo era simples e hilariante. Envolvia uma família de quatro membros e um robô que executava alguns serviços domésticos e cuidava de duas crianças. Ele tinha um defeito que interferia na sua programação e causava inúmeras confusões. Em duas ocasiões os atores paralisaram a cena até que a platéia parasse de rir. As situações não eram tão engraçadas, mas os arretianos riam por qualquer coisa. Muitos riam das gargalhados dos outros.

Naquela noite senti como os arretianos eram um povo leve e feliz, parecendo as nossas crianças que morrem de rir com as brincadeiras e trapalhadas dos palhaços circenses. Voltamos para casa e logo fomos dormir, pois segundo Tentra, o dia seguinte seria bastante movimentado. Iríamos conhecer uma cidade em início de obras e outra que já estava quase pronta para ser habitada. 

Assim que deitei, comecei a pensar em tudo que aconteceu desde o encontro com Oatas e cheguei até a imagem que Antak me mostrou na SOL-4, quando visualizei meu corpo original e o de minha esposa dormindo. A imagem me levou a pensar e a sentir saudades da minha família e, como não havia possibilidade de contato, uma sensação estranha que misturava solidão, medo e separação começou a tomar conta de mim. Eu me via sozinho naquele quarto, em um outro planeta, a centenas de anos luz da Terra e parecia que tinha morrido e não iria mais retornar ao meu corpo original e aos meus familiares.

Nos meus vinte e seis anos de casado, dormi poucas noites fora de casa e nunca fiquei sem contato telefônico com minha família, ou sem saber como contatá-la ou vê-la novamente. Pensei nas várias situações que acometem os espíritos após a morte e me enquadrei em algumas delas. Depois, passei a avaliar friamente a situação em que me encontrava, concluindo que estava vivo e que meus familiares continuavam dormindo na mesma noite em que tudo começou. Entendi também os motivos de Tentra ao colocar Syndi naquele quarto e que tudo fazia parte do plano que estabeleceram para evitar situações como aquela e facilitar minha estada no planeta. Logo depois adormeci.

Visitas a cidades em construção

De manhã, não fizeram nenhuma pergunta sobre minhas sensações e logo que Syndi chegou nos alimentamos e partimos para visitar a primeira cidade, cujas obras estavam começando. Batizada como Baía Azul, ela estava sendo construída em uma planície próxima ao litoral do continente polar norte. Era uma cidade industrial para 12 mil habitantes, destinada à produção de materiais de limpeza e artigos de higiene pessoal. Ao chegar constatamos que lá também havia duas naves de apoio.

Fomos recebidos pela responsável, uma bonita mulher chamada Devaína, e por dois casais que a auxiliavam na tarefa que tinha pela frente. Assistimos à costumeira apresentação do projeto e, como Devaína sabia da nossa visita anterior, detalhou apenas as áreas industriais e de lazer, pois as demais eram semelhantes. Depois, fomos ver os trabalhos de abertura de ruas e avenidas, de demarcação de residências e outros em execução.

Visitamos as áreas industriais e acompanhamos diversos trabalhos realizados por equipamentos e máquinas especiais. Uma delas executava as operações de um possante trator de esteiras e de um transportador de terras, trabalhando em silêncio quase total. Como no canteiro de obras anterior, tudo ali era silencioso demais para uma cidade em construção.

Antes do almoço, Devaína providenciou trajes de banho e nos levou a uma praia localizada a poucos quilômetros do centro da futura cidade, onde seria construída uma das suas áreas de lazer. Notei que todos usavam trajes de banho, ao contrário do costume arretiano. Explicaram que, nos locais povoados por seres aquáticos, ou onde existiam pedras ou corais, utilizavam roupas apropriadas à proteção do corpo. Nos divertimos bastante, almoçamos no restaurante de uma das naves e, após conversar com Devaína e um grupo de “operários e operárias”, partimos para a próxima visita.

Em poucos minutos estávamos sobrevoando Palmeiras do Vale, localizada em um dos continentes equatoriais. Era uma cidade agrícola para 12 mil habitantes que estava totalmente construída e ainda deserta. Após a apresentação, fomos visitar os principais locais daquela cidade que “cheirava a tinta fresca”. Foi bastante curioso e estranho ver as casas sem moradores e os supermercados, teatros, cinemas, parques e outros equipamentos sem funcionários ou usuários.

Também não havia seguranças ou vigilantes em nenhum local. Apenas alguns especialistas testavam o funcionamento dos equipamentos ou retocavam detalhes de acabamento. Matik e sua esposa Odina, os responsáveis pela construção da cidade, informaram que lá havia menos de cem pessoas trabalhando e que tudo seria concluído naquele final de semana. Na segunda-feira chegariam os novos moradores, oriundos de todos os continentes do planeta. No final da tarde, voltamos ao escritório de Matik e Odina para tomar suco de frutas e conversar com aquele simpático casal.

Matik revelou que viveu na Terra em um dos países da Atlântida, no tempo de Antúlio, de quem foi contemporâneo e colaborador. Ele admirava o trabalho de Jesus e o respeitava como a Ahelohim, o messias arretiano. Odina esteve na Terra na última passagem de Jesus e conviveu bastante com Ele. Contou fatos de sua vida que eu conhecia e várias coisas inéditas. Jantamos com eles e prosseguimos a conversa até por volta das nove e meia, quando retornamos para casa.

Conforme Tentra previu, o dia foi bastante movimentado, mas muito agradável, especialmente pela conversa com Matik e Odina. O dia seguinte também prometia, pois iríamos realizar visitas a algumas áreas agrícolas e cumprir a programação da semana. Enquanto me transmitiam alguns detalhes sobre as visitas, Syndi foi para o quarto, pois parecia muito cansada. Logo nos recolhemos e fiquei aguardando a liberação do banheiro. Ao terminar o seu longo banho, disse que estava revigorada.

Quando me acomodei na cama, ela interrompeu sua autocrítica e perguntou por que eu senti solidão e medo na noite anterior. Enquanto ela me observava atentamente, relatei as sensações que tive e as conclusões que cheguei. No final, ela disse que não se ausentaria mais até o dia da minha partida, pois não queria que eu voltasse a ter aquele tipo de experiência que prejudicava o ajuste do meu espírito ao corpo mais sutil que estava utilizando. Disse que utilizou muita energia para neutralizar o efeito negativo daquela experiência e por isso ficou cansada.

Visitas a áreas agrícolas

Quando acordei, Syndi estava em pé me observando e, como não era a primeira vez que isso acontecia, concluí que sua sugestão mental me despertava, o que foi logo confirmado por ela, além de dizer que havia uma surpresa me aguardando. Ao chegar à sala, encontrei um casal que logo identifiquei como sendo seus pais, pois ela era muito parecida com a mãe.

Seu pai veio ao meu encontro, se apresentou como Ashton e me deu um forte abraço. Falou que conhecia o objetivo do meu trabalho e, como não tinha condições de me ajudar, estava feliz em saber que sua filha estava fazendo as vezes dele e de sua esposa Mani, de quem recebi um caloroso abraço e ouvi palavras de incentivo. Continuamos a conversa após a refeição, até pouco antes da oito horas, quando me despedi com a promessa de jantar e dormir na casa deles naquela noite.

Chegamos rapidamente ao local da primeira visita e elas estavam sendo possíveis naquele sábado porque trabalhavam na colheita de alimentos destinados a um planeta que acabara de passar pela sua grande transição. Além dessas ocasiões, ninguém trabalhava aos sábados e domingos, exceto em atividades essenciais, como em hospitais e locais de lazer. Lá havia construções menores e grandes galpões destinados a garagens de máquinas e equipamentos, restaurantes e armazéns para embalagem e conservação dos produtos colhidos.

Descemos no meio de um grande pomar dividido em quadras com uns 120 metros de lado, parecendo uma pequena floresta, dadas as variedades que eram plantadas misturadas e não em áreas específicas para cada tipo. Fomos recebidos por um grupo de pessoas, entre as quais Vércia e Syndi eram muito populares, em razão do trabalho delas no Ministério dos Transportes e Distribuição. Todos tinham, no mínimo, formação equivalente à de nossos engenheiros agrônomos e muitos eram especialistas em engenharia genética ou em outras qualificações avançadas.

Andamos pelo meio de algumas quadras com árvores e arbustos viçosos e sadios, pois em Arret não havia mais as pragas comuns nas lavouras terrestres. Não utilizavam adubação mineral e raramente recorriam a compostos produzidos a partir do lixo coletado. Eles eram somente utilizados em áreas de baixa fertilidade, como aquelas ainda encontradas nos locais onde existiam grandes centros urbanos na época da grande transição.

Fiquei impressionado com o tratamento carinhoso que dispensavam às plantas, além de falar com elas como se fossem humanas. A técnica de plantio utilizada naquele pomar e nos demais, misturando árvores de espécies diferentes, assemelhava-se ao nosso conceito de permacultura e agrofloresta. Foi lá que tive o primeiro contato com animais domésticos, parecidos com algumas raças de cachorros e gatos terrestres. Eram dóceis, obedientes e tidos como animais de estimação e não como de guarda ou caça. 

Levantamos vôo para visitar um local onde cultivavam verduras e legumes. Apesar de ser uma horta, tinha arborização para quebrar o vento e propiciar períodos de sombra sobre os canteiros. Eles tinham a altura de um metro, facilitando os trabalhos de plantio, manutenção e colheita, além de permitir a aeração e uma perfeita regulagem de umidade. Havia variedades hidropônicas e muita semelhança com as nossas verduras e legumes. A operação requereria alta intervenção humana e algumas máquinas e ferramentas agilizavam os trabalhos. A irrigação era controlada por sensores instalados no interior dos canteiros, os quais controlavam a abertura dos registros e o volume de água necessária para cada tipo de hortaliça. 

Apesar do alto nível da tecnologia arretiana, o tempo para desenvolvimento e colheita de cada espécie que eu conhecia, era muito próximo do ciclo terrestre. Quando perguntei a respeito, responderam que nunca mudavam o ciclo natural, pois perderiam em termos de sabor e de propriedades nutritivas. Almoçamos no local e aproveitamos para conversar mais um pouco com aqueles simpáticos “trabalhadores rurais”.

Novamente entramos no Canarinho para visitar uma área onde cultivavam quatro tipos de cereais, semelhantes ao milho, cevada, trigo e gergelim. As atividades eram mecanizadas e apoiadas por naves especiais que desempenhavam funções de tratores e colheitadeiras com grande capacidade de carga. Acompanhamos a colheita de milho realizada por uma nave que retirava a planta do solo, separava as espigas, debulhava, peneirava, classificava e armazenava o cereal em seu interior.

Os resíduos eram triturados e devolvidos ao solo, formando uma cobertura uniforme que se transformava em adubo orgânico. Assim que completava a carga, se deslocava para entregar o milho em um local a uns duzentos quilômetros dali. Syndi e eu acompanhamos a operadora numa dessas viagens e retornamos em menos de 15 minutos. Nossa visita foi muito rápida, pois Salino ainda queria nos levar a dois outros locais.

Fomos a uma plantação de uvas do tipo rubi sem sementes e de paladar mais suave e adocicado. Havia muitas pessoas envolvidas na colheita, auxiliadas por ferramentas e carrinhos flutuantes. Quando carregados, eles se dirigiam a um galpão, onde outras pessoas lavavam, classificavam, embalavam e armazenavam as uvas em equipamentos de conservação. Como no pomar e na horta, as pessoas adoravam seu trabalho e tratavam as plantas com carinho. Entendiam que eram seres vivos em evolução, como me explicaram em diversas ocasiões.

Em seguida, fomos conhecer um apiário com abelhas do tipo Europa, maiores que suas similares terrestres, muito mansas e sem ferrão. Ele estava situado em uma região com muitos pomares e, com isso, obtinham uma produção de mel do tipo silvestre, menos adocicado e mais energético que o nosso, com um teor de geléia real três vezes maior. O contato com as abelhas era feito sem equipamentos de proteção e elas pareciam entender o momento da colheita.

Os favos eram retirados sem necessidade de fumaça e sempre deixavam alguns para manter a colméia alimentada e saudável. Ao retirar o favo, o apicultor o balançava suavemente e as abelhas se retiravam. Havia milhares de colméias sob as árvores, abrigadas em casinhas caprichosamente construídas. Como nos apiários terrestres, aproveitavam os subprodutos, como própolis, geléia real e pólen.

Retornamos para Agartha no final da tarde, sobrevoando várias áreas agrícolas existentes no caminho. Syndi lembrou da promessa que fiz aos seus pais e, assim que chegamos, peguei uma muda de roupa e fomos à sua casa, bem perto dali. Ashton e Mani me receberam como um velho conhecido e me deixaram completamente à vontade. Depois do banho, conversamos sobre a situação atual da Terra até a hora do jantar. O casal tinha um bom conhecimento sobre tudo que aconteceu em nosso planeta nos últimos cem anos, principalmente no Brasil. Também falamos a respeito de Olintho e sobre a grande transição terrestre, sem obter nenhuma informação relevante.

Após o jantar continuamos a conversa até que Syndi me convidou para conhecer um mirante na periferia de Agartha, onde poderíamos apreciar a três “luas” e conversar até um pouco mais tarde. O local era amplo e todo gramado, com caminhos de pedras, bancos ao ar livre e quiosques fechados com paredes de vidro. Neles havia poltronas flutuantes, como as da Sala do Horto, as quais oferecia um grande conforto para se apreciar a paisagem sem os inconvenientes do sereno.

Deixamos o Borboleta, o veículo de Syndi estacionado ao lado de vários outros e observamos muitas pessoas andando pelo local, ou sentadas nos bancos ou nos quiosques. Ocupamos um deles e regulamos a poltrona para permitir a observação das três luas que iluminavam a noite de Agartha. Conversamos sobre os acontecimentos da semana, quando Syndi me esclareceu várias dúvidas e acrescentou informações relevantes que não captei ou entendi corretamente. Depois, conforme prometeu anteriormente, voltou a falar sobre o relacionamento amoroso.

Novamente frisou que era um tema muito complexo e que ainda teríamos outras conversas a respeito. Alertou que não iria aprofundar o assunto enquanto eu não entendesse o conceito básico transmitido por Tentra na SOL-4. Fiquei ouvindo suas explicações até por volta das onze horas, quando voltamos para casa e fomos dormir. Vários pontos foram esclarecidos, mas o processo do entrelaçamento energético ainda continuava sendo um mistério para mim. No final, Syndi disse que iríamos continuar o assunto durante o período de sono, pois isso facilitaria a eliminação de bloqueios e o entendimento das conversas futuras.

Aquele foi o meu primeiro domingo no planeta e antes de sairmos para a refeição da manhã na casa de Tentra, Ashton e Mani me fizeram prometer que voltaria outras vezes. Quando lá chegamos, encontramos Antak, Tali, Otento e Sathya que nos convidaram para um piquenique em uma floresta semelhante à Amazônica. Após a refeição, enquanto os demais arrumavam a casa e as nossas bagagens, Antak e Otento me informavam a respeito das belezas daquele lugar. Fomos em dois veículos e logo começamos a sobrevoar a grande floresta. Pousamos em uma larga praia que margeava um caudaloso rio, onde desaguavam alguns córregos que desciam das montanhas e formavam piscinas e cachoeiras de vários tipos e alturas.

Alguns animais “selvagens” se aproximaram e vários pássaros pousaram nos braços e nas mãos dos meus amigos e amigas, assim que eram chamados. Fiquei encantado com aquela cena e logo começaram também a me atender. Brincamos com vários animais e pássaros durante uma meia hora e notei que não fizeram qualquer “sujeira” em nós, nos carros ou no local onde estávamos. Depois montamos o acampamento, colocamos trajes de mergulho e Salino explicou como utilizar o escafandro. Ele era composto por um respirador de boca ligado a um pequeno e leve aparelho colocado nas costas, o qual retirava da água o ar necessário e permitia várias regulagens do teor de oxigênio.

Mergulhamos naquele rio de águas claras, povoado por peixes semelhantes aos da Terra. Nadamos rio acima, emergindo nas proximidades de ilhas ou de riachos que nele desaguavam. Descansamos e tomamos banho em uma cachoeira que formava uma grande piscina na sua foz. Retornamos ao acampamento para almoçar e contamos com a participação de diversos animais e pássaros que aguardavam, educadamente, esperando por algum alimento que lhes fosse oferecido.

Na parte da tarde mergulhamos rio abaixo e ficamos um bom tempo tomando água de coco em uma de suas ilhas, conversando sobre aquela região, seus animais e outros aspectos. A floresta era imensa e fazia parte do maior parque de preservação que existia em Arret, cuja área era quase do tamanho do Brasil. Retornamos para a casa de Tentra no início da noite, onde jantamos e conversamos até por volta da das dez horas, quando nossos demais amigos voltaram para suas casas.

As reuniões ministeriais da segunda semana

Logo que Syndi me acordou com sua sugestão mental, lembrou que na semana seguinte retornaria ao trabalho e perguntou se eu gostaria que ela conseguisse uma licença até o final da minha estada em Arret. Respondi afirmativamente e ela disse que iria aproveitar o tempo da nossa reunião com o Ministro da Agricultura para conversar com seu “chefe” Delphis, o Ministro dos Transportes e Distribuição.

Perguntei se haveria algum problema e ela disse que não, por três razões básicas: tinha muitas horas extras acumuladas, seu substituto não se oporia e nem o seu “chefe”, pois uma das coisas que dava prazer a um arretiano era saber que estava ajudando ou tornando alguém mais feliz. Após a refeição, conversamos sobre as reuniões no Palácio da Harmonia e sobre a nova visita ao CET, na parte da tarde.

Pouco antes da oito horas estávamos na recepção do Ministério da Educação, juntamente com os demais amigos da SOL-4. Talita veio nos receber e nos levou até sua sala. Dizendo que estava informada sobre nossas visitas, realizou uma apresentação geral de sua pasta, enfocando o lado filosófico. Suas palavras e as imagens projetadas reforçaram tudo que conheci durante os levantamentos. O terço final da reunião foi reservado para responder várias perguntas que fiz.

Em seguida, fomos para o gabinete de Vhega, a Ministra do Lazer, uma simpática senhora de 91 anos, onde tivemos uma reunião semelhante à anterior. Além de administrar parques, balneários e prestar diversos serviços à população nas áreas de esporte, música, teatro e dança, seu ministério prestava outros em conjunto com o das comunicações. Mantinham uma completa videoteca, com filmes, documentários, espetáculos musicais e teatrais, inclusive, anteriores à época da grande transição. Havia muitos originários de outros planetas, incluindo a Terra.

Depois, fomos ao gabinete de Solânia, a Ministra da Habitação, uma senhora de 123 anos. Como suas colegas, enfatizou a filosofia habitacional e sua gratuidade à população, não entrando no mérito das técnicas de construção, as quais conheci durante as visitas aos canteiros de obra.

Enquanto Syndi falava com Delphis, tivemos a reunião com Mayer, o Ministro da Agricultura. Fiquei encantado com aquele senhor de quase 180 anos, com uns dois metros de altura e cabelos brancos sobre os ombros, cheio de vigor e entusiasmo ao falar da sua alegria em contribuir para a produção de uma boa alimentação para o povo arretiano. Orgulhava-se ao dizer que, durante os 80 anos do governo de Arcthuro, havia conseguido, com o apoio do povo, manter a tradição de mais de quatro séculos sem faltar um único tipo de alimento nos supermercados do planeta. De volta ao andar térreo, encontramos Syndi que nos informou sobre o sucesso de sua solicitação. Em seguida nos despedimos e cada grupo retornou para suas casas.

Visitas a centros avançados de estudos e pesquisas

Almoçamos e no início da tarde pousamos no CET, onde Sulio e Walber nos esperavam. Em uma sala de apresentações e discussões de projetos, nos informaram a respeito das principais pesquisas em andamento e enfatizaram a sua filosofia, sem entrar nos detalhes tecnológicos envolvidos. Depois, fomos conhecer alguns protótipos de máquinas, robôs e uma série de outras “invenções” e aperfeiçoamentos ainda não disponíveis para a população. Experimentamos fórmulas de sucos mais nutritivos e testamos novos detergentes.

Tentra e Salino também ficaram entusiasmados com as novidades. Os dois, mesmo exercendo uma profissão que utilizava tecnologia de ponta, não conheciam detalhes de alguns projetos. Tentra ficou muito interessada em um robô projetado para realizar trabalhos domésticos que iria entrar em linha de produção no ano seguinte, a um custo-hora mais baixo que uma cabine de teletransporte.

Além de suas atividades educacionais, de pesquisa e desenvolvimento, o CET centralizava e realizava testes finais em qualquer invenção ou aperfeiçoamento desenvolvido em outros centros regionais. Descrever as novidades, sem falar de outras coisas corriqueiras para os arretianos e inéditas na Terra, não teria sentido e, além de ser uma tarefa muito difícil, extrapolaria os objetivos deste livro. Porém, vale registrar aquilo que mais se esforçaram para que eu compreendesse: a filosofia da pesquisa.

Em Arret, nada era produzido com objetivo de lucro, poder ou competitividade. Por isso, a pesquisa não era secreta e não era um privilégio de cientistas, ou de seus laboratórios. Qualquer pessoa podia acessar e obter informações completas sobre os projetos em andamento no CET ou nos centros regionais. O acesso era realizado através dos equipamentos de áudio e vídeo residenciais e qualquer arretiano podia contribuir com sugestões, projetos completos ou simples opiniões, conforme o grau de interesse e de conhecimentos de cada um.

No caso do detergente que testamos, a fórmula final foi desenvolvida a partir de outras remetidas pelos centros regionais e sugestões da população. O CET avaliou as diversas fórmulas e desenvolveu uma síntese para atender à quase totalidade das sugestões apresentadas. Depois de ajustada e aprovada, o CET remetia a nova fórmula para as fábricas de todo o planeta e elas produziriam o novo detergente em substituição ao anterior, ou como outra alternativa de consumo.

Esse conceito básico era válido para qualquer projeto. Também era interessante o fato de nossos anfitriões não creditarem uma única invenção ou aperfeiçoamento aos centros de pesquisa, ao CET, ou a uma pessoa específica. Diziam que o mérito era do povo arretiano e que o CET apenas dava o polimento final às idéias e projetos criados coletivamente.

Assim que chegamos fomos para a piscina relaxar e, após o jantar, Syndi me convidou para outro passeio no mirante, pois as três luas, na fase cheia, deixavam a noite completamente clara. Aquela conjunção ocorria poucas vezes no ano e eles disseram que eu deveria aproveitar a ocasião. Salino, Tentra e Vércia foram visitar alguns amigos e nós utilizamos o Canarinho. Ocupamos o mesmo quiosque anterior e Syndi falou sobre cada uma das três luas, especialmente sobre a maior, com atmosfera respirável, vida vegetal e animal, onde mantinham laboratórios de pesquisa e centros de lazer. Também conversamos sobre a visita ao CET e sobre aquelas que iríamos realizar no dia seguinte a outros dois grandes centros de pesquisa.

Após a refeição matinal e o costumeiro bate-papo, saímos com destino ao CEPA – Centro de Estudos e Pesquisas Agrícolas, onde também ministravam cursos altamente especializados. O local era também uma cidade universitária do porte do CET, cercado por extensas plantações. Depois da apresentação geral, visitamos estufas e laboratórios de genética, onde modificavam as características de algumas espécies e suas variedades.

Alteravam a cor, o sabor, o formato, a composição e o teor de vitaminas, além de eliminar ou diminuir a quantidade de sementes. Também criavam outras espécies ou variedades, a partir da combinação de duas ou mais delas Como nos demais lugares de cultivo já visitados, também não utilizavam adubos minerais, herbicidas e pesticidas.

Quando perguntei a respeito dos pesticidas, disseram que foram abolidos desde a grande transição, em razão da extinção de “pragas”, insetos e outros transmissores de doenças vegetais. Informaram que também introduziram modificações genéticas nas plantas, tornando-as mais saudáveis e resistentes, principalmente naquelas utilizadas na alimentação humana. Informaram que elas estavam em constante desenvolvimento e contribuíam para a evolução humana e vice-versa, formando um ciclo de colaboração e de respeito mútuo, que as tornavam mais “felizes” e não suscetíveis às doenças.

A exemplo do CET, algumas espécies de frutas, verduras e legumes, com novo formato, cor ou sabor, também eram novidades para os meus amigos. Algumas já estavam sendo reproduzidas e logo suas sementes ou mudas seriam remetidas para plantio em todo o planeta. Outras ainda demorariam vários anos para atingir o mesmo estágio. Como no CET, os cientistas e técnicos que lá trabalhavam tinham, pelo menos, o doutorado em diversas áreas, além de cursos de aperfeiçoamento em planetas mais evoluídos. Almoçamos com nossos anfitriões e rumamos para outro grande centro de pesquisas.

O CEGEHU – Centro de Estudos da Genética Humana, era outra cidade universitária, onde estudantes de todo o planeta realizavam cursos de alta especialização. Ele, juntamente com o CET e o CEPA, eram tidos como os três centros de estudos e pesquisas mais importantes, onde se reuniam as melhores mentes científicas do planeta. Após as conversas preliminares e a apresentação do costumeiro audiovisual, fomos visitar os laboratórios de pesquisa.

Recebi uma aula de anatomia, comparando o corpo humano arretiano com o terrestre. Havia várias diferenças entre eles e lamentei não conhecer o assunto para poder melhor interpretá-las. O estômago, intestinos, fígado e rins eram menores no organismo arretiano e também havia diferenças com relação à estrutura dos pulmões, composição da saliva, do suco gástrico e de outros líquidos. Outra se referia ao peso dos dois corpos, de mesma estatura e porte. O arretiano tinha uma estrutura atômica mais leve, representando cerca de 80 por cento do nosso, o que modificava minhas previsões a respeito do peso dos amigos da SOL-4. As diferenças entre os dois cérebro foram difíceis de serem compreendidas e mais ainda de serem transmitidas.

Para facilitar a tarefa, vamos comparar dois microcomputadores que estavam ativos em 1999 para simular as diferenças apesar de que, atualmente, são equipamentos jurássicos e só encontrados em museus de informática, o mesmo acontecendo com seus sistemas operacionais.

A velocidade de processamento e a capacidade de memória do nosso cérebro equivalem à de um computador com processador 386 e 4 megas de memória. O arretiano equivale a um Pentium 300 com 128 megas. Além disso, o espírito, ou o “software”, que opera no cérebro arretiano‚ por ser mais evoluído, utiliza o ambiente Windows, enquanto o nosso opera em DOS puro. Na realidade, os dois cérebros eram equivalentes e a maior diferença estava no espírito que explorava melhor os recursos ainda latentes no nosso.

Aplicando o exemplo ao meu caso, parecia que meu espírito, equivalente a um sistema operacional DOS, estivesse utilizando um Pentium 200 de 64 megas. Eu aprendia rápido, tinha maior capacidade de entendimento, de memorização, de análise e de classificação. Porém, não utilizava todos os recursos daquele cérebro. Se isso fosse possível, demoraria meses ou anos para meu espírito se adaptar e explorar todo o potencial que tinha à disposição, especialmente, as capacidades telepáticas, lembranças de vidas passadas e outras coisas sutis.

Também mataram minha curiosidade quanto à produção dos corpos como aquele que estava utilizando. Mostraram alguns deles e explicaram sua finalidade. Eram clonados a partir do DNA do usuário, em cilindros de diversos tamanhos, conforme o porte que deveriam atingir. A maioria era destinada a jovens e, em alguns meses, podiam obter um corpo com o mesmo potencial daqueles gerados no ventre materno.

Os clones não eram produzidos para serem andróides. Eram destinados a pessoas que sofreram acidentes graves e precisavam permanecer na matéria para concluir a missão planejada para suas vidas. Como tinham o mesmo limite de vida do original, permitiam a conclusão do trabalho, livrando o usuário de sofrimentos, dificuldades ou impedimentos provocados por paralisias ou órgãos danificados.

Na volta, Salino disse que após o jantar iriam visitar seus pais com Tentra e Vércia, como faziam habitualmente. Voltando às suas brincadeiras, falou que, a menos que quiséssemos acompanhá-los, poderíamos ficar livres deles por umas três horas. Syndi retrucou dizendo que, já que ele queria se livrar de nós, iria me levar a algum lugar do planeta que eu desejasse conhecer.

Chegando em casa fomos para a piscina e, como sempre, nos divertimos e conversamos bastante com os vizinhos. Vários eram os convites para visitas em suas casas e Tentra sempre me desculpava, alegando a extensa programação a ser cumprida. O interessante era que eles a associavam com um trabalho “estressante, duro e cansativo”. Após o jantar, meus amigos utilizaram a cabine de teletransporte e nós saímos no Canarinho sem destino certo.

Syndi perguntou onde eu gostaria de ir e falei que queria acompanhar o “pôr-do-sol” na região do equador. Ela gostou da idéia e logo estávamos no local. A velocidade foi regulada para compensar a rotação do planeta e pudemos contemplar um magnífico espetáculo sobre dois oceanos, diversas ilhas e um continente. Aproveitamos para conversar sobre as visitas do dia, especialmente, ao CEGEHU e ela se esforçou para esclarecer várias dúvidas. Retornamos a Agartha em baixa velocidade, para observar a paisagem noturna de balneários, cidades, florestas e outros atrativos. Já em casa, conversamos um pouco com nossos amigos e logo fomos dormir.

Visitas a áreas industriais

Antes das oito da manhã estávamos sobrevoando uma cidade industrial responsável pela fabricação de equipamentos de áudio e vídeo, conhecidos como telões. Depois da apresentação geral, visitamos as linhas de montagem do modelo utilizado em salas de música e obtive informações curiosas a seu respeito, também válidas para os demais bens duráveis. O modelo atual não sofria alterações há cinqüenta anos e foi projetado para acompanhar o usuário durante toda a sua vida.

Se lançassem um modelo novo, criavam facilidades para que todos tivessem acesso a ele, como ocorreu da última vez, quando os modelos antigos foram substituídos em menos de três anos. Em Arret tudo era projetado e construído para durar e não dar trabalho. A manutenção preventiva era limitada a equipamentos com peças móveis, como extratores de sucos. A durabilidade decorria da qualidade dos materiais utilizados, do carinho e cuidado nas linhas de produção, além de um rígido controle de qualidade realizado por equipamentos altamente sofisticados.

Ainda de manhã, fomos conhecer uma industria de alimentos sintéticos que produzia algumas das cápsulas ingeridas durante as refeições, cujo processo produtivo era totalmente automatizado. As frutas eram selecionadas e lavadas antes de serem separadas em seus componentes básicos, como cascas, polpas ou sementes. Depois, passavam por um processo para extração dos respectivos sucos e, em seguida, por outro processo que extraia seus princípios ativos, como essências, vitaminas e proteínas, os quais eram transformados em pós ou grânulos.

Finalmente, eles eram acondicionados em cápsulas de diversas cores, segundo fórmulas específicas. Simplificando o processo, podemos dizer que, entrava a laranja e saía a vitamina C. As sobras, representadas por bagaços secos, eram embaladas em fardos e remetidas para as indústrias de rações ou de compostos orgânicos. Nada era perdido. O processo de secagem era realizado em equipamentos movidos por energia solar e por geradores especiais, sem poluição. Sobre essa questão ambiental, eu ainda não havia observado nenhuma fumaça nos locais visitados ou naqueles que existiam ao longo dos trajetos que realizamos. Almoçamos no local, conversamos com “operários” e fomos conhecer outra unidade industrial.

Era uma das visitas mais aguardadas, pois estava muito interessado em conhecer o processo de montagem, o modo de funcionamento e outros detalhes dos maravilhosos veículos do tipo 7, como o Canarinho. Além disso, os responsáveis pela montadora, Drash e sua esposa Ling, eram amigos de Salino e Tentra. Espirituosos e brincalhões como eles, transformaram nossa visita em um passeio muito interessante e descontraído.

Esses veículos eram projetados para operar dentro da atmosfera e seu princípio de sustentação era baseado na inversão da polaridade gravitacional. Como um helicóptero que pode ficar parado, subir ou descer, mediante mudanças no ângulo da sua hélice de sustentação, o controlador de polaridade podia anular, repelir ou atrair a gravidade. O princípio de deslocamento baseava-se na polaridade magnética do planeta.

Acompanhamos o processo de montagem e recebi uma aula completa sobre sua dirigibilidade que, como já havia observado, requeria pouca intervenção humana. Eram imunes a acidentes e tinham um campo de forças que funcionava como uma espécie de “air-bag” externo e invisível, podendo ser contraído ou expandido até três vezes o seu diâmetro. Além de impedir qualquer choque, funcionava como amortecedor nas subidas, descidas, acelerações ou desacelerações bruscas.

Esses veículos não tinham partes móveis, a não ser nas portas, bancos e em alguns outros detalhes. Seus dois “motores”, ou geradores de energia, funcionavam alternadamente e eliminavam qualquer possibilidade de pane. Utilizavam como combustível, além da energia solar, qualquer tipo de matéria. Consegui entender seu princípio de funcionamento, graças à definição de que “matéria é energia condensada”. Como seus “motores”, todos os controles eletrônicos e outros equipamentos básicos eram duplicados, o que eliminava qualquer risco de acidente ou de parada por defeito.

Foi outra tarde repleta de novidades, as quais me frustraram por não ter os conhecimentos necessários para as entender corretamente. Salino sempre me confortava dizendo que a tecnologia que utilizavam era de difícil entendimento para qualquer cientista da Terra, da mesma forma como seria para Galileu Galilei entender o funcionamento de uma simples lanterna de pilhas. Antes de voltar para Agartha, fomos para a casa de Drash e Ling, onde tomamos banho de piscina, jantamos e conversamos até perto das nove da noite, quando voltamos para casa, conversamos mais um pouco e fomos dormir.

Syndi posicionou sua cama em frente à minha e falou que queria conversar sobre minhas freqüentes auto-recriminações a respeito do meu fraco conhecimento científico. Assim que colocou a questão, eu disse que estava chateado por não conseguir entender o princípio de funcionamento da maioria das coisas vistas naquele dia e nos anteriores. Falei que estava preocupado com as dificuldades que teria para relatá-las, pois, se era difícil entender em Arret, como conseguiria escrever na Terra?

Ela ponderou que eu estava dando muita importância às questões tecnológicas, deixando de privilegiar os relacionamentos humanos envolvidos em cada lugar que visitamos ou que iríamos visitar. Disse que eu deveria apenas avaliar e entender os motivos da harmonia e da felicidade do seu povo. Enfatizou que os aspectos tecnológicos estavam sendo mostrados como pano de fundo para realçar o aspecto principal da questão e que, por mais que me esforçasse para transmitir uma idéia tecnológica sobre Arret, eu não só não conseguiria, como me desviaria do assunto principal e cometeria um erro que me levaria a ficar mais exposto e sujeito a críticas do que aquelas que teria de suportar.

Depois de analisar suas palavras, concordei com tudo e agradeci por ela estar ali e me lembrar de coisas tão importantes, além de aliviar o trabalho de Tentra, Salino e Vércia, os quais estavam cansados de ouvir e responder tantas perguntas que eu não parava de fazer. Syndi falou que, para ela, era um grande prazer poder me ajudar e tinha certeza que os demais pensavam da mesma maneira.

Ocupamos o período da manhã para visitar uma indústria de camas residenciais, onde conheci as linhas de montagem dos modelos de solteiro e de casal. Aproveitei para conversar bastante com os “operários” e para avaliar o grau de satisfação deles com o trabalho e com os demais aspectos da vida planetária. Os conselhos de Syndi me despertaram um maior interesse pelos relacionamentos pessoais, relegando os aspectos tecnológicos para um segundo plano. Também pelo fato de conhecer bastante aquele produto, a visita facilitou minha reentrada nos trilhos e o redirecionamento para o objetivo principal da minha estada em Arret. Como sempre acontecia nas visitas da manhã, almoçamos com o pessoal da fábrica e continuamos conversando com os anfitriões e “operários” durante o período de descanso.

Visita à CIA – Central de Informações de Arret

Depois, fomos para o escritório da CIA, localizado na periferia de Agartha. Aquela central atuava em duas frentes principais e a primeira dizia respeito a informações, livros, filmes, produções teatrais e documentários que seu computador central recebia dos mais diversos locais do planeta. Todos esses assuntos eram colocados à disposição da população em três níveis de detalhamento. No primeiro nível, o mais resumido, obtinha-se apenas o conhecimento básico do assunto. No intermediário era possível obter um razoável aprofundamento e, no terceiro, o assunto era apresentado na íntegra, como foi inicialmente gerado. A título de exemplo, no primeiro nível conhecia-se o assunto em um minuto, no segundo gastava-se dez e no terceiro, cem. Os três níveis permaneciam acessíveis ao grande público durante meses e, conforme o seu tipo, durante anos ou séculos.

Adotavam o mesmo procedimento para os livros, cuja variedade e quantidade de títulos era bem menor que a terrestre e limitada a temas filosóficos, técnicos, históricos, didáticos, artísticos e culturais, pois os arretianos não se interessavam por outros temas freqüentes na Terra. Como os demais assuntos, podiam ser acessados através dos telões residenciais, mas a população preferia lê-los em equipamentos portáteis semelhantes a um livro médio. Permitiam armazenar centenas de volumes, virar páginas, realizar pesquisas no texto ou nos demais volumes, selecionar partes significativas, alterar o original e muitas outras coisas. Era o único material que os estudantes levavam à escola.

A segunda frente enfocava as notícias e informações de interesse geral, ligadas às atividades gerais do governo central. Elas também seguiam os mesmos critérios de três níveis e de tempo de disponibilidade. Como estava curioso com relação aos documentários da fase de reconstrução do planeta, assisti a alguns resumos referentes aos primeiros anos daquele grande trabalho. Neles apareciam imagens de Olintho, o provável personagem central da profecia do “Homem do Cavalo Branco”.

O casamento arretiano e seu significado

Na volta para casa, Vércia e Syndi me convidaram para assistir ao casamento de uma amiga delas. Aceitei imediatamente e perguntei se havia necessidade de alguma roupa especial. Novamente riram e disseram que qualquer traje de passeio era apropriado para a ocasião. Tomamos um banho rápido e chegamos à residência dos pais da noiva uns quinze minutos antes do início da cerimônia, com tempo de conhecer e conversar um pouco com os noivos Vivatra, Pólux e seus pais. Depois fomos para o local da piscina, onde estavam umas 150 pessoas.

Pontualmente às seis horas, o pai de Vivatra, com ela entre ele e sua esposa, se dirigiu aos presentes falando das qualidades dos noivos, de seus objetivos e missões de vida. Após uns cinco minutos de discurso, seus pais a abraçaram, beijaram e a levaram até o meio do espaço que os separava do noivo e seus pais. Lá, disse que ele e sua esposa a entregavam aos cuidados de Pólux para que, sob a proteção do Pai Celestial, cumprissem a missão que tinham definido para aquela vida.

Em seguida a mãe do noivo, que também tinha seu filho entre ela e seu esposo, fez um discurso semelhante e repetiu os mesmos procedimentos. Quando ficaram juntos, os noivos se abraçaram, se beijaram e, com as mãos dadas, se ajoelharam, um de frente ao outro e de costas para seus pais. Em seguida, cada casal colocou uma grinalda de flores brancas na cabeça do filho ou filha e eles permaneceram ajoelhados e em silêncio durante um minuto ou mais. Até esse momento, os convidados também guardavam total silêncio.

Quando os noivos se levantaram e novamente se abraçaram e se beijaram, foram aplaudidos por todos, pois já estavam casados. A cerimônia durou uns quinze minutos e, para não dizer que não houve festa, todos brindaram com um cálice de vinho e ficaram conversando até por volta das sete horas, quando os convidados se retiraram. Acompanhamos o novo casal até a casa dos pais de Vivatra, onde se despediram e partiram em férias nupciais.

Voltamos para casa e, após o jantar, Syndi, Vércia e eu fomos ao mirante de Agartha, onde conversamos sobre o novo enfoque dos levantamentos, privilegiando os relacionamentos humanos. Depois, comentei sobre a simplicidade do casamento arretiano, se comparado com as pompas religiosas e as festas dos casamentos terrestres. Elas disseram que todos eram realizados daquela maneira e me forneceram informações sobre o significado de cada uma das suas fases.

Disseram que o importante no casamento era a afinidade e a harmonia necessária para cumprir os objetivos que levaram à união dos dois seres, os quais iriam repartir o que possuíam de mais sagrado, representado pelas suas naturezas espiritual e física. O grande objetivo era a ajuda mútua para concluir o trabalho que se propuseram realizar durante suas vidas e obter os méritos espirituais dele decorrentes. Na maioria dos casos, como Tentra e Salino, os objetivos eram idênticos e o casal teria a mesma profissão e os mesmos interesses.

A cerimônia tinha um simbolismo simples e profundo. Os pais eram as pessoas mais apropriadas para representar o Pai Celestial e, em nome Dele, oficiar a cerimônia. Os convidados, constituídos por parentes e amigos de grande afinidade espiritual, além de serem testemunhas e padrinhos, eram aqueles que iriam ajudar o casal a cumprir seus objetivos de vida. A liberação para iniciar o trabalho que vieram realizar, estava representada pelo discurso dos pais, pela colocação dos noivos no ponto central, ou inicial, e pela entrega de um para o outro.

A aceitação da união e a transformação de duas pessoas em um casal foram simbolizadas nas duas vezes que os noivos se abraçaram e se beijaram. A pureza de intenções e de ações foi representada pelas flores brancas colocadas em suas cabeças. A aceitação conjunta da missão e da vontade divina, com humildade, estava simbolizada no momento em que os dois se ajoelharam e ficaram em silêncio para ouvir o Pai Celestial. Finalmente, quando se levantaram e foram aplaudidos, significava que estavam recebendo os incentivos e o apoio necessário para realizar o trabalho a que se propuseram.

Disseram que não havia casamento civil, contratos matrimoniais ou a mudança do nome da noiva. Para oficializar o casamento, informavam alguns dados e o local onde pretendiam residir e trabalhar ao governo central, através do equipamento de áudio e vídeo de suas casas. Alguns dias antes da cerimônia, como se fosse o presente de casamento, recebiam a confirmação daquilo que solicitaram e raramente tinham que escolher algum outro local de residência ou de trabalho.

Entre a data da confirmação e o final das férias nupciais, o Ministério da Habitação providenciava uma casa mobiliada e com todas as comodidades oferecidas a qualquer cidadão, incluindo os bens adquiridos, como cabine de teletransporte, aparelho de áudio e vídeo, ou outros que ganhassem de seus pais e padrinhos, ou que tivessem direito e solicitassem. As férias nupciais representavam um período de adaptação do casal ao novo estilo de vida. Quando retornamos, Salino e Tentra já estavam dormindo e nós fizemos o mesmo. 

Visitas a terminais de transportes

Naquela manhã vi, pela primeira vez, uma chuva leve que se prolongou até perto das sete e meia. Depois, fomos visitar o terminal de transportes externos de Agartha, o nome oficial do aeroporto onde desembarquei em Arret, pois era voltado para o transporte de passageiros e de cargas entre planetas e seus satélites. Durante o sobrevôo, observei várias naves dos tipos 2, 3 e 4 estacionadas e uma nave do tipo 1, daquelas que raramente são encontradas no solo. Quando aterrissamos, tivemos a surpresa de ver com o casal responsável pelo terminal, os demais amigos da SOL-4. Tali disse que sentiram saudades, resolveram fazer a surpresa e aproveitar para rever Molino e Svindra.

Fomos conhecer o terminal de passageiros, no local onde estava acontecendo um embarque em uma nave do tipo 2. Tive uma nova e agradável surpresa ao ver Othíbio. Ele estava saindo com destino a três planetas de sistemas diferentes e disse que estaria de volta no fim-de-semana, pois não faltaria à nossa reunião na segunda-feira. Depois de cumprimentar meus amigos, abraçou Syndi com um carinho especial. Ela me reapresentou Othíbio como sendo seu tio, irmão de seu pai.

Apesar de já ter recebido essa informação na SOL-4, não tinha feito essa ligação até aquele momento, o que não deixou de ser uma nova surpresa. Depois, comecei observar a grande nave que estava estacionada a uns trezentos metros dali e para a qual se dirigiam muitas pessoas. Era bela, majestosa e assustadora, mas, se comparada à nave do tipo 1, estacionada um pouco mais à frente, era até pequena. Othíbio disse que era a Amizade e, como ela iria partir em uma hora, aproveitamos para conhecer o terminal, cujo funcionamento era semelhante ao dos nossos grandes aeroportos. As pessoas traziam pouca bagagem e, quando se apresentavam no balcão, colocavam a mão em uma tela e eram imediatamente liberadas para embarque.

Pouco antes da partida, acompanhamos Othíbio até o local onde um veículo o esperava. Ficamos aguardando a decolagem e novamente se repetiu a cena que observei da SOL-4, com uma diferença. Além das luzes, a Amizade estava se despedindo com uma suave melodia, enquanto subia lentamente. Ao atingir uns mil metros, as luzes se apagaram e ela sumiu das nossas vistas em poucos segundos.

Em seguida, embarcamos em um dos veículos de uso local e fomos ao terminal de cargas, no lado oposto. Molino circundou a nave do tipo 1 e fiquei impressionado com o seu tamanho. Disse que ela estava ali para revisão e introdução de aperfeiçoamentos no seu mecanismo de navegação. Era uma nave antiga e muito segura que logo se deslocaria para o sistema solar, onde se juntaria a outras que estavam de prontidão na região da Terra.

No terminal de cargas havia duas naves do tipo 2 sendo abastecidas para socorrer um planeta que, há poucas semanas, tinha passado por violenta tribulação, pior que a deles há 722 anos atrás. Uma estava sendo carregada com alimentos e a outra com equipamentos diversos doados pelo governo central para ajuda aos povos daquele planeta. Muitos veículos especiais, parecidos com plataformas flutuantes, carregavam contêineres que entravam e saiam por diversas aberturas laterais das duas naves.

Visitamos os depósitos e as pessoas continuavam o trabalho, apesar de já passar das onze horas. Molino explicou que, em situações como aquela ninguém interrompia o trabalho enquanto as naves não estivessem carregadas. Almoçamos com aquele simpático casal e depois fomos, com os amigos da SOL-4, até o local onde deixamos nossos veículos. Eles não nos acompanhariam, pois iriam para uma colônia marítima, onde nos esperariam no sábado à tarde. Syndi e Vércia convenceram Salino e Tentra a seguir com eles e, assim que saíram, entramos no Canarinho e fomos visitar o terminal de transportes internos, localizado em uma área contígua ao terminal onde estávamos.

Nele havia diversas naves dos tipos 4 a 6 e suas instalações eram semelhantes à do anterior, com dimensões menores, pois era voltado para o transporte de passageiros e de cargas dentro da atmosfera arretiana, incluindo suas doze estações orbitais. O esquema de funcionamento era igual ao do anterior, com maior movimentação de cargas e de passageiros, os quais tinham outras opções de deslocamento, como o teletransporte e veículos individuais, mas preferiam viajar em veículos coletivos e aproveitar para incrementar os relacionamentos e fazer novas amizades.

Conversamos com vários deles e, como em outros locais, alguns disseram que já viveram em nosso planeta em diversas épocas. Conheci dois personagens famosos que, como os demais, pediram para deixá-los no anonimato, pois não se davam à importância que tinham na Terra. A ala de cargas recebia todos os tipos de bens produzidos no planeta, onde eram armazenados e encaminhados às centrais de distribuição que deles necessitassem para atender aos supermercados e lojas de bens adquiridos existentes em sua região. A movimentação era muito grande, especialmente a de alimentos.

Na volta, Vércia nos convidou para jantar na casa de uma amiga e resolvemos ficar em casa para ver alguns documentários que eu queira assistir desde a visita à CIA. Assim que chegamos, Vércia se arrumou e saiu. Após o lanche, Syndi localizou vários títulos, desde o período anterior à grande transição até algumas décadas depois. O aparelho mostrou os três níveis de cada um deles, os tempos individuais e totais de cada nível.

Selecionamos uma seqüência de primeiro nível com duração de quase duas horas. Os mais antigos mostravam as cidades antes do início do governo de Olintho e havia poucas diferenças entre elas e muitas da atualidade terrestre. Depois começou o período sobre o seu governo, como chegou ao poder, o saneamento que realizou em seu país e suas realizações nos três anos anteriores à grande transição.

A seguir, começaram as imagens daquele acontecimento, como iniciou, se desenvolveu e atingiu o seu ápice, em poucas horas de alto poder destrutivo, ou revitalizador do planeta. A parte final mostrou os trabalhos de apoio aos sobreviventes e o suporte fornecido pelos espaciais durante várias décadas. A maioria dos documentários referia-se ao país de Olintho, cujo exemplo acabou sendo seguido por quase todos os demais.

Já passava das dez horas quando a sessão terminou e Syndi estava calada há algum tempo, parecendo cansada e que tinha sofrido mais do que eu com as imagens que avivaram em sua mente sensível, todas as dificuldades que passou naquele período em que foi uma das sobreviventes. Sem esperar por Vércia, fomos para o quarto, pois ela disse que estava precisando tomar um banho para relaxar um pouco.

Quando terminei o meu e me acomodei, ela ainda permaneceu fazendo sua autocrítica e ouvindo as músicas que selecionou. Depois, falou do marido e dos filhos que perdeu durante os cataclismos e relatou como foram difíceis, e ao mesmo tempo maravilhosos, os primeiros dias e meses daquele período. Lembrou da mudança radical de comportamento dos sobreviventes e do modo como os antigos ricos e pobres passaram a encarar a nova vida e a conviver harmoniosamente.

Em seguida, falou que as sensações que sentiu não se referiam às suas lembranças daquele acontecimento, mas sim, ao impacto que as imagens causaram em mim, pela possibilidade de sua ocorrência na Terra. Por essa razão, precisou utilizar muita energia para neutralizar o efeito negativo que poderia prejudicar o ajuste do meu espírito ao corpo que estava utilizando. Assegurou que já estava tudo bem e que era melhor descansar, pois iríamos cumprir a programação semanal no dia seguinte.

Visitas a centrais de distribuição de bens

A central visitada naquela manhã de sábado parecia a ala de cargas do terminal de transportes internos, com dimensões menores e um tráfego maior de naves dos tipos 4, 5 e 6. Conhecida como central de distribuição de bens comuns, ou de uso gratuito pela população, armazenava uma infinidade de itens recebidos dos terminais de transportes internos e dos centros de produção agrícola mais próximos, distribuindo-os à rede de supermercados da região por ela atendida.

O sistema de controle, baixa e ressuprimento do estoque da central era totalmente automático, limitando a intervenção humana ao processo de recebimento, armazenamento e distribuição. Esse eficiente sistema tinha seu início nas gôndolas dos supermercados e era completamente integrado nos níveis superiores. Por essa razão, era impossível não encontrar um produto de linha em qualquer supermercado do planeta. Conversei bastante com pessoas que trabalhavam em diversos setores e, como nos demais lugares já visitados, tudo era executado com dedicação, alegria, boa vontade e espírito de equipe. Almoçamos no local e saímos para uma nova visita.

Fomos conhecer uma central de distribuição de bens adquiridos, cujo funcionamento era semelhante ao da anterior, com dimensões ainda menores. Os itens que faziam parte do seu estoque não eram distribuídos gratuitamente e sua aquisição dependia de trabalhos em regime de horas extras. Por isso, sua quantidade, variedade e movimentação de naves dos tipos 5 e 6 era bem menor, além de serem destinados a lojas específicas das cidades localizadas nos pontos estratégicos de cada região.

Passeio em uma colônia marítima de cúpula simples

Como a visita foi muito rápida, retornamos para casa no meio da tarde e nos preparamos para o passeio na colônia marítima. Apesar dos arretianos preferirem utilizar veículos coletivos nessas ocasiões, optamos pela cabine de teletransporte para ganhar tempo. Vércia pesquisou e fixou as coordenadas da colônia e rapidamente chegamos ao local. Nossos amigos não estavam nos esperando, pois não sabiam que chegaríamos tão cedo.

Apesar de ter visto a imagem da colônia no telão, levei um pequeno susto quando deixamos o ambiente das cabines. Estava dentro do mar em um lugar amplo, mágico e impressionante. A cúpula principal era uma abóbada transparente com 288 metros de diâmetro e uma altura de 24 metros no ponto central, situado uns seis metros abaixo do nível do mar. Era protegida por um campo de forças que mantinha a água afastada da sua superfície, formando um colchão de ar entre ela e o mar.

Em pontos eqüidistantes havia três túneis inclinados para entrada ou saída de pessoas e um outro ligado a uma cúpula menor, destinada a estacionamento de veículos de transporte individual ou coletivo do tipo 6. A cúpula maior apresentava três conjuntos de quatro semicírculos separados por corredores que formavam uma cruz. No centro havia uma praça circular e nos semicírculos, várias suítes, salões de jogos, almoxarifados de equipamentos e de alimentos, recepção e restaurante. O local era simples e funcional, como todas as instalações arretianas.

Na parte externa vi muitas pessoas nadando em meio a cardumes com peixes de vários tipos, cores e tamanhos. Algumas utilizavam um veículo já visto anteriormente, uma mistura de “jet-ski” e submarino. Fiquei observando os detalhes daquele impressionante centro de lazer por um bom tempo, enquanto Vércia e Syndi aguardavam pacientemente. Depois, perguntei por nossos amigos e elas apontaram para um grupo fora da cúpula. Logo vi Tentra e Salino nadando em direção a um dos túneis de acesso, onde fomos encontrá-los.

Tentra nos levou ao nosso quarto e Salino foi buscar os escafandros, combinando nos esperar no mesmo túnel. Como estava muito impressionado com aquele ambiente, Syndi me acalmou dizendo que os quartos eram completamente vedados contra um eventual rompimento da cúpula e que eu podia ficar despreocupado, pois não tinham notícias de acidentes nos últimos duzentos anos. Colocamos as roupas de mergulho que Tentra deixou nos armários e saímos para encontrar Salino.

No caminho, recebi algumas “dicas” para facilitar o passeio e tirar o receio que tinha manifestado com relação aos peixes que vi. Nossos demais amigos nos esperavam do lado de fora e logo me levaram à superfície, para facilitar a adaptação à profundidade. Tranqüilizaram-me dizendo que o pulmão arretiano resistia a longos mergulhos de até 80 metros sem equipamentos especiais e que, naquele local, a profundidade era de apenas 30 metros. Tive alguma dificuldade inicial, mas logo me adaptei.

Incentivado pela segurança dos meus amigos, começamos a nos afastar da cúpula, nadando entre cardumes de várias espécies. Foi uma experiência inesquecível. Acariciei vários peixes e “cavalguei” um golfinho com uns cinco metros de comprimento que se entendia perfeitamente com os meus amigos. Retornamos no final da tarde, tomamos banho, colocamos trajes de passeio e saímos para conhecer melhor aquele lugar.

Minha primeira surpresa foi ver que, apesar de não mais haver luz solar, a cúpula iluminava uma grande extensão do mar em sua volta. Ela continuava transparente e permitia a visão dos cardumes e das pessoas que nadavam a uma boa distância. Depois, fomos procurar nossos amigos e os encontramos em um dos salões de jogos eletrônicos, semelhantes a fliperamas, bastante entretidos com seus brinquedos de alta tecnologia.

Os jogos simulavam completamente a realidade, tinham caráter educativo e quase todos eram baseados em projeções holográficas. Ao mesmo tempo em que divertiam, ensinavam a planejar uma cidade, dirigir naves, plantar legumes e outras coisas do cotidiano. Após um leve jantar e um período de descanso voltamos ao mar, juntamente com a maioria das pessoas lá hospedadas. Até uns 120 metros da cúpula, a claridade era muito boa. Foi outra experiência inesquecível.

Retornamos aos nossos quartos antes das dez horas e, enquanto Syndi foi tomar banho, fiquei ouvindo suas músicas de autocrítica e rememorando alguns acontecimentos desde a chegada ao planeta. Todos estavam associados às presenças de Salino, Tentra, Vércia e, principalmente, de Syndi, a não ser na reunião com Arcthuro e na noite que tive uma sensação estranha. Reanalisei as razões da sua presença constante e cheguei à mesma conclusão daquela noite.

Porém, ainda encarava o fato de dividir o quarto com ela como algo incomum e não me sentia à vontade para conversar sobre alguns temas, como o relacionamento amoroso. Talvez, por essa razão, não mais falamos a respeito desde o sábado anterior. Quando ela saiu, fui para o banheiro esperando que não tivesse captado minhas análises e lá continuei pensando no assunto. Concluí que também cumpri as condições definidas por Oatas e que deveria deixar as coisas seguirem seu curso normal.

Quando retornei, ela estava na costumeira posição de autocrítica, com sua cama posicionada em frente à minha, significando que queria conversar. Assim que me acomodei, disse que captou uma espécie de angústia em mim e que esse sentimento afetava negativamente meu espírito. Pediu para me desabafar sem nenhum preconceito ou bloqueio, pois não queria que eu sentisse aquilo novamente. Depois de realinhar meus pensamentos, resumi tudo que havia pensado e concluído.

Ela começou dizendo que aceitou dividir o quarto comigo, para que eu não sentisse solidão e a distância que me separava da Terra e dos meus familiares, como aconteceu na noite em que se ausentou, propositadamente, para testar e ajustar o plano que estabeleceram para que eu me sentisse querido, protegido e tivesse a paz e a tranqüilidade necessária para realizar os levantamentos, pois essa era a razão principal da minha estada no planeta.

Falou que as minhas preocupações eram motivadas por uma guerra entre preconceitos e sentimentos, enfatizando que os primeiros eram baseados em premissas que se alteravam com a evolução dos costumes de cada civilização ou época. Por outro lado, os sentimentos, como a amizade e o carinho, eram baseados no amor que, além de eterno e imutável, era a mola propulsora da evolução de todos os seres e do próprio universo. Por isso, eram muito mais fortes e poderosos. 

Quanto ao relacionamento amoroso, reafirmou que se tratava de um tema natural para eles e que só não voltou ao assunto para não agravar minha situação. Disse que estava apenas querendo que eu não voltasse a ficar angustiado e não criasse bloqueios para obter novas informações ou esclarecer dúvidas sobre aquele assunto que, segundo já dissera, era complexo para a mente terrestre e deveria ser tratado no livro com a devida profundidade.

Falou que além de Tentra, ainda na SOL-4, ela também sentiu minhas dificuldades para falar sobre o tema desde o meu primeiro dia em Arret. Finalizou dizendo que estava esperando um oportunidade como aquela para me tranqüilizar e desbloquear minha mente, pois tentou várias vezes durante o sono, sem muito sucesso, e que ainda tinha muitas coisas para dizer sobre o entrelaçamento energético. Agradeci suas palavras, prometi que iria mudar minha maneira de pensar e afirmei que não iria conseguir realizar o trabalho sem sua ajuda e presença constante em todos os momentos. Syndi voltou a sorrir e disse que, como todas as mulheres, apreciava ouvir palavras carinhosas e gostava de se sentir útil.

Na manhã seguinte saímos para um passeio que durou umas três horas. Como eu estava curioso a respeito do “jet-ski” que alguns hóspedes utilizavam, providenciaram esses veículos para todos nós. Ele comportava duas pessoas sentadas lado a lado e tanto funcionava sob a água como na superfície. Andei um bom tempo como passageiro e logo aprendi a dirigi-lo. Chegava facilmente a 60 por hora na superfície e, sob a água, sua velocidade era bem menor.

Com as facilidades e comodidades que oferecia, nos distanciamos bastante da cúpula e dividimos o tempo entre mergulhos, contatos com criaturas marinhas e passeios pela superfície. Após o almoço voltamos para o mar com aquele maravilhoso veículo e o tempo passou muito rápido. Quando começou a escurecer, retornamos às nossas casas e resolvemos não sair naquela noite, pois Vércia voltaria ao trabalho no dia seguinte. Depois do jantar, conversamos até por volta das dez horas, quando fomos dormir. 

As reuniões ministeriais da terceira semana

Assim que Vércia foi trabalhar, fomos para o Palácio da Harmonia encontrar os amigos da SOL-4 e, antes das oito horas, estávamos na recepção do Ministério da Pesquisa aguardando Daleth que, segundo Salino, era uma figura muito interessante. Logo ele nos levou à sua sala e mostrou-se muito espirituoso e brincalhão, parecendo alguém que eu conhecia, tanto pela energia que transmitia, como pelo jeito de falar.

Dentre outras coisas, disse que já viveu na Terra e lamentou a forma como aqui conduzimos as pesquisas que, além de secretas, não tinham o objetivo único de beneficiar o planeta e sua população. Visavam, em primeiro lugar, aumentar o poder e a lucratividade de governos ou empresas. Demonstrando seu conhecimento sobre o nosso desenvolvimento tecnológico, citou vários casos, desde a definição da teoria da relatividade até o viagra, passando pela eletrônica e pela corrida espacial.

Depois, comentou nossas visitas aos centros de pesquisa, enfatizando os aspectos sociais e de qualidade de vida da população. Daleth era uma pessoa muito simples e se destacava pelo humor refinado com que tratava qualquer assunto. Ele só ficou sério no momento que perguntei quando a Terra poderia ter acesso aos conhecimentos que detinham e dividiam sem restrições com os planetas da confederação galáctica.

Informou que esse momento, no tempo da Terra, estava muito próximo de acontecer e citou uma frase lapidar: “Deus nega seus conhecimentos mais secretos e elevados aos soberbos e àqueles que procuram usufruí-los em proveito próprio e os dá em abundância aos humildes e puros de coração, que somente almejam a felicidade dos seus semelhantes”.

No final ele nos acompanhou até a sala de Khap, o Ministro da Indústria que, segundo ele, era um grande irmão e companheiro de muitas vidas de trabalho em estreita cooperação. Khap deve ter pressentido nossa aproximação, pois nos esperava na recepção do seu gabinete. Depois de nos cumprimentar, ele e Daleth se abraçaram, como se estivessem separados há meses.

Em seguida, Khap disse que fazia pouco mais de uma hora que não se viam e, mostrando que também era muito brincalhão, falou que, se passasse um único dia sem o encontrar e colocar seus pés no chão corria o risco de ter que realizar muitos dos seus sonhos malucos. Todos riram muito e Daleth nos acompanhou até a sala de Khap, onde se despediu dizendo que ainda nos encontraria antes da minha partida.

Khap era muito parecido com Daleth, inclusive no humor. Era um apaixonado pelo seu trabalho e apresentou vários dados estatísticos que demonstravam o número crescente de produtos distribuídos gratuitamente à população, muitos em substituição àqueles que eram obtidos com trabalhos extras, cujos custos, em número de horas, diminuía a cada dois a três anos.

Ele explicou os critérios para distribuir bens gratuitamente, ou para “cobrar” horas extras na obtenção de outros. A questão era muito simples, como tudo em Arret. Informou que a força de trabalho do planeta estava direcionada para a produção dos bens considerados como necessários para a sobrevivência, o conforto e a qualidade de vida do povo. Conforme essa força de trabalho aumentava, ou a produção era racionalizada, o governo podia tomar três decisões básicas ou combinações delas.

No primeiro caso, diminuía as horas de trabalho diário, ou aumentava o período de férias. No segundo e mais comum, utilizava a mão-de-obra excedente para produzir e distribuir gratuitamente uma parte dos bens classificados como adquiridos. O terceiro envolvia combinações dos dois casos anteriores. Ele finalizou a reunião com outra frase lapidar: “se a força de trabalho da Terra fosse direcionada de acordo com os padrões arretianos, seria suficiente para produzir o necessário para que o dobro da sua atual população tivesse a mesma qualidade de vida da chamada classe média, mesmo considerando as grandes diferenças tecnológicas entre os dois planetas”.

Às dez horas estávamos no gabinete de Isis, a Ministra das Comunicações. Com mais de um metro e noventa de altura, pele clara, cabelos e olhos negros, era uma mulher muito bonita. Fez uma apresentação geral da sua pasta e me surpreendeu com sua modéstia. Disse que seu ministério era o menos importante, justificando que informações, filmes e transmissões culturais não eram essenciais à sobrevivência do povo.

Interrompi dizendo que, graças aos serviços mantidos pelo seu ministério, obtive informações muito valiosas. Ela agradeceu e disse que seu único mérito era manter a população informada sobre a realidade do planeta, permitindo que cada habitante tivesse acesso a qualquer dado, desde a lista completa de bens produzidos e onde obtê-los, até informações sobre a situação de outros mundos, como a Terra.

Depois nos reunimos com Delphis, o Ministro dos Transportes e Distribuição. Com mais de dois metros de altura, era uma figura imponente e transmitia muita energia no seu modo de falar bastante claro e objetivo, além de ser muito simpático e bem humorado. Assim que fomos apresentados, ele disse que estava curioso para conversar comigo, pelo fato de saber que a idéia do livro nasceu da minha vontade de escrever sobre uma profecia relacionada com o seu amigo Olintho. Resumi o conteúdo do texto profético e falei que gostaria muito de obter outras informações sobre ele, a quem eu já admirava pelo que vi nos documentários que assistimos. 

Ele falou alguns minutos sobre o seu amigo e disse que poderia continuar durante horas, mas esse não era o objetivo da reunião. Passou então a explicar os sistemas do seu ministério, enfatizando a sua filosofia de atuação. Ao final, disse que liberou Syndi do trabalho, pois sabia o quanto ela estava sendo importante para o meu aprendizado e para a fixação dos levantamentos em minha memória espiritual.

Visita ao Centro Hospitalar de Agartha

Já em casa, almoçamos e fomos visitar um hospital que fazia parte do grupo dos 20 maiores e mais bem equipados do planeta, com atendimento em todas as especialidades médicas. O que diferenciava esses centros hospitalares dos demais era o fato de realizarem, além de partos e outros tratamentos comuns, as chamadas cirurgias de reconstituição de órgãos ou membros lesados por acidentes, além de outros mais raros, como a troca do corpo físico do paciente.

Excetuando esses casos que exigiam intervenção direta no corpo físico, os tratamentos eram preventivos e realizados no corpo vital, utilizando equipamentos de difícil compreensão e explicação. O corpo vital corrigia o problema no físico, desde tratamentos dentários ocasionais, até outras anomalias mais raras, como infecções por vírus e bactérias, ou disfunções como gastrite e hipertensão. Se as necessidades de tratamento não fossem detectadas durante o teletransporte, eram diagnosticadas nos exames gerais a que todos se submetiam periodicamente.

Lá recebi informações detalhadas sobre o uso médico das cabines de teletransporte. Toda vez que o corpo era reintegrado e se fosse constatada qualquer anomalia, ou diferença em relação ao padrão do código genético contido no DNA do usuário, o computador do hospital mais próximo da cabine de partida era informado e realizava nova análise dos dados. Se houvesse necessidade de tratamento, o usuário era convocado para um exame minucioso em um hospital de sua livre escolha. Qualquer tratamento era simples e rápido, pois o problema era detectado em sua fase embrionária e sem sintomas físicos.

Utilizamos o restante da tarde visitando a maternidade, onde mães, pais e bebês eram tratados de uma forma muito especial. O parto normal constituía a regra e era realizado em uma piscina especial, cercado por um carinho e cuidados indescritíveis. Era completamente indolor e representava um momento muito especial e de grande prazer para os pais, parentes e amigos. Raramente ocorriam casos de cesariana, só utilizada quando a mãe ou a criança corria algum risco.

Assim que chegamos fomos para a piscina e após uns mergulhos, Syndi me convidou para jantar e dormir em sua casa, pois seus pais retornaram no fim-de-semana e viajariam no dia seguinte. Ashton e Mani nos receberam com muita alegria e, após o jantar conversamos sobre as visitas realizadas, sobre o livro e sobre Othíbio, a quem muito admiravam. Também conheci alguns detalhes da vida deles. Trabalhavam no Ministério das Relações Exteriores e eram embaixadores de Arret em um dos planetas daquele sistema estelar, o que justificava o fato de viajarem muito. Resolvemos nos recolher mais cedo, pois iriam retornar ao planeta logo que amanhecesse.

Quando terminei o banho, Syndi estava fazendo a costumeira autocrítica e a posição da sua cama indicava que ela queria conversar. Assim que regulei o encosto e me acomodei, ela perguntou se eu já me sentia em condições de voltar ao tema do entrelaçamento energético. Respondi que após a conversa do último sábado estava pronto para ouvi-la e fazer as perguntas necessárias, pois várias dúvidas haviam se dissipado. Ela falou que a base principal foi esclarecida durante o período de sono e que o restante seria mais fácil de assimilar.

Mesmo assim, me pediu para manter a mente desligada do modelo sexual terrestre, o qual não guardava similaridade com o entrelaçamento energético, a começar pelo fato de poderem realizá-lo com roupas e até fisicamente separados. As novas informações permitiram compreender o conceito e a pureza do relacionamento amoroso arretiano.

O processo era iniciado com um desejo de unificação, ou de troca de energia amorosa entre o casal, semelhante a um abraço carinhoso entre duas pessoas queridas. Assim que seus espíritos se conectavam nessa energia, começavam a sentir uma sensação de leveza e sonolência, seguida de suaves arrepios na região da coluna vertebral. As sensações iam aumentando de intensidade até que os corpos físicos adormeciam e os dois seres se apercebiam em uma outra dimensão, constituídos por energias conscientes que interagiam entre si e sentiam intensamente.

Nessa outra dimensão, um ficava em frente ao outro de mãos dadas e o espaço entre eles era preenchido por energias que os dois seres geravam, predominado a cor azul do homem e rosa da mulher, além de outras nuanças a elas entrelaçadas, representativas do nível espiritual e do estado físico e emocional dos dois seres. Conforme as energias expandiam e se tocavam, elas se entrelaçavam e formavam uma chama espiralada muito bonita, com luminosidade fluorescente, crescente e em movimento ascendente.

À medida que a chama os envolvia, os dois seres começam a experimentar várias sensações agradáveis e indescritíveis, muito mais intensas que o orgasmo terrestre. O clímax ocorria quando a chama os envolvia completamente e seus corpos energéticos se unificavam em um abraço, intensificando bastante as sensações anteriores, além de causar a perda de consciência dos dois espíritos no plano onde se encontravam. Conforme o grau de afinidade do casal, o entrelaçamento durava entre cinco e quinze minutos após o adormecimento do corpo físico e, para acordar em seguida, era necessário fazer uma mentalização prévia, pois, normalmente, dormiam por várias horas ou até a manhã seguinte.

Visitas a escritórios de planejamento urbano

Enquanto fazia a higiene matinal, relembrei a conversa da noite anterior e algumas dúvidas não mais existiam. No caminho para a casa de Tentra, comentei o fato com Syndi e ela disse que foram esclarecidas durante o descanso do corpo, como já fizera em ocasiões anteriores. Como não era a primeira vez que ela falava sobre esse assunto, fiquei curioso e pedi para me fornecer maiores detalhes à noite, pois já estávamos chegando. Após a refeição e o tradicional bate-papo, fomos visitar um escritório onde iniciavam o planejamento para construção de uma cidade voltada para o corte e preparação de madeiras para indústrias montadoras de móveis domésticos.

O trabalho utilizava modelos virtuais holográficos em três dimensões, projetados sobre grandes mesas e em diversas escalas, podendo representar desde a planta geral da cidade, até a de uma única residência. Naquele momento estavam definindo ruas, avenidas, bairros e a localização de prédios públicos. Com o apoio tecnológico que dispunham parecia um trabalho fácil, pois modificavam os modelos com grande agilidade. Porém, levavam em consideração inúmeras variáveis, como lençóis freáticos, redes de água potável, de esgoto sanitário, linhas de energia telúrica, volume pluviométrico, quantidade de árvores que seriam retiradas, volume de terra a ser movimentado, dentre outras, tornando o trabalho bastante complexo e único.

Uma parte da futura cidade estava com os trabalhos mais adiantados e sua maquete holográfica era rica em detalhes que simulavam a realidade. Até as árvores balançavam como se estivesse ventando. Os técnicos perceberam meu interesse pelos recursos tecnológicos e desviaram sutilmente minha atenção para a idéia central de todo aquele trabalho.

O objetivo do projeto era causar o menor impacto ambiental possível, preservar a vegetação nativa e movimentar o mínimo de terra, sem afetar a funcionalidade da futura cidade e o nível de conforto e de qualidade de vida de seus habitantes. Era a perfeita integração entre o homem e a natureza onde, em última análise, predominava o interesse pelo homem, com um profundo respeito pela natureza. Como sabiam da nossa folga na manhã seguinte, nos convidaram para visitar uma cidade semelhante, que estava quase pronta para ser ocupada. Aceitamos o convite e eles se encarregaram de confirmar a visita.

Almoçamos em casa e depois conversamos sobre a visita da tarde e sobre um centro de lazer que também iríamos conhecer no final do dia: O Balneário da Baía dos Coqueiros, um dos lugares mais bonitos de Arret, segundo meus amigos. O plano inicial era lá permanecer até o final da manhã seguinte, mas em função do convite que recebemos, iríamos deixá-lo após a refeição da manhã. Logo saímos para visitar um outro escritório de planejamento urbano, cujo projeto estava sendo concluído.

Referia-se a uma cidade complementar à anterior, onde instalariam diversas indústrias montadoras de móveis domésticos. Passamos todo o tempo em volta de uma grande mesa de projeções holográficas, onde analisavam maquetes em várias escalas ou graus de detalhamento. Parecida com aquela que conhecemos pela manhã, era voltada para controle e aprovação de projetos, dispondo de outros recursos interessantes. 

Os técnicos mostraram vários detalhes do projeto, como cores, ajardinamento e decoração das edificações. Previam, com margem de erro mínima, desde o volume de terra a ser retirado e onde seria realocado, até a quantidade de flores de cada espécie que seriam plantadas nos jardins públicos e nas residências. Como as flores, todos os itens necessários para construção, acabamento e decoração da nova cidade já estavam requisitados junto aos respectivos fornecedores. A entrega seria feita conforme um cronograma que, no caso das flores, previa o seu plantio imediato para evitar perdas.

Passeio no Balneário da Baía dos Coqueiros

Assim que sobrevoamos o local, compreendi a razão do entusiasmo dos meus amigos por aquele maravilhoso centro de lazer. Era uma baía perfeitamente arredondada, com diâmetro de quase cinco quilômetros. Suas pontas laterais se projetavam mar adentro, deixando uma pequena passagem para o mar aberto. Havia praias arborizadas com coqueiros em todo o perímetro interno e externo da baía, além de milhares de chalés e outras edificações, como restaurantes, salões de jogos, cinemas e habitações coletivas. Também havia um grande pavilhão para eventos, com uns 20 mil lugares.

Ao fundo, uma cadeia de montanhas servia de moldura para aquele cenário maravilhoso. Nela existiam alguns mirantes e três riachos que desciam e desaguavam na baía, formando várias cachoeiras e piscinas pelo caminho. No centro da baía, a beleza se completava com uma ilha quase circular, com uns novecentos metros de diâmetro. Também era arborizada com coqueiros e apresentava várias construções de uso coletivo e muitos chalés.

Suas águas eram claras e sua profundidade média era de 20 metros. O piso da parte mais funda era constituído por rochas, corais, areia grossa e cascalho. A cada cem metros havia placas redondas e côncavas, com uns dois metros de diâmetro. Funcionavam com energia solar coletada por elas mesmas e, conforme escurecia, iluminavam o fundo e permitiam mergulhos em toda a área. Apesar das constantes surpresas, não imaginava tal requinte com o lazer da população. Nosso chalé estava situado no centro da área continental, entre praias de mar e de água doce, não muito distante de uma cachoeira.

Enquanto guardávamos a bagagem, Salino foi buscar dois “jet-ski” e equipamentos de mergulho. Utilizamos o rio próximo, nos dirigimos à baía e nela mergulhamos para conhecer algumas de suas particularidades. Mais tarde, fomos até uma praia da ilha central para conversar, apreciar o movimento e tomar água de coco.

Voltamos para o chalé ao anoitecer e pude observar a eficiência das placas de iluminação. Após o jantar, Salino e Tentra foram para um salão de jogos eletrônicos e Syndi me levou para um passeio sobre a baía. A visão noturna era melhor que à luz do dia, pois o fundo apresentava detalhes somente visíveis com a iluminação. Depois, fomos encontrar nossos amigos e ficamos com eles até perto das nove e meia, quando voltamos ao chalé.

Já em nosso quarto, retomamos a conversa interrompida naquela manhã. Syndi falou que preferia elucidar as dúvidas durante o período de sono, para não cansar minha mente e dificultar ainda mais a compreensão dos levantamentos que seriam realizados no dia ou dias seguintes. Afirmou que, no plano astral, tinha facilidades para criar exemplos e imagens elucidativas e que o espírito compreendia melhor quando estava desligado do corpo, além de facilitar a fixação dos temas em meu inconsciente e as lembranças quando do retorno à Terra.

Disse que o sono era um excelente conselheiro e que era uma pena eu não ter lembranças dessas conversas que, para ela, eram iguais àquela que estávamos tendo. Compreendi então a razão de ter acordado várias vezes com uma compreensão que não tinha anteriormente, como era o caso do esquema geral do entrelaçamento energético. Pedi para me fornecer outros detalhes do processo e ela o fez comparando as fases principais com suas equivalentes ao sexo terrestre, repetindo algumas informações anteriores.

Disse que, ao contrário daquilo que se vulgarizou na Terra, o casal arretiano realmente “fazia amor” pois, para se chegar ao entrelaçamento, era necessário um elevado grau de afinidade e um sentimento amoroso de grande pureza entre os parceiros. O processo não ocorreria se um deles tivesse um desejo físico, algum tipo de bloqueio ou sentimento de posse. Também era necessário que representassem polaridades opostas, pois essa era a premissa básica da criação do homem e da mulher.

As energias que formavam a espiral eram geradas pelos chakras básicos dos dois seres durante a fase inicial do processo, quando ainda estavam despertos. Essas energias, equivalentes às carícias preliminares do sexo terrestre, subiam pela coluna vertebral e provocavam seqüências de suaves arrepios, seguidas por uma crescente sensação de leveza que causava o entorpecimento gradual da mente, traduzido por uma sonolência.

Quando o nível de energia chegava a um limite compatível com o grau de afinidade do casal, elas eram liberadas pelos seus chakras coronários, provocando o adormecimento dos corpos físicos, a liberação dos dois espíritos e sua entrada em uma espécie de estado de êxtase. A partir desse momento, equivalente à penetração, o casal experimentava várias sensações agradáveis, de difícil individualização e descrição.

Constituíam um misto de alegria, doação, amor, felicidade, sabedoria, plenitude, unificação, dentre outras, amplificadas pela consciência espiritual em estado livre e sem as limitações impostas pelo corpo físico, que também não sofria nenhum tipo de desgaste. Com a prática e o aumento da afinidade, o casal podia até estar separado por milhares de quilômetros, que conseguiria realizar o entrelaçamento, pois tudo ocorria no plano espiritual. No auge do processo, equivalente ao orgasmo físico, quando o casal se fundia em um abraço, ocorria a intensificação das sensações anteriores, provocando a perda de consciência no plano onde se encontravam e a entrada em um nível superior, equivalente ao relaxamento posterior ao ato sexual terrestre, também seguido algumas vezes pelo adormecimento dos parceiros.

Para manter a consciência nesse outro plano, era necessário um alto grau de afinidade e muito treinamento, ou um maior nível espiritual. Quando o casal apresentava essas condições, seus espíritos se unificavam por um tempo maior e eram envolvidos por uma chama espiralada de grandes proporções, com cores muito mais vivas e variadas, além de experimentarem outras sensações mais profundas, sutis e duradouras.

Syndi informou que essa era a parte rotineira dos entrelaçamentos e começou a falar sobre aqueles onde ocorria a fecundação. Eles somente aconteciam quando o casal tinha assumido compromisso para receber algum espírito como filho ou filha e o momento astrológico e sideral era favorável à sua missão ou trabalho. Nesses casos, os mentores responsáveis pelo renascimento provocavam a ovulação e o espírito do futuro bebê participava do processo. Esses entrelaçamentos eram iguais aos demais e apenas necessitavam que os parceiros estivessem juntos e despidos, o que era um fato corriqueiro entre os casais.

Assim que começava o adormecimento do corpo físico, acontecia uma modificação química no organismo feminino que, em contato com a pele masculina, provocava a excitação física de ambos. A penetração acontecia após o adormecimento, quando começavam a serem envolvidos pela espiral. Durante o clímax do processo ocorria a ejaculação de um reduzido volume de esperma que não era posteriormente percebido pelos parceiros, a menos que acordassem em seguida.

O conhecimento da fecundação podia acontecer imediatamente, ou em alguns dias, quando a mulher sentia um aumento da sensibilidade psíquica e percebia sua ligação com o espírito do futuro bebê. Esse tipo de entrelaçamento acontecia uma única vez durante o período fértil de três dias, a menos que o óvulo não fosse fecundado na primeira tentativa, o que era muito raro.

Os entrelaçamentos continuavam durante a gravidez de nove meses e eram muito especiais, como também acontece entre casais terrestres. A partir do terceiro mês e de maneira gradativa, contavam com a participação do novo ser, formando uma chama espiralada com três cores predominantes: rosa, amarelo e azul. Nesses casos, as sensações eram amplificadas e essa era uma das razões da grande união entre pais e filhos arretianos. Ela finalizou dizendo que os casais arretianos não realizavam relações sexuais e sim um profundo relacionamento amoroso. Depois falou que eu já estava em condições de escrever a respeito do tema e que qualquer dúvida seria esclarecida durante o período de descanso dos nossos corpos.

Visita a uma cidade em fase final de construção

Após a refeição da manhã, sobrevoamos novamente aquele magnífico balneário e saímos com destino a Águas Claras, o nome da cidade em fase final de construção. Quando lá chegamos vimos uma cidade pronta e sem habitantes, como outra visitada anteriormente. A rápida apresentação foi limitada aos controles estatísticos e novamente constatamos o elevado índice de acerto entre o planejado e o executado. Depois, fomos visitar uns dez galpões industriais.

Estavam localizados na periferia urbana e pareciam prontos para entrar em operação. Nas serrarias e nas marcenarias havia diversas máquinas robotizadas para trabalhos com madeiras e, enquanto algumas operavam de maneira parecida com suas similares terrestres, outras não guardavam a menor semelhança. No caso das serrarias, a máquina que mais se aproximava das nossas era uma que “cortava” as toras de madeira e as transformava em tábuas e outras peças.  

A tora era cortada em uma única passagem de feixes de raios paralelos, deixando as peças completamente lisas e sem o menor sinal de queima. Essa máquina dispensava a desengrossadeira, a plaina, a lixadeira e não produzia nenhum tipo de barulho, serragem ou pó. Em todos os lugares observei pessoas realizando testes e ajustes finais, para que a cidade pudesse estar pronta para ser habitada em dez dias. Almoçamos no local, conversamos com os “operários” e depois saímos para realizar outra visita, desta vez, em Agartha.

Visitas ao Ministério das Relações Exteriores

Fomos recebidos por Larina, uma jovem senhora com pouco mais de 70 anos, muito simpática e ativa que, além de ser amiga de Tentra e Salino, era uma espécie de madrinha de Syndi. Depois de dizer que tinha reservado aquela tarde e a manhã seguinte para nós, fez uma apresentação geral do Ministério, discorrendo sobre as estruturas existentes em Agartha, nas embaixadas oficiais em 128 planetas de vários sistemas estelares da nossa região galáctica e nas representações de acompanhamento de 36 planetas em fase de transição, incluindo a Terra.

As maiores embaixadas funcionavam com um efetivo de 24 arretianos e as menores com 6, em regime de substituição mensal, bimestral ou trimestral, conforme as características do relacionamento mantido com os planetas. As representações de acompanhamento utilizavam naves iguais ou maiores que a SOL-4 e a quantidade de pessoas em cada uma delas variava conforme as necessidades de acompanhamento, intervenção ou ajuda indireta aos habitantes do planeta, podendo contar com até três mil arretianos. Nos dias anteriores, durante e após a grande transição, a quantidade aumentava significativamente.

Já em casa conversamos com Vércia sobre as visitas realizadas. Após o jantar, Salino e Tentra foram ao teatro e nós ficamos para assistir a alguns documentários sobre a época da grande transição, cujos resumos havia assistido anteriormente. As cenas eram impressionantes e mostravam claramente a atuação saneadora dos quatro elementos da natureza, com destaque para os terremotos e maremotos, pelo seu alto poder destrutivo. Salino e Tentra acompanharam a meia hora final e depois nos recolhemos aos nossos quartos.

Assim que me acomodei, Syndi disse que não sentiu nenhum impacto negativo das imagens em meu espírito e mostrou-se satisfeita com o fato. Depois, perguntou se eu tinha alguma dúvida sobre a mecânica dos entrelaçamentos. Aproveitei para esclarecer alguns detalhes e para colocar minhas incertezas quanto à necessidade e maneira de escrever sobre o assunto, pois temia causar os mesmos problemas que inicialmente senti. Com sua costumeira paciência, ela respondeu as perguntas e, no final, voltou a dizer que o tema deveria ser incluído no livro, com os detalhes que pudesse relembrar. Como ainda não tinha chegado a uma conclusão, combinamos voltar ao assunto após o término dos levantamentos.

Depois da refeição da manhã e do costumeiro bate-papo, Vércia foi para o trabalho e nós fomos concluir os levantamentos no Ministério das Relações Exteriores. Larina apresentou vídeos e falou sobre o funcionamento de várias embaixadas típicas e sobre algumas representações de acompanhamento, alongando-se sobre a da Terra, mais em função das perguntas que fiz. As embaixadas tinham sua contrapartida em Arret e funcionavam com alguns tipos de serviços, além do intercâmbio de estudantes e turistas. Os serviços variavam em função das características de cada planeta e incluíam trocas de tecnologias, de matérias-primas e produtos acabados, sem envolver moedas ou coisa parecida.

Sobre a representação de acompanhamento da Terra, ela forneceu informações sobre o efetivo de naves e falou que o período de transição estava próximo. Como eu não podia deixar de fazer uma pergunta a esse respeito, Larina sorriu e disse que ela iria ocorrer “em menos de cem anos”. Depois, informou que, naquele momento, tinham à disposição do comando da frota de apoio à Terra, um total de 21 naves iguais ou maiores que a SOL-4 e algumas dezenas de naves menores, abrigadas no interior das maiores, ou transitando em nosso planeta. 

Quando perguntei sobre as atividades que executavam, ela disse que as naves e seus tripulantes estavam à disposição do comando da frota de apoio à Terra, o qual não repassava informações à CIA e ao povo arretiano. Falou em linhas gerais e afirmou que somente o comandante da frota poderia me dar a resposta, se o Pai Celestial assim o permitisse.

Passeio em um parque de preservação ambiental

Voltamos para casa, tomamos banho de piscina e, após o almoço, saímos para conhecer um parque de preservação ambiental. Quando nos aproximamos do local, Salino elevou o Canarinho para que eu tivesse uma visão geral da área e de uma pequena cidade onde iríamos pousar, localizada no seu centro geodésico. O parque tinha uns 40 mil quilômetros quadrados e, além da pequena cidade, havia diversos núcleos menores a cada 20 quilômetros, com 50 a 100 casas cada um.

Fomos recebidos por um grupo de pessoas e logo descobri que a maioria tinha formação avançada em biologia, genética, engenharia florestal e outras especializações. O parque, além de produzir mudas de espécies nativas para reflorestamento de outras áreas, se dedicava à reprodução de alguns animais “selvagens” de pequeno porte. A pequena cidade abrigava umas seiscentas famílias, tinha todas as comodidades das grandes, além de abastecer os núcleos menores. Diferente das demais cidades, aquela era protegida por um campo de forças em forma de abóbada sobre as edificações, sendo que os núcleos também contavam com o mesmo tipo de proteção.

Sua finalidade era garantir a privacidade dos moradores, pois os animais “selvagens”, mesmo sendo dóceis, podiam entrar nas casas, pisotear canteiros ou fazer estragos no supermercado. Como o do Canarinho, o campo era elástico e parecia uma bolha macia que não feria os pássaros que nele se chocassem. Para entrar e sair as pessoas portavam um bastão que abria uma passagem através dele. Assistimos a uma apresentação da área atual e como estava há uns quatrocentos anos. Era uma área totalmente degradada e fazia parte de uma grande região metropolitana.

O parque estava no estágio final de reconstituição e seria integrado ao sistema de lazer dentro de 20 anos, como acontecia com os parques recuperados. Visitamos três sofisticados laboratórios, uma maternidade para animais e muitos viveiros de plantas silvestres. No final da tarde, quando conversávamos sobre a continuidade da visita na manhã seguinte, recebemos um convite para pernoitar em uma casa disponível no local. Aceitamos a proposta e Tentra comunicou o fato para Vércia, que preferiu permanecer em Agartha.

Depois de acomodados, fomos tomar banho em uma cachoeira próxima, juntamente com vários moradores. Após o jantar fomos até uma grande praça central e lá encontramos quase toda a população espalhada por diversos recantos. Conversamos com muitos moradores e eles pareciam formar uma única e grande família. Lá pela dez horas, começaram a retornar às suas casas e nós fizemos o mesmo.

Salino e Tentra foram dormir e eu fiquei na varanda com Syndi apreciando os ruídos da floresta, observando as estrelas e conversando sobre os levantamentos realizados naquele dia. Na manhã seguinte reiniciamos a programação que previa incursões pelos arredores e visitas a alguns dos 80 núcleos espalhados pelo parque, quando tive a oportunidade de conhecer novas espécies de pássaros e de pequenos animais. Almoçamos com o responsável por um dos núcleos e depois retornamos para Agartha.

A escolha e o passeio do fim-de-semana

Já em casa, conversamos sobre o que fazer naquela tarde e no fim-de-semana, pois os levantamentos básicos estavam concluídos e um novo planejamento seria conhecido somente após a reunião com Arcthuro, na segunda-feira. Tentra perguntou que lugar ou lugares eu gostaria de conhecer ou visitar novamente. Enquanto aguardavam a resposta, pensei em um local e, mesmo conhecendo as facilidades que tinham com a telepatia, disse que teriam que adivinhar. Imediatamente Syndi falou que era o Balneário da Baía dos Coqueiros. Tentra, além de avisar Vércia, convidou os demais tripulantes da SOL-4 e todos aceitaram, mas só chegariam no final da tarde.

Ela fez rapidamente as reservas de quatro chalés através do telão e, mais uma vez, fiquei impressionado com as facilidades que tinham à disposição. Logo que Tentra acessou o balneário, apareceu sua vista aérea com diversas divisões setoriais e respectivas quantidades de chalés vagos por tipo, ou capacidade de acomodação. Informado o período de utilização e selecionado o setor e o tipo, aparecia sua vista aérea bem detalhada, com os chalés vagos piscando. Ao selecionar um deles, a tela se dividia e mostrava o chalé, sua planta e outros detalhes, tudo em três dimensões. Nesse ponto era possível confirmar a reserva ou continuar a escolha. Assim que era reservado, aparecia um quadro para informações sobre os ocupantes.

Alguns minutos depois estávamos sobrevoando aquele belíssimo balneário. Pousamos, descarregamos o Canarinho e, enquanto Tentra e Syndi davam os retoques finais na arrumação dos chalés, fui com Salino buscar dois veículos e equipamentos de mergulho para explorar a baía. Passeamos até perto das cinco horas da tarde, quando voltamos para esperar nossos amigos.

Vércia chegou primeiro e o restante do grupo em seguida. Fomos tomar banho de cachoeira e depois os homens foram ao supermercado buscar provisões, pois as mulheres casadas resolveram preparar o jantar nos respectivos chalés e Syndi convidou Vércia para nos acompanhar. Mais tarde saímos para um passeio à pé até por volta das dez e meia, quando retornamos para dormir.

Durante o sábado conhecemos vários recantos do balneário, conversamos com muitas pessoas e, à noite, assistimos a uma palestra de Arcthuro. Ele estava por lá passando o fim-de-semana, juntamente com quatro de seus ministros e ministras. Os arretianos adoravam assistir a palestras sobre temas filosóficos ou religiosos, especialmente, as de Arcthuro. Naquela noite ele falaria sobre o amor.

O pavilhão principal estava tomado por umas 20 mil pessoas e, pelo entusiasmo que demonstravam, deu para sentir o quanto ele era amado e respeitado pelo povo. Ao contrário do que presenciei em outras reuniões, quando seu nome foi anunciado, todos ficaram em pé e o aplaudiram efusivamente. Ele falou durante pouco mais de uma hora para uma platéia atenta e silenciosa. Suas palavras me recordaram um discurso que Jesus pronunciou em um santuário essênio, conforme está registrado em um dos muitos livros escritos sobre Ele.

Arcthuro desenvolveu o tema sob a ótica da amizade sincera, leal e desinteressada entre filhos e filhas do Pai Celestial. Quando terminou, todos se levantaram, aplaudiram e novamente sentaram, esperando que ele continuasse. Falou por mais alguns minutos e foi novamente muito aplaudido. Durante sua palestra havia um perfume no ar e a energia do ambiente era tão leve e especial que eu sentia suaves arrepios em meu corpo e uma vontade de abraçar as pessoas ali presentes.

Quando ele terminou, realizei meu desejo e abracei meus amigos e várias pessoas próximas. Logo notei que estavam fazendo a mesma coisa em todo o salão. Na saída encontramos o palestrante e Othíbio, com os quais me abracei longamente. Fiquei muito emocionado ao abraçar Arcthuro, como ocorreu anteriormente. Ele falou que estaria nos aguardando na segunda-feira e me pediu para aproveitar bem o dia seguinte, pois ainda teria muito trabalho pela frente.

O domingo foi bastante movimentado e aproveitamos para visitar vários locais ainda desconhecidos. Encontramos Arcthuro em três ocasiões, sempre cercado por várias pessoas. Notei que os freqüentadores pareciam mais felizes e Syndi justificou que a energia de Arcthuro sempre provocava algum tipo de reação positiva. Disse que houve uma intensificação da energia amorosa de cada um, em decorrência do tema da palestra. Aproveitamos aquele dia especial até o último minuto e retornamos para Agartha apenas para dormir.

As reuniões ministeriais da quarta semana

No horário combinado a Ministra da Saúde nos recebeu em seu gabinete. Alpha tinha 69 anos, a aparência de uma colegial e era muito simpática, alegre e comunicativa, deixando-nos à vontade logo nos primeiros minutos. Como de costume, fez uma exposição do seu ministério e utilizou quase todo o tempo falando sobre sua filosofia de trabalho, voltada para a maternidade e a medicina preventiva.

Apresentou dados que justificavam o nível de saúde da população e falou sobre algumas doenças terrestres que lá estão extintas, como o câncer, e sobre outras que nunca existiram, como a AIDS. No final, sugeriu que visitássemos outros centros de saúde e me pediu para assistir a um parto completo, para ter uma idéia exata do processo, pois, segundo já dissera, a maternidade era a principal razão da existência do seu ministério.

Em seguida, tivemos o encontro com Ghimel, o Ministro do Urbanismo e Planejamento Urbano, um senhor com 128 anos, esbelto e ágil como um garoto. Ghimel era muito falante, bem humorado e, ao invés de fazer a apresentação, me pediu para falar sobre o seu ministério. Para me deixar à vontade, fez algumas brincadeiras e me incentivou a falar. Durante uns vinte minutos, tracei um paralelo entre o urbanismo arretiano e o terrestre, misturando o planejamento com a construção das cidades, que muito me impressionaram.

Quando terminei, Ghimel se levantou, bateu palmas e disse que “me saí muito bem” e com um “pequeno treinamento”, poderia trabalhar em seu ministério. Considerei que suas palavras tiveram o objetivo de elevar minha auto-estima, pois estava consciente que teria que passar por um longo treinamento para poder iniciar uma simples carreira de aprendiz. Depois, fez várias colocações sobre as atividades da sua pasta e, no final, disse uma frase que resumia sua filosofia de trabalho: “Os minerais e os vegetais eram muito importantes e mereciam todo o nosso respeito. Porém, o bem-estar e a qualidade de vida da população eram ainda mais importantes. O ideal era manter o equilíbrio entre esses dois fatores e buscar sempre o dourado caminho do meio”.

Pouco antes das dez horas, Othíbio entrou na sala dizendo, em tons de brincadeira, que veio nos buscar para que Ghimel não esticasse a sua apresentação, pois era muito falante e sempre se esquecia dos horários. Ele retrucou dizendo que iria fazer a mesma recomendação a Honda, com quem teríamos a reunião seguinte, assegurando que Othíbio era quem mais falava deles todos. E, olhando para nós com um sorriso maroto, disse que sua afirmação poderia ser confirmada até fora do sistema estelar arretiano. Rimos bastante e assim nos despedimos para acompanhar Othíbio até seu gabinete.

A conversa foi bastante descontraída e sem a tradicional apresentação, já realizada por Larina. Ele falou sobre o plano de ajuda à Terra após a transição e sobre seu desejo de instalar uma embaixada oficial em nosso planeta. Como os demais ministros, Othíbio era uma pessoa singular. Porém, por ser o primeiro que conheci, sua figura ficou fortemente gravada em minha memória. Ele tinha 105 anos, uns dois metros de altura, pele bronzeada, feições bastante suaves, cabelos castanhos e olhos de um azul-marinho profundo, os quais transmitiam toda a sua bondade, sabedoria e superioridade espiritual.

Depois, fomos ao encontro de Honda, a Ministra do Meio Ambiente e a mais jovem integrante do ministério. Tinha 54 anos, era ruiva de olhos verdes e um pouco parecida com Tentra, de quem era amiga de infância. Seu gabinete parecia um jardim, tamanha a quantidade de plantas e flores que lá existia, demonstrando o quanto ela amava a natureza.

Percebendo minha atenção com as plantas, deu uma volta comigo pela sala e me apresentou muitas delas, enquanto as acariciava e falava com elas como se fossem seres humanos. Honda era uma pessoa especial, meiga, carinhosa e muito bonita. Ela utilizou todo o tempo falando do seu grande amor pela natureza e sobre o relacionamento harmonioso do seu ministério com os demais, pois o respeito pelo planeta, como ser vivo e mantenedor das formas de vida, era uma das principais preocupações do povo arretiano.

Quando começou a traçar um paralelo entre a situação do meio ambiente arretiano com o terrestre, que ela conhecia muito bem, pareceu uma mãe que vê seu filho indefeso, sendo agredido e maltratado brutalmente. E foi essa a imagem que ela me passou. A reunião com Honda fechou com chave de ouro a fase de reuniões ministeriais. Ela a transformou em uma palestra muito agradável e poética, conseguindo transmitir todo o amor e carinho do povo arretiano pela natureza.

A segunda reunião com Arcthuro

Já em casa, enquanto Tentra e Syndi preparavam o almoço, fiquei conversando com Salino e Vércia sobre a reunião da tarde. Pouco antes de sairmos, confessei que ainda estava sem uma linha definida para fazer o resumo do meu aprendizado. Tentra me abraçou e pediu para não me preocupar, poisArcthuro, além de ser uma espécie de pai dos arretianos, tinha uma sensibilidade tão aguçada que, mesmo que eu nada dissesse, ele saberia exatamente o estágio em que me encontrava. Salino interveio dizendo que o resumo tinha o objetivo de elevar minha auto-estima, como fez Ghimel, além de facilitar a fixação dos temas e das imagens em minha mente espiritual.

Logo depois entramos no gabinete de Arcthuro, juntamente com os amigos da SOL-4. Com extrema amabilidade, ele disse que teríamos a tarde toda para conversar e, se necessário, até as sete horas, pois seu próximo compromisso seria um pouco mais tarde. Sentindo minha insegurança, me pediu para falar livremente sobre tudo que vi e senti, na ordem que achasse conveniente e com o nível de detalhes que julgasse necessário.

Falei por mais de uma hora sobre as atividades de cada ministério, incluindo outros temas, como a religiosidade, a família e o vestuário, quase sempre traçando um paralelo com a nossa realidade, além de comparar a simplicidade e a facilidade de várias coisas arretianas com as complicações e dificuldades de suas congêneres terrestres. No final, falei sobre a impossibilidade de implantar esses conceitos no momento atual da Terra, a menos que ocorresse uma radical mudança na estrutura planetária ou na mentalidade da nossa humanidade e dos nossos governantes.

Quando concluí, Arcthuro disse que havia um tema sobre o qual não falei e que deveria constar no livro, sob pena de omitir um conceito importante para todos os povos. Imediatamente entendi o que ele estava dizendo e olhei para Tentra e Syndi, sem saber por onde começar. Ele me incentivou a falar abertamente e disse que, apesar de ser um tema muito delicado para mim e para os povos da Terra, era para eles muito natural e corriqueiro.

Comecei falando do esforço de Tentra, ainda na SOL-4, para transmitir o conceito básico do relacionamento amoroso. Disse que, até poucos dias atrás, ainda não tinha entendido o mecanismo do substituto arretiano para o sexo terrestre, que lá ninguém sentia falta. Intrigava-me o fato de saber que ele era utilizado somente para procriação, de uma maneira que também não compreendia. Falei que ficava ainda mais confuso, quando via a forma amorosa e carinhosa com que os casais se tratavam.

Depois de fazer essas considerações, relatei como Syndi me ajudou a entender o processo do entrelaçamento energético, que, segundo ela, estava bem compreendido, pois conversamos sobre o assunto até durante o período de sono. Finalizei dizendo que ainda me preocupava o fato de não saber ao certo como iria escrever a respeito, para não confundir a mente dos leitores, como aconteceu comigo. Arcthuro agradeceu os esforços das duas e disse que, até o final da estada em Arret, eu iria descobrir a maneira correta de escrever sobre o assunto.

Após uma pausa para tomarmos um suco de frutas, ele garantiu que eu detinha dados suficientes para escrever sobre a realidade arretiana e que tudo estava fortemente gravado em minha memória espiritual. Disse que, como as demais pessoas, estava bastante satisfeito com os resultados obtidos e, em seguida, falou sobre vários aspectos que necessitavam de um levantamento complementar.

Sobre eles, fez uma série de considerações e sugestões, sempre submetendo suas análises à apreciação dos presentes. A seguir, um resumo daquilo que ele falou. 

  • Precisaria me aprofundar na história arretiana, desde os anos anteriores à grande transição até a criação e consolidação do governo central. Depois, deveria avançar mais rapidamente até a época atual, procurando conhecer apenas os fatos principais.

  • Com relação à atualidade, deveria obter mais informações sobre a estrutura organizacional do governo central e sobre a religiosidade do povo arretiano.

  • Também deveria conhecer novos locais de lazer e fazer outras visitas a escolas, hospitais e a áreas agrícolas e industriais.

  • Durante os levantamentos, deveria conversar bastante com as pessoas, procurando avaliar o seu grau de harmonia, de felicidade e de satisfação com a vida planetária.

Quando concluiu, Arcthuro falou que o grau de afinidade, de amizade, de carinho e de amor que eu sentisse pelas pessoas, coisas e lugares que conheci e que ainda iria conhecer, seria a única chave que eu teria para abrir as portas do meu inconsciente e captar, intuitivamente, a realidade arretiana quando voltasse à Terra. Enfatizou que a memória consciente seria bloqueada quando reassumisse o corpo original, para garantir segurança e normalidade à minha vida terrestre.

Informou que o retorno à Terra estava marcado para dali a 19 dias, em um sábado correspondente ao 41ºdia da minha estada no planeta, totalizando 44 com os dias à bordo da SOL-4. Garantiu que ainda iríamos nos encontrar para uma conversa “informal”, com a presença de todos os ministros. Já passava das seis da tarde quando nos despedimos de Arcthuro. Assim que chegamos no andar térreo, Salino disse a Antak e Otento que não precisavam se preocupar com o planejamento da segunda fase dos levantamentos e cada grupo voltou para sua casa.

O planejamento dos novos levantamentos

Tentra e Salino foram para a cozinha e comecei a conversar com Vércia e Syndi sobre como fazer o planejamento sem esquecer as orientações de Arcthuro. Vércia, que não participou da reunião, disse que ele sugeriu muitas coisas importantes, a exemplo das pesquisas históricas e garantiu que nada seria esquecido. Estranhei suas afirmações e perguntei quem a informou sobre a reunião, ou se ela a captou telepaticamente. Respondendo pela amiga, Syndi disse que eu ainda precisava conhecer algumas coisas e me levaram à sala de música, onde Vércia mostrou como ficou sabendo de tudo.

Ela ligou o telão, fez uma seleção e logo surgiu a imagem da reunião. Fiquei atônito observando os participantes e nossas conversas iniciais até que Syndi lembrou que me informaram sobre aquele tipo de serviço na visita à CIA, o qual me tornou conhecido em todo o planeta desde a primeira reunião com Arcthuro. Com isso, compreendi a razão de saberem o meu nome e o que estava fazendo em Arret.

Após o jantar iniciamos o planejamento das etapas seguintes do levantamento de dados. Repassamos a reunião em menos de uma hora e cada trecho significativo foi editado, transladado automaticamente para a linguagem escrita, depurado e gravado para análise posterior. Depois, Tentra e Salino analisaram e revisaram cada trecho, registrando os títulos para visita ou pesquisa em uma das quatro partes que dividiram a tela. Em paralelo, Vércia e Syndi verificavam esses títulos e selecionavam os documentários para pesquisa histórica, ou os locais para levantamentos, criando uma agenda com toda a programação que eu ainda deveria cumprir.

Depois, com a ajuda de Tentra e Salino, revisaram o planejamento, refinaram a agenda e deixaram uma trinta opções para passeios em locais de lazer, constituídos por reservas florestais, colônias marítimas, ilhas paradisíacas, balneários e retiros. Pediram-me para escolher dez deles com base nas imagens e detalhes que me apresentaram no telão.

Como a pesquisa histórica poderia ser realizada em qualquer lugar, resolvemos desenvolvê-la nos locais de lazer, reservando uma parte do dia para passeios e contatos com os freqüentadores. Nos deslocamentos de um local para outro, iríamos realizar visitas a escolas, hospitais, áreas agrícolas e industriais. O trabalho ficou pronto antes das onze horas da noite e na manhã seguinte seriam definidas as datas e horários, marcadas as visitas e providenciadas as reservas necessárias. 

Antes de Vércia ir trabalhar, definimos as datas e horários para cumprir a programação em quinze dias. Gravamos os índices e os níveis dos documentários em um cristal que, ao ser acionado por qualquer equipamento de áudio e vídeo, selecionaria automaticamente o primeiro documentário ainda não assistido e mostraria as imagens transmitidas pelos satélites da CIA. Enquanto fui com Syndi à sua casa buscar algumas coisas que ela queria levar, Tentra providenciou as reservas nos locais de lazer e Salino marcou as visitas programadas.

OS LEVANTAMENTOS COMPLEMENTARES

Passeio no Balneário da Ilha dos Colibris

Ainda de manhã, partimos com destino ao balneário da Ilha dos Colibris, implantado em uma bonita ilha oval com uns dez quilômetros de comprimento e seis de largura. Seu perímetro era constituído por praias lindíssimas e, em vários pontos de suas encostas havia cachoeiras de águas quentes e riachos que desaguavam nas praias, alimentados pela vazão de um grande lago existente no platô superior. Ao norte da ilha destacava-se um morro com uns três quilômetros de base e uns oitocentos metros de altura. Tinha forma cônica quase perfeita e o vértice aplainado, formando uma grande área plana, onde existia um restaurante panorâmico e um mirante como o de Agartha.

O lago também tinha o formato oval, uma largura de três quilômetros e um comprimento superior a cinco. Nele havia oito ilhas de diversos tamanhos, todas com praias enfeitadas com coqueiros e outros tipos de vegetação. Suas águas eram quentes e transparentes, com uma profundidade máxima de 16 metros. O fundo era arenoso com várias formações rochosas, de onde brotavam as fortes nascentes de origem vulcânica.

O balneário apresentava uma vegetação exuberante, formada por árvores e flores de vários tipos, onde viviam muitos pássaros e, como o nome do local indicava, uma grande quantidade e variedade de colibris de várias cores e tamanhos. Também havia milhares de chalés localizados nas encostas da ilha, em volta do lago e em algumas ilhas. O nosso localizava-se no meio do caminho entre as praias marítimas e o platô superior, ao lado de uma cachoeira com piscina natural.

Assim que descarregamos as bagagens fomos relaxar na cachoeira. Almoçamos no restaurante do mirante, de onde apreciamos a maravilhosa vista do balneário. Mais tarde, Tentra e Salino nos deixaram no chalé e foram passear. Durante mais de três horas assistimos aos documentários sobre o período anterior ao governo de Olintho, como chegou ao poder, o saneamento que fez em seu país e suas primeiras realizações, quando começou a ser querido pelo seu povo e respeitado no exterior.

Como sempre iria acontecer ao final de cada sessão, o equipamento informou a quantidade, os tipos e o tempo dos documentários assistidos, bem como, o tempo total decorrido e aquele que faltava para concluir a programação. Quando terminamos, Salino e Tentra nos aguardavam para um passeio no lago do platô superior, quando conhecemos alguns de seus recantos e conversamos com vários freqüentadores, constituídos, em sua maioria, por jovens casais em férias nupciais.

Retornamos ao chalé no início da noite e fomos tomar uma ducha na cachoeira. Após o jantar, Salino e Tentra saíram com uns amigos e nós pegamos o Canarinho para sobrevoar a ilha. O lago tinha a mesma iluminação que existia no Balneário da Baía dos Coqueiros e a visão do seu fundo era maravilhosa. Pousamos no mirante e conversamos com vários casais até perto das dez horas, quando fomos dormir.

Passamos a parte da manhã em uma praia marítima, onde aproveitei para conversar com os freqüentadores e sentir o seu grau de satisfação em relação à vida planetária. Como nos demais locais de lazer, lá era possível conhecer pessoas das mais variadas profissões, oriundas de todos os continentes. Conheci algumas que viveram na Terra em diferentes épocas e uma delas era um grande compositor clássico que, como as demais que encontrei, pediu para não revelar seu nome.

Almoçamos, descansamos um pouco e decidimos esticar a pesquisa histórica até o início da noite. As duas primeira horas completaram o ciclo de três anos do governo de Olintho antes da grande transição e forneceu uma visão geral do trabalho que realizou. Ele promoveu uma abrangente reforma agrária, desconcentrou os centros urbanos e transformou seu país no maior exportador de alimentos, tornando-se um líder planetário.

As três horas seguintes mostraram os cataclismos que assolaram o planeta e forneceram uma visão detalhada das primeiras horas e dias daquele grande acontecimento que modificou o cenário natural e o modo de pensar e de agir dos sobreviventes. Dentre as imagens impressionantes, destacava-se o eficiente trabalho realizado por milhões de seres espaciais e suas maravilhosas naves. Sem eles e sua
avançada tecnologia, a quantidade de sobreviventes teria sido drasticamente reduzida pela ação dos quatro elementos da natureza e pelo clima inóspito dos primeiros dias.

Depois do jantar, fomos assistir a uma palestra de Arcthuro sobre a evolução do pensamento religioso. Mesmo tendo chegado com bastante antecedência, o local, um grande auditório para mais de 20 mil pessoas, estava quase lotado. Naquela noite ficou bastante claro que ele era um líder político e religioso e que, para os arretianos, essas duas coisas que não se complementam na Terra, eram as duas faces da mesma moeda.

Ele começou com um retrospecto do período anterior à grande transição, cujo enfoque era semelhantes ao da atualidade terrestre. Depois, falou sobre as mudanças ocorridas após aquele grande acontecimento, quando os arretianos deixaram de dar valor a liturgias e começaram a amar o próximo como a si mesmos, aceitando os princípios da irmandade espiritual e da Paternidade Divina. A parte final foi dedicada à atualidade e Arcthuro não falou sobre uma religião específica. Discorreu sobre religiosidade, tendo o respeito à Lei divina, o trabalho comunitário e a irmandade planetária como base fundamental.

Visita a uma escola de primeiro grau

De manhã, arrumamos as bagagens e fomos visitar uma escola semelhante àquelas visitadas superficialmente durante o segundo dia em Arret. Destinada a crianças de 7 a 14 anos, podia ser freqüentada por pessoas de qualquer idade. Era uma escola de informação onde ministravam cursos de curta duração e bastante variados, envolvendo desde a teoria musical até a jardinagem. Seus cursos não tinham freqüência obrigatória e não forneciam certificados de conclusão.

As salas de aula eram amplas e formavam um conjunto com várias salas menores em sua volta, todas muito bem decoradas e envidraçadas. Cada conjunto ficava distanciado do outro, espalhados em uma grande área arborizada e florida. A escola mais parecia uma colônia de veraneio, pois contava com piscinas, salões de jogos e outros equipamentos de lazer.

O método de ensino da parte teórica era muito interessante e válido para vários cursos. Em cada aula, os professores apresentavam um assunto e projetavam vídeos com diferentes visões sobre o tema. Em seguida, coordenavam uma discussão entre os alunos, muito participativa e divertida. Depois, eles eram divididos em grupos e se dirigiam às salas menores, onde discutiam, chegavam a um consenso e voltavam à principal. Lá apresentavam suas conclusões aos demais e podiam chegar a um consenso geral ou continuar com suas premissas iniciais.

Mais importante que a matéria era a participação, a interação social, o respeito ao livre arbítrio e a ausência de competitividade. Dessa forma, reaprendiam a viver em sociedade e a respeitar e aceitar opiniões divergentes, sem que isso interferisse no relacionamento cordial e amoroso de uns com os outros, além de obterem informações sobre assuntos de utilidade para o dia-a-dia e o futuro de cada um. A parte prática seguia outros padrões, variando conforme o tipo de curso ou matéria.

Conversamos com muitos alunos, incluindo alguns que não estavam assistindo às aulas e se divertiam nos equipamentos de lazer. Ali estavam por dois motivos básicos: ou já conheciam o assunto ou não se interessavam por ele. Assim falavam com convicção e não eram repreendidos pelos pais ou professores, mesmo que passassem o dia todo na escola sem assistir a uma única aula, pois o respeito ao livre arbítrio era o ponto central. Segundo a visão arretiana da educação, estavam cultivando melhores relações humanas e esse era o enfoque principal do aprendizado naquela fase.

Passeio no Parque das Águas

No final da manhã fomos conhecer outro parque de preservação ambiental. Era um santuário ecológico com lagos, rios e cachoeiras, onde viviam muitas espécies de pássaros e pequenos animais. O local era batizado como Parque das Águas, tinha uma área aproximada de 60 mil quilômetros quadrados, uma cidade central e uns 100 núcleos menores, todos protegidos por campos de forças. Diferente daquele visitado anteriormente, sua flora estava completamente reconstituída e ele já integrava o sistema de lazer arretiano.

Nosso destino era um dos núcleos situados às margens de um grande lago e nosso chalé estava localizado entre duas cachoeiras com lindas piscinas. Depois que nos acomodamos, fomos tomar banho na maior delas, onde conversamos com muitas pessoas. Depois do almoço iniciamos o programa que incluía uma caminhada pela floresta, atividades de lazer no lago e conversas com freqüentadores.

No final da tarde, Syndi e eu retornamos ao chalé para assistir à primeira parte de uma longa sessão de documentários sobre o período de apoio aos sobreviventes, que ainda iria consumir mais alguns dias. Fomos dormir após as dez horas e interrompemos apenas para jantar com Tentra e Salino. Os documentários enfocavam os seis primeiros meses que modificaram o modo de vida dos sobreviventes e marcaram definitivamente a trajetória de Olintho como líder planetário.

Seu país foi o primeiro a se reestruturar e seu exemplo foi seguido por quase todos os demais. Porém, o maior destaque coube aos seres espaciais, desde os trabalhos solitários que realizaram para limpar os escombros e recolher uma infinidade de materiais e sucatas, até o apoio irrestrito que prestaram aos sobreviventes em todas as frentes de trabalho voltadas para a construção de moradias e auto-suficiência alimentar. Olintho era um tipo de embaixador deles junto a alguns povos que ainda se mostravam arredios aos “amigos das estrelas”, o nome carinhoso que a maioria dos arretianos davam aos espaciais. 

Visita a uma escola de segundo grau

Após a refeição e o costumeiro bate-papo, fomos visitar uma escola que ministrava cursos de graduação nas áreas de engenharia ambiental, florestal e agronômica, voltada para jovens com mais de 14 anos e adultos de qualquer idade. Localizada em uma grande área na divisa sul do Parque das Águas, permitia aulas práticas e pesquisas de campo. Apesar de ter um currículo padrão, o aluno podia deixar de freqüentar qualquer matéria que já conhecesse ou que não fosse útil para o seu trabalho futuro.

O método de ensino teórico era semelhante ao da escola de primeiro grau, com maior ênfase nas discussões e consenso grupal. Também enfatizavam a importância do relacionamento harmonioso, o respeito às opiniões alheias e a ausência de competitividade. As aulas práticas reproduziam fielmente a realidade do trabalho que iriam desenvolver e se assemelhavam a algumas ministradas em cursos equivalentes, nas boas faculdades do nosso país. Vale destacar que todos os arretianos com mais de 18 anos já haviam concluído os estudos de segundo grau e a maioria começava a trabalhar nessa idade. Os demais continuavam estudando e ingressavam em cursos de terceiro grau, a fim de obter uma especialização adequada ao trabalho que iriam realizar.

Voltamos ao Parque das Águas e repetimos a mesma programação do dia anterior, alterando os roteiros. Retomamos os documentários sobre o apoio aos sobreviventes, desta vez, enfocando o período entre seis meses e três anos. Logo no início, o país de Olintho transformou-se no maior produtor e doador de alimentos do planeta. No segundo ano foram iniciados, ainda de maneira acanhada, os movimentos para unificação de alguns países e surgiram também as primeiras iniciativas para ensino de uma língua única, semelhante ao Esperanto, pois não era um idioma oficial em nenhum país.

Passeio no Balneário das Ilhas Emendadas

Novamente estávamos em uma manhã de sábado e, após a refeição, partimos para o Balneário das Ilhas Emendadas, um arquipélago formado por uma grande ilha central e outras sete em sua volta, formando um círculo com uns seis quilômetros de diâmetro. Todos as ilhas eram quase planas e tinham praias em sua volta. As menores eram unidas por um cordão de rochas e terras, com várias praias nos dois lados. O local era bem arborizado e, visto do alto, lembrava a cratera de um vulcão.

A programação do fim-de-semana previa os dias livres para atividades de lazer e as noites para a pesquisa histórica. Nosso chalé ficava próximo a uma das praias da ilha central, em um local bastante arborizado. Quando estacionamos o Canarinho, além de Vércia, que já era esperada, encontramos os demais amigos da SOL-4.

Conversamos sobre as novidades da semana, demos muitas risadas e depois fomos para o mar com os veículos aquáticos. Meus amigos me levaram a diversos pontos, em visitas rápidas, para que eu pudesse ter uma visão geral e escolhesse os locais que iríamos explorar detalhadamente até o dia seguinte. Saboreamos um almoço preparado por Tali, Sathya e Tentra, conversamos mais um pouco e saímos para o passeio da tarde.

Lá pelas cinco horas, Syndi, Vércia e eu retornamos ao chalé para reiniciar a pesquisa histórica. Os documentários referiam-se aos trabalhos de apoio aos sobreviventes no período de três a dez anos, quando estava quase concluído o processo de montagem da estrutura industrial básica para auto-suficiência do planeta, com o irrestrito apoio dos espaciais. Sem eles, suas naves e sua tecnologia, o processo teria demorado dezenas de anos para atingir o estágio em que se encontravam.

Em dois dos continentes equatoriais houve unificação dos países, inclusive do novo idioma. O primeiro foi aquele onde se localizava o país de Olintho, eleito seu governante. Esse foi o embrião do governo planetário e, não fosse sua morte no décimo ano, o processo teria se acelerado. Ele foi substituído por Nunzain, um homem de grande sabedoria e liderança, que deu continuidade ao seu trabalho com grande empenho e retidão.

O domingo foi muito relaxante e visitamos vários recantos daquele belíssimo balneário, além de conversamos bastante com os freqüentadores. Como em outros lugares, procuravam me incentivar e todos encaravam minhas atividades como sendo um trabalho “duro e cansativo”. Para mim, era o mais puro lazer e divertimento, mesmo tendo que cumprir um programa com certa rigidez.

Jantamos em um restaurante da ilha central e depois Vércia e nossos amigos retornaram para Agartha. Salino e Tentra saíram para aproveitar a bela noite do balneário e nós voltamos ao chalé para retomar a pesquisa histórica. Assistimos a menos de três horas de documentários sobre o apoio aos sobreviventes, entre os anos 10 e 22.

Nunzain tornou-se um líder planetário, cujos exemplos de dignidade e trabalho foram seguidos pelos demais países. Além dos dois continentes polares, já eram quatro os continentes equatoriais unificados, restando apenas um, o mais problemático desde o princípio. Nesse período, mais da metade da população já falava e escrevia na nova língua e, nos continentes unificados, a produção comunitária, agrícola ou industrial, era distribuída em função da composição familiar e todos viviam em harmonia, com um bom nível de qualidade de vida.

Visita a uma escola de terceiro grau

Após o desjejum, colocamos as bagagens no Canarinho e fomos visitar uma escola de especialização em eletrônica, denominada de terceiro grau. Com a mesma técnica e qualidade de ensino que existia no CET, era freqüentada por pessoas com idade superior a 17 anos e, conforme as matérias cursadas e as necessidades de aprofundamento do aluno, o currículo podia ser coberto no período de dois a quatro anos. Com isso, um arretiano entre 20 e 22 anos, estava com sua formação escolar completa e preparado para realizar trabalhos altamente especializados. Se fosse necessário, ainda podia realizar cursos mais avançados em planetas que já detinham a tecnologia específica.   

Mais de um terço da população havia freqüentado escolas de terceiro grau e, desse total, metade concluía os cursos até os 22 anos e a outra, em qualquer idade, quando fosse necessário. Como nas demais escolas, as matérias do currículo padrão não requeriam freqüência obrigatória e tampouco faziam avaliações ou emitiam certificados de conclusão. O método de ensino compreendia, além das discussões e consenso grupal, aulas em sofisticados laboratórios com avançados recursos tecnológicos, para grupos de três a sete alunos com professor exclusivo.

Gastamos boa parte do tempo visitando salas de aula e laboratórios, aproveitando para conversar com professores e alunos. Conheci muitos com mais de 60 anos que cursavam determinadas matérias de interesse para o trabalho que iriam desenvolver dali para frente e alguns freqüentavam a escola por apenas um ou dois semestres.

Durante o tempo que lá permaneciam, entre seis meses e quatro anos, eram dispensados do trabalho e continuavam com todos os direitos anteriores. Essa iniciativa era altamente incentivada no planeta e era vista como um esforço individual e uma oportunidade de progresso espiritual de grande utilidade para a vida planetária. Com essa visita foi possível entender a filosofia do sistema educacional, cujo grau de prioridade governamental era máximo.

Passeio em uma colônia de cúpulas múltiplas

No final da manhã rumamos para uma grande colônia localizada na plataforma marítima de um dos continentes da zona equatorial, com águas mornas e ricas em termos de fauna e flora. Salino estacionou o Canarinho na superfície do mar e logo ele submergiu e começou a navegar como um submarino. Um “tubo de ar” mantinha a água a um metro da sua carenagem e esse efeito era provocado pelo escudo protetor do veículo, o qual podia ser regulado de zero a três metros.

Salino forneceu algumas explicações, fez umas três regulagens de diâmetro do tubo e até abriu uma das portas do Canarinho. O tubo era completamente transparente e elástico, pois os peixes que nele se chocavam eram repelidos. Logo avistamos as nove cúpulas da colônia e Salino deu uma volta lenta em seu perímetro para que eu tivesse uma visão panorâmica do local.

Durante a operação, forneceu detalhes sobre dimensões, características e modo de funcionamento daquele impressionante centro de lazer. No final, conduziu o veículo por um dos tubos inclinados que dava acesso à cúpula de estacionamento e nela entrou. Logo chegou uma nave do tipo 6, da qual desembarcaram diversos passageiros que portavam bagagens de mão e partiu com outros que lá estavam. 

A colônia era constituída por uma grande cúpula central interligada a outras oito menores, dispostas em círculo, as quais também mantinham ligações entre si. A maior tinha 432 metros de diâmetro, 36 de altura no ponto central e era destinada a atividades coletivas, possuindo restaurantes, cinema, mercado e salões de jogos, dentre outras comodidades. As outras tinham dimensões idênticas àquela que conheci anteriormente e todas eram protegidas com o mesmo tipo de campo de forças. Uma era destinada a estacionamento, terminal de transporte e almoxarifado de equipamentos de lazer. As outras sete abrigavam dormitórios que podiam acomodar mais de seis mil pessoas.

Nos oceanos, rios e grandes lagos, havia umas duas mil colônias iguais àquela e outras três mil e quinhentas como a anterior. Logo que deixamos as bagagens em nossos quartos fomos almoçar em um dos restaurantes e depois, conhecemos alguns ambientes da cúpula maior, quando conversamos com vários freqüentadores. Mais tarde, saímos para o mar com os maravilhosos veículos aquáticos. O local tinha muitos bancos de corais, variada vegetação e uma infinidade de peixes de inúmeros tipos, cores e tamanhos. No final da tarde, deixamos Salino e Tentra com amigos e retomamos a pesquisa histórica.

Os documentários enceravam o ciclo de apoio aos sobreviventes e abrangiam um período de 21 anos, indo até o ano 42. Compreendiam o final do governo de Nunzain, que faleceu no ano 38, três anos após a unificação dos países que formavam o continente mais problemático. No final daquele período havia uma grande disposição para a criação do governo central e todo o planeta já falava e escrevia em uma única língua. Também havia um ideal de igualdade e de fraternidade entre os povos e, além da casa e do mobiliário, todos tinham direito à alimentação, vestuário, educação e assistência médica.

O parto arretiano

Fui acordado por Salino, Tentra e Syndi cantando uma música do tipo “parabéns a você”, pelos meus 30 dias de estada no planeta. Após a refeição, rememoramos alguns dos principais acontecimentos desde a chegada à SOL-4 e fomos visitar o hospital de uma cidade industrial do ramo alimentício. Eu estava bastante curioso, pois, apesar de ter uma boa idéia de como acontecia, ainda não tinha acompanhado um parto de dentro da piscina. Dois convidados poderiam assisti-lo e Tentra pediu para Syndi me acompanhar. 

As salas de parto tinham duas piscinas interligadas por um corredor e a água era aquecida à temperatura do corpo. Uma delas era destinada a partos normais e a outra, com uma mesa anatômica no centro, era utilizada para partos com indução, ou para a mãe descansar após o parto normal, como era comum. O ambiente era visível de uma ante-sala, de onde os parentes e amigos acompanhavam aquele momento especial para os arretianos, semelhante à espera pelo desembarque de um ente querido que estava ausente por vários anos.

Logo que chegamos, um dos médicos nos levou a uma dessas ante-salas e, enquanto explicava o processo e como deveríamos nos comportar, um outro médico entrou com uma futura mamãe, seu esposo, alguns familiares e amigos. Assim que o jovem casal foi informado sobre o motivo da nossa visita, nos reconheceram e nos convidaram para assistir ao parto. Essas situações eram comuns em todos os lugares, em função dos noticiários transmitidos pela CIA.

Savona, a futura mamãe, tinha 25 anos e aquela era a sua primeira maternidade. Ela disse que nasceria uma menina com cabelos castanhos como os dela e olhos verdes, como os do pai, além de uma série de outros detalhes sobre a estatura adulta e feições da filha, pois a avançada medicina arretiana tinha recursos que embasavam todas as suas afirmações. A conversa foi interrompida pelo médico que nos pediu para acompanhá-lo até uma sala contígua, onde tomaríamos o banho anti-séptico e depois entraríamos na piscina.

Tomamos o banho por último e, quando entramos na sala, o casal estava mergulhado sob os olhares atentos do médico. Fora da piscina, um outro médico monitorava Savona em uma mesa de controle, enquanto duas enfermeiras aguardavam. Logo entramos na piscina com uma delas, pois o parto iria ocorrer em minutos e sem necessidade de indução, como era mais comum. Assim que reiniciamos a conversa, Savona começou a sentir contrações sem dor. Recebemos um escafandro especial, mergulhamos e ficamos observando os cuidados e carinhos que ela recebia do esposo, do médico e da enfermeira.

Quando ela sentiu uma contração mais forte, pois arregalou os olhos, observamos a cabeça do bebê. Depois que o médico rompeu o cordão umbilical, a criança começou a nadar com o pai. Savona se juntou a eles e, em seguida, passaram para a outra piscina, onde mãe e filha se acomodaram na mesa anatômica. Permaneceram ali por uns dez minutos, enquanto o médico e a enfermeira prestavam alguns cuidados às duas.

Durante esse tempo conversamos com o casal e Savona afirmou que não sentiu dores ou qualquer dificuldade durante o parto. Depois, colocaram mãe e filha em uma cama flutuante e as levaram até a parede de vidro, para que os parentes e amigos pudessem observar a criança e conversar com os pais através de um sistema de comunicações. Alguns minutos depois, as duas foram levadas para um local onde receberiam os cuidados finais e seriam instaladas em um amplo apartamento, com todas as comodidades para o bebê, para o casal e para as visitas.

Em seguida, as piscinas foram esvaziadas, desinfetadas e novamente cheias, ficando prontas para um novo parto. No restante da manhã visitamos apartamentos e conversamos com pais, parentes e amigos. O que ficou evidenciado foi o carinho que dedicavam às mães, aos bebês, aos pais e aos visitantes, gerando uma energia positiva que contagiava todos.

Voltamos à colônia e, depois do almoço, pegamos os veículos aquáticos e saímos para um passeio sobre bancos de corais. Retornamos no final da tarde para uma nova etapa de documentários que abrangiam um período de sete anos, do 43 ao 49. No final do ano 48, os sete governos continentais e a quase totalidade da população era favorável à criação do governo central. Nos meses seguintes, os governantes e suas equipes começaram a se reunir para resolver os últimos detalhes e definir os critérios para estruturação do novo organismo e escolha da primeira equipe de dirigentes.

Chegaram rapidamente a um consenso e, na metade do ano 49, houve uma grande reunião na ilha de Agartha. Como ainda não havia televisão, os espaciais forneceram o suporte tecnológico, instalaram telões em praças públicas e o acontecimento foi transmitido para todo o planeta. Depois de emocionados discursos dos governantes continentais, realizaram uma rápida votação e, quando o comandante da frota de apoio divulgou os resultados, todos aplaudiram, se abraçaram e se emocionaram. Essa mesma reação ocorreu nos demais recantos do planeta e a onda de harmonia, de entendimento e de amor que tomou conta de todos ocasionou um grande fenômeno.

Ahelohim, o Messias arretiano, se materializou no grande centro de convenções e transmitiu muitas informações sobre as dádivas que o Pai Celestial iria distribuir aos seus filhos a partir daquele dia. Também informou que os futuros governantes seriam por Ele indicados para cumprir a mesma difícil missão que esperava os recém eleitos. A aparição e as palavras de Ahelohim provocaram tamanho entusiasmo e confiança na população, que tudo foi facilitado. Muitos problemas potenciais foram facilmente superados e outros nem ocorreram. O primeiro governante foi Thauro, o mesmo que substituiu Nunzain.

Visita ao Centro de Reabilitação de Campos Verdes

Após a refeição matinal, arrumamos as malas e saímos com destino ao Centro de Reabilitação de Campos Verdes. Como o hospital de Agartha, era um dos 20 maiores do planeta e um dos mais procurados para tratamentos regenerativos, desde a substituição de uma unha até do próprio corpo físico. Esses tratamentos eram motivados por acidentes em atividades de lazer ou domésticas e 80 por cento deles ocorria antes dos 21 anos. Os acidentes de trabalho ou de trânsito eram tão raros em todo o planeta, que os arretianos se lembravam facilmente deles.

Se alguém danificava a mão, clonavam uma nova a partir do seu DNA e realizavam o implante com avançadas técnicas de microcirurgia, sem deixar o menor vestígio. Conforme já foi relatado, os casos mais raros ocorriam quando o corpo sofria danos extensos que impediam o espírito de continuar o seu trabalho. Nesses casos, criavam um corpo com a idade e características do original, para o qual transferiam o espírito do paciente e desintegravam o anterior.  Um ponto digno de nota era o grau de satisfação dos internos. Todos se sentiam como se estivessem em suas casas e não em um hospital. Após a visita, fomos a um supermercado nos abastecer e rumamos para um outro interessante local de lazer.

Passeio no Retiro da Serra Dourada

Localizado em uma planície sobre uma serra de encostas íngremes, tinha uma largura média de 8 quilômetros e uns 140 de comprimento. A planície era coberta por um tipo de cipreste, cuja cor amarelada dava nome àquele local. Em um dos lados, a serra acompanhava a orla marítima e do outro, tinha vistas para um grande vale com algumas cidades agrícolas.

O Retiro da Serra Dourada era um local para recolhimento e descanso e não contava com supermercados, restaurantes e outras facilidades comuns em outros centros de lazer. Lá havia mais de 100 mil chalés bastante distanciados uns dos outros e o nosso ficava no lado oeste, com vistas para o grande vale. Tentra e Salino tinham uma especial predileção por aquele lugar, onde sempre passavam alguns dias dos seus períodos de férias.

Após o almoço fizemos uma longa caminhada pelo bosque e depois voltamos para continuar a pesquisa, deixando Tentra e Salino livres. No final da tarde eles nos interromperam para observar o “pôr-do-sol” e o espetáculo de cores que ele sempre gerava. Jantamos mais cedo, conversamos um pouco e retomamos a pesquisa por mais umas três horas.

Os documentários abrangiam o início do ano 50 até meados do ano 96. Nos primeiros vinte anos, todos os esforços foram voltados para a consolidação do governo planetário e para a racionalização dos meios de produção. Nesse período, o restante das pessoas adultas que sobreviveram à grande transição retornaram ao plano espiritual e aquelas que não conseguiram assimilar os princípios da irmandade planetária, foram transferidas para mundos mais afinados com suas idéias e ideais.

A partir do ano 70, com a limpeza da aura espiritual do planeta e o amadurecimento da nova geração, a população começou a vivenciar plenamente o princípio do “ama ao próximo como a si mesmo”, desencadeando uma nova era de grandes progressos, tanto a nível moral, como científico. Os espaciais, apesar de todo o suporte que forneciam, ainda não tinham liberado ou transferido nenhuma tecnologia mais avançada.

Naquele período, começaram a treinar a população e montaram as primeiras fábricas de naves e de outros bens de alta tecnologia. Vale ressaltar que as máquinas e equipamentos básicos dessas fábricas vieram de seus planetas de origem e, como tudo que tinham trazido e distribuído desde os dias da grande transição, também foram doadas aos arretianos. 

Em paralelo, o governo central começou a planejar e a construir cidades com novos padrões e parques urbanos. Muitos balneários foram estruturados nesse período para serem utilizados nos fins de semana e nas férias anuais, que já eram um direito de todos. Thauro faleceu pouco antes da metade do ano 96 e foi substituído por Hórhium, um ser muito especial e reconhecido pelos habitantes como o próximo governante do planeta, conforme Ahelohim havia informado. 

Novas visitas a áreas agrícolas

Os habitantes das cidades avistadas do nosso chalé se dedicavam ao cultivo de frutas de inúmeras espécies e variedades. Após a refeição matinal fomos conhecer três delas, onde acompanhamos diversos trabalhos que realizavam. Apesar de semelhantes àqueles levantados anteriormente, a visita foi muito útil, pois serviu para observar inúmeros detalhes e também para conversar bastante com outros “trabalhadores rurais”. 

Almoçamos no último local visitado e depois fomos conhecer um atrativo singular, a Cachoeira da Fumaça da Serra Dourada. Com um grande volume d’água e uma queda livre de uns trezentos metros, formava um grande lago com praias em sua volta. Em razão da altura, a água caía quase vaporizada e, além da névoa encobrir uma parte do lago, apresentava um lindo arco-íris no período da tarde.

Depois das três horas, pegamos carona com um casal e fomos para o chalé, deixando Salino e Tentra com alguns amigos. Até perto das dez e meia da noite, com intervalo para jantar com Tentra e Salino, assistimos a quase seis horas de documentários. Eles completaram o ciclo de consolidação do governo unificado e também apresentaram um resumo dos principais acontecimentos ocorridos até o governo de Arcthuro. Os mais detalhados, com duração superior a uma hora, eram referentes aos primeiros 30 anos do governo de Hórhium.

Eles foram destinados à sistematização da produção em novos padrões tecnológicos e objetivaram elevar a quantidade de bens gratuitos. Também construíram muitos centros de lazer, pois a carga de trabalho foi reduzida para oito horas diárias e as férias ampliadas para dois meses. Hórhium viveu 122 anos e governou durante quase 81. Outros fatos marcantes de seu governo foram o desenvolvimento telepático, a abertura da visão espiritual, da memória de vidas passadas e a mudança de hábitos sexuais.

Hórhium era um ser de grande elevação espiritual e tido pelos arretianos como uma nova manifestação de Olintho. A partir do ano 100, ele consolidou em um pequeno livro, chamado “A Lei de Deus”, o conjunto de normas que deveriam reger o comportamento social do povo, unificando a função política com a espiritual. Nos anos e séculos seguintes, ocorreram muitas transformações, de maneira gradual e segura.

Até o ano 300, a população morava em cidades semelhantes às atuais e as casas contavam com um mobiliário que incluía os conservadores de alimentos. O transporte de passageiros e de cargas era comunitário e já havia cabines de teletransporte nas edificações públicas, locais de trabalho e nas quadras residenciais. O vestuário e demais itens tinham um padrão próximo do atual e o horário de trabalho era de oito horas, com férias anuais de três meses. Todos viviam com saúde até os 150 anos e eram conscientes do momento de retorno ao plano espiritual. O relacionamento amoroso era praticado nos mesmos moldes da atualidade, incluindo o entrelaçamento energético.

Do ano 301 ao 400, todas as residências tinham cabines e teletransporte e as férias anuais chegaram a quatro meses, mantendo-se o horário diário de oito horas. Naquele século, os arretianos intensificaram os trabalhos para recuperar e reflorestar as áreas degradadas, especialmente aquelas onde se localizavam as grandes cidades do passado.

Até o ano 500 havia veículos individuais para todos os interessados e já transitavam pela nossa região galáctica em grandes naves construídas e operadas por eles, iniciando a fase de apoio a outros povos e integrando o comando galáctico em igualdade de condições com os espaciais que os socorreram no passado. O desenvolvimento tecnológico era semelhante ao da sua atualidade, diferindo apenas nos detalhes e níveis de aperfeiçoamentos. As pessoas viviam com saúde e trabalhavam até os 180 anos com vigor juvenil.

Os 100 anos seguintes transcorreram sem novidades, a não ser no incremento das atividades de lazer no planeta e fora dele. Todos tinham direitos a seis meses de férias anuais, mas o trabalho diário continuava sendo de oito horas. A maioria das áreas degradadas estavam recuperadas e os vestígios das grandes cidades do passado tinham desaparecido.

Entre os anos 601 e 722, o trabalho foi direcionado para uma nova racionalização da produção, simplificação geral e aperfeiçoamento de um grande conjunto de itens, especialmente os eletrônicos. Arcthuro assumiu o governo no ano 642 e, como os demais governantes, deu continuidade ao trabalho iniciado pelo antecessor. Ele transformou a vida arretiana no padrão que eu estava conhecendo e reduziu a carga de trabalho para seis horas diárias. Os documentários transmitiram uma visão geral das suas principais realizações, permitindo entender os motivos do respeito e do amor que os arretianos tinham por ele.

Passeio em uma estação orbital

Após a refeição da manhã, arrumamos as bagagens, deixamos o chalé em ordem e partimos para conhecer uma área de produção de verduras e legumes. Como a visita do dia anterior, serviu para conversar bastante com o pessoal e para fixar vários conceitos sobre as atividades agrícolas desenvolvidas no planeta. Almoçamos no local e depois nos dirigimos para o Terminal de Transportes Internos de Agartha, onde estacionamos o Canarinho e embarcamos em uma nave do tipo 6 com destino à Estação Orbital Equador 5.

Quando avistamos a estação, a nave reduziu a velocidade e fez a aproximação em espiral. Salino explicou que adotavam aquele procedimento sempre que alguém realizava a viagem pela primeira vez, para que pudesse ter uma visão panorâmica daquele centro de lazer. Essa era mais uma das inúmeras coisas extraordinárias que existiam em Arret. A Equador 5 era uma das doze estações em órbita e seu formato era idêntico ao da última colônia marítima que visitamos.

Possuía uma cúpula central e oito menores, todas interligadas entre si, com a mesma planta e comodidades básicas. A diferença estava na altura das cúpulas, equivalente à metade e na curvatura menos acentuada, além de apresentar uma atmosfera e uma gravidade própria, como a da SOL-4. O teto dos quartos era opaco e podia ser regulado até ficar completamente translúcido, permitindo observar o firmamento, confortavelmente deitado ou recostado na cama.

Aquela estação era destinada a atividades de lazer e não existia possibilidade de passeio externo. Havia mais oito com a mesma finalidade e outras três que funcionavam como escola de astronomia, engenharia, ciências espaciais e observatório estelar, com equipamentos de ensino e pesquisa muito sofisticados. As doze estações também eram satélites de comunicação da CIA.

Passamos parte da tarde conhecendo as particularidades daquele impressionante local, aproveitando para conversar com seus freqüentadores e funcionários. Depois, fomos para o nosso quarto e iniciamos a pesquisa sobre a estrutura atual do governo central. Interrompemos para jantar e para observar o firmamento, cuja visão das três luas e da infinidade de estrelas era privilegiada, impressionante e indescritível.

Syndi, como a maioria dos arretianos, tinha um excelente conhecimento de astronomia e identificou algumas constelações que eu conhecia em nosso planeta. Vistas de onde estávamos, apresentavam formatos ligeira ou completamente diferentes, além de um número maior de estrelas. Começamos fazendo observações a olho nu e depois, com óculos especiais, cujo efeito de aproximação era equivalente a possantes binóculos.

Meus conhecimentos profissionais ajudaram a entender os documentários e a estrutura organizacional do governo central. Resumidamente, o Presidente dirigia o planeta através das áreas de ação de doze ministérios: Agricultura, Comunicações, Educação, Habitação, Indústria, Lazer, Meio Ambiente, Pesquisa, Relações Exteriores, Saúde, Transportes e Distribuição, além do Urbanismo e Planejamento Urbano.

Havia grandes variações de recursos humanos e materiais alocados em cada um deles e, ao contrário do padrão terrestre, a quantidade de pessoas envolvidas em atividades administrativas de qualquer tipo, era bem menor que aquelas que se dedicavam às atividades produtivas, a nível agrícola, industrial ou de serviços. Com algumas exceções e particularidades, quase todos os ministérios contavam com uma coordenadoria em cada continente e diversas coordenações regionais em cada um deles. Muitos também contavam com coordenações locais em cada cidade ou núcleo populacional.

Lá, as relações hierárquicas eram diferentes do padrão terrestre, pois o conceito de chefia era semelhante a uma liderança natural ou situacional, sem linhas de hierarquia, controles ou avaliações de resultados individuais ou coletivos. O coordenador era um consultor respeitado pela sua experiência técnica e capacidade administrativa. Sua principal função era interpretar os objetivos e metas, detalhá-los e transformá-los em programas de ação grupal ou individual. Eram conselheiros e facilitadores, não controladores.

Passeio no Balneário dos Corais

Deixamos a estação orbital e retornamos a Agartha após a refeição da manhã. Pegamos o Canarinho e logo estávamos sobrevoando o belíssimo Balneário dos Corais, parecido com o local chamado de Coroa Vermelha, na região de Porto Seguro. Seus dez quilômetros de praias e recôncavos eram protegidos por uma barreira de corais que sobressaia até com a maré cheia, formando uma imensa piscina entre ela e a praia, com até 1 km de largura, onde havia pequenas ilhas cobertas por coqueirais e outras espécies de plantas. Nosso chalé ficava próximo à praia e de uma das ilhas.

Quando pousamos e avistei Vércia com os demais amigos da SOL-4, lembrei que já era sábado. Depois dos abraços e beijos costumeiros, Antak informou que a reunião com Arcthuro estava confirmada para a quinta-feira seguinte, às oito horas da manhã, com todos os ministros e ministras. Seria uma reunião informal para orientações e despedidas, pois minha partida estava marcada para o sábado, às 18 horas.

Apesar de não ser surpresa, o comunicado provocou um turbilhão em minha mente, pois comecei a sentir saudades de Arret e da Terra. Eles respeitaram meu silêncio e, quando voltei a conversar, Salino se encarregou de fazer o ambiente voltar ao normal. Depois, descarregamos nossas bagagens, pegamos veículos aquáticos e iniciamos o passeio explorando uma faixa entre a praia e uma ilha localizada a uns duzentos metros dali. Após o almoço e um animado bate-papo, resolvemos utilizar o restante da tarde para concluir a pesquisa sobre a estrutura do governo central, reservando a noite para ficar com eles. Vércia se juntou a nós e os demais foram passear. 

Os documentários mostraram o andamento de alguns projetos pela estrutura governamental. Seguimos os passos para a construção de uma cidade para 12 mil habitantes e, para dar uma idéia da agilidade da estrutura arretiana, a cidade começou a ser habitada no final do décimo primeiro mês. Além da rapidez, tudo funcionou conforme o padrão constatado durante as visitas realizadas e Vércia resumiu a causa da harmonia e agilidade da construção: “todos os envolvidos, desde os que tomaram a decisão inicial, até o jardineiro que plantou a última flor, trabalharam com amor e deram o máximo de si, pensando em propiciar aos novos moradores a melhor qualidade de vida possível e que fossem tão felizes quanto eles eram”.

No início da noite nos juntamos aos demais e fomos a um restaurante construído sobre um cordão de rochas que avançava uns 50 metros mar adentro, dando a impressão que ficava suspenso sobre a água. Depois do jantar, apreciando as praias e o brilho que as luas produziam nas águas calmas, conversamos sobre a viagem de volta à Terra e sobre os levantamentos daquela semana. Depois, voltamos para o chalé e continuamos a conversa até perto das onze horas, quando fomos dormir.

Depois da refeição matinal, todos vieram para o nosso chalé e ficamos conversando na varanda, pois o dia amanheceu com uma chuva leve. Vércia nos provocou para um banho e aceitamos o desafio. Molhamos, sujamos as roupas e brincamos como crianças felizes. Depois, tomamos banho, colocamos trajes apropriados e saímos para o mar com os veículos aquáticos. Exploramos uma parte do cinturão de corais e após o almoço voltamos a nos divertir em outros recantos do balneário.

Retornamos a Agartha no final da tarde e Syndi disse que seus pais me convidaram para jantar com eles e dormir em sua casa, pois iriam viajar no dia seguinte. Ashton e Mani nos aguardavam com muitas saudades e falaram bastante sobre os trabalhos que estavam desenvolvendo no outro planeta. Depois do jantar conversamos sobre os nossos levantamentos e fiz, com a ajuda de Syndi, um relato completo sobre as visitas e passeios realizados nos dias anteriores.

Conversamos sobre a pesquisa histórica, especialmente, a respeito do período de implantação e consolidação do governo unificado. Ashton e Mani forneceram novas informações e detalhes interessantes, pois participaram ativamente daquele período e estavam presentes no centro de convenções de Agartha no dia da eleição do primeiro governante. Tinham lembranças nítidas da materialização de Ahelohim e de todo o ciclo anterior e posterior àquele acontecimento, o que muito enriqueceu a nossa conversa.

Visita a uma indústria de utensílios domésticos

Quando acordamos eles já haviam saído e deixaram uma mensagem curta e significativa no telão. Diziam que nos amavam e que estariam de volta no sábado para as despedidas. Fomos para a casa de Tentra e, após a refeição, saímos com destino a uma cidade industrial voltada para a produção de utensílios e utilidades domésticas. O objetivo da visita não era conhecer os produtos e sim o comportamento e o comprometimento das pessoas com o processo produtivo.

Mais uma vez fiquei encantado com a harmonia e alegria dos trabalhadores, muito diferente do ambiente das nossas fábricas. Como acontecia nos locais de atividades agrícolas ou industriais, grande parte dos jovens casais não retornava às suas casas no horário de almoço. Preferiam o lazer e a refeição conjunta com os colegas de trabalho, os quais eram os seus maiores amigos. Almoçamos no local e depois partimos com destino a uma das seis colônias marítimas da Ilha dos Golfinhos.

Passeio na Colônia Marítima da Ilha dos Golfinhos

Como da outra vez, o Canarinho mergulhou suavemente e alguns golfinhos passaram a nos acompanhar. Navegamos lentamente para melhor apreciar nossos alegres companheiros até a entrada do túnel de acesso à cúpula de estacionamento. A colônia era igual à última que visitamos e, depois de acomodar as bagagens, pegamos dois veículos aquáticos para explorar o local e brincar com os golfinhos e seus filhotes. Eu estava começando a me comunicar com eles, o que era um fato corriqueiro para os meus amigos. No final da tarde retornamos à colônia para a fase final da pesquisa que pretendíamos concluir no dia seguinte.

Assistimos a uma seqüência de documentários sobre o comportamento religioso, desde os 50 anos anteriores à grande transição, quando lá existia cinco correntes religiosas principais. Uma delas era semelhante ao Cristianismo, pois surgiu após a última passagem de Ahelohim e tinha três vertentes básicas, uma muito ramificada, a exemplo dos nossos evangélicos. Suas inúmeras denominações e templos aumentavam à medida que a grande transição se aproximava e, nos cinco a dez anos anteriores, o comportamento religioso era semelhante ao da Terra de hoje, com um nível de fanatismo maior que envolvia, em diferentes graus, a quase totalidade dos países.

A Providência Divina não deixou nenhuma igreja em condições de ser freqüentada após os dias da prestação de contas ao Criador. Nos primeiros dias e meses, em função das preocupações com a sobrevivência, as diferenças religiosas passaram para um segundo plano e os espaciais contribuíram bastante para a rápida mudança de mentalidade. Sempre que eram solicitados para expor suas idéias religiosas, eles o faziam com grande autoridade moral decorrente do exemplo e do irrestrito apoio que prestavam à população do planeta.

As reuniões eram realizadas ao ar livre e de maneira ecumênica, iniciando a unificação do pensamento religioso em torno de Ahelohim e da sua filosofia original, centrada na paternidade de Deus e na irmandade dos homens e mulheres de todas as raças, credos e crenças. Em pouco tempo, a maioria dos sobreviventes não mais defendia suas antigas convicções baseadas em querelas e detalhes separatistas. A mudança aconteceu tão rapidamente que, em menos de três anos, o conceito de “um só rebanho e um só pastor” estava firmemente gravado na mente popular. 

As igrejas não foram mais construídas e com o passar dos anos ocorreram pequenas mudanças no pensamento religioso, relacionadas com a maneira de praticar a irmandade planetária e de sentir a paternidade divina. A partir do ano 100, quando Hórhium aprimorou e simplificou as leis que regeriam o comportamento do povo arretiano e as consolidou em um pequeno livro chamado A Lei de Deus, o pensamento religioso se estabilizou, mantendo-se quase inalterado até os dias atuais.

Nova visita a uma indústria de alimentos

Arrumamos novamente as malas e fomos visitar uma cidade industrial que produzia alimentos não-sintéticos, como compotas de frutas, sucos em pó e outros alimentos pré-cozidos de preparo rápido, cujas linhas de montagem requeriam baixa interferência humana. Como em outras fábricas do mesmo tipo, o expediente era superior a oito horas, em razão do apoio alimentar que Arret estava prestando a um planeta que acabara de passar por sua grande transição. Apesar de estarem cumprindo um horário bem superior ao padrão, os “operários” trabalhavam com redobrada alegria e prazer.

Diziam que estavam retribuindo aquilo que receberam no passado, quando também atravessaram um período de grandes dificuldades e foram socorridos. Mesmo sendo um procedimento automático do governo central, ninguém dava importância ao fato de “ganhar” horas extras para aquisição de vários bens. Muitos tinham créditos suficientes para requisitar dois veículos como o Canarinho e outros bens que alguns ainda não possuíam. Almoçamos no local e partimos para o nosso próximo destino.

Passeio no Parque da Floresta Tropical

Logo começamos a sobrevoar o Parque de Preservação da Floresta Tropical. Salino elevou o Canarinho acima de 20 mil metros e iniciou uma trajetória espiralada em direção ao centro, a uma velocidade próxima de 30 mil quilômetros. Demoramos cerca de uma hora para aterrissar e observamos apenas uma parte da floresta que formava aquele gigantesco parque onde realizamos um piquenique na primeira semana da estada em Arret.

Sua área tinha 6 milhões de quilômetros quadrados e era quase do tamanho do Brasil. Lá havia uns 7 mil povoados, alguns com até 8 mil habitantes fixos. Mais de dois mil eram destinados exclusivamente ao lazer e outro tanto ao uso misto. A população fixa se dedicava à extração de látex, frutas silvestres, resinas e essências. Também retiravam muitas madeiras destinadas às indústrias de construção civil e de mobiliário, aproveitando apenas as árvores maduras e em final de ciclo vegetativo.

Nosso destino era um povoado de uso misto localizado no centro da floresta e a visita objetivava avaliar o comportamento e o grau de satisfação daqueles que viviam no local mais isolado do planeta. Fomos recebidos por um grupo de animados “trabalhadores florestais” e, depois de uma rápida conversa sobre as atividades que lá desenvolviam, deixamos as bagagens no chalé e saímos com um dos casais responsáveis pelo povoado. Utilizamos um veículo do tipo 7 especial e fomos para o local onde umas duzentas pessoas trabalhavam na extração de castanhas.

Algumas delas realizavam a colheita na copa das árvores e outras, no solo, separavam e embalavam castanhas parecidas com as do Pará. As árvores eram muito altas e utilizavam um equipamento que anulava a gravidade e permitia que o usuário trabalhasse em pé ou sentado, com conforto e segurança. Conversamos com diversos trabalhadores e, quando perguntava sobre o aparente isolamento em que viviam, a resposta era sempre a mesma: podiam visitar qualquer local do planeta no horário de almoço, após o expediente ou nos fins de semana e, nas férias, podiam viajar até para outros planetas. Não se sentiam isolados, mas sim privilegiados.

Como todos os arretianos, eram grandes amantes da natureza e curtiam aquele trabalho como um privilégio. Visitamos ainda dois outros lugares e, no primeiro, as pessoas se dedicavam à extração de resinas de algumas árvores. No segundo, colhiam folhas, cascas e flores de diversos tipos. O grau de satisfação deles com o trabalho e com o local onde viviam era idêntico ao do primeiro grupo. No final da tarde fomos tomar banho em uma praia fluvial, onde conversamos com vários moradores e nos divertimos bastante. Jantamos na residência do casal anfitrião e, enquanto Salino e Tentra continuaram a conversa com eles, fomos para o chalé assistir à parte final da longa série de documentários. Dormimos aliviados, pois conseguimos concluir o trabalho com um dia de antecedência.

O pequeno livro denominado A Lei de Deus, compreendia todas as leis religiosas, civis, criminais, tributárias, trabalhistas e políticas. Sua versão original sofreu pequenas alterações ao longo dos séculos e era o único volume impresso no planeta, lido e praticado por todos os arretianos com mais de três anos de idade. Sua essência era baseada nos mais altos preceitos da Lei Divina, respeitada e praticada em planetas com grau evolutivo superior ao nosso. Como todos cumpriam esses preceitos, não havia transgressões, julgamentos ou penalidades. Também não havia juízes, advogados, promotores, policiais, fiscais ou organismos representativos da justiça dos homens.

Parece estranho tratar desse assunto dentro do campo religioso. Porém, em Arret, essas questões tinham a mesma base, cuja essência era o respeito à individualidade e à coletividade, pois se não existisse respeito, não haveria um bom relacionamento humano, sem o qual não floresceria a amizade, o amor, a justiça e a fraternidade que a todos integrava em uma única família, como irmãos e filhos do mesmo Pai. Essa filosofia de vida eliminava a possibilidade de alguém fazer alguma coisa prejudicial aos seus irmãos do reino humano ou aos demais seres dos reinos inferiores.

Por essas razões, pela inexistência de templos e de autoridades religiosas, não existia uma religião formal em Arret. Porém, seus habitantes eram conscientes de suas obrigações sociais e praticavam a lei do amor, da irmandade e da paternidade divina, sem necessidade de freqüentar igrejas. Seus atos práticos e diários avalizavam sua religiosidade interior e os juntava em um só rebanho que seguia um único pastor. Na medida que respeitavam e amavam seus semelhantes como a si mesmos, exteriorizavam sua forma de amar a Deus sobre todas as coisas.

Nova visita à CIA – Central de Informações de Arret

Após a refeição e o bate-papo matinal, deixamos aquele impressionante parque e retornamos a Agartha para conhecer maiores detalhes sobre o trabalho realizado pela CIA. Como já foi registrado, os assuntos eram sempre disponibilizados na íntegra e em resumos com dois níveis de detalhamento, sendo que mais de noventa por cento deles vinham assim preparados. Se recebiam apenas a íntegra, providenciavam e divulgavam os resumos pertinentes. A CIA se dedicava, prioritariamente, à preparação das informações e notícias ligadas à atuação do governo central. Além do departamento referente à presidência, existiam outros especializados em assuntos de cada um dos doze ministérios. A técnica utilizada para preparar os resumos era muito simples e contava com apoio tecnológico e com operadores bem treinados.

Partindo da íntegra, o conjunto era pré-marcado por sofisticados e rápidos programas de inteligência artificial. Alguns temas delicados eram assistidos e confirmados ou remarcados pelos operadores. Outro programa selecionava os trechos marcados e editava os resumos de segundo e de primeiro nível, liberando-os para a população. O trabalho realizado pela CIA, juntamente com as notícias, informações e documentários produzidos nos mais diversos recantos do planeta, substituía os jornais, revistas e noticiários que aqui conhecemos.

Além de poderem acessar muitos assuntos ao vivo, como era o caso das atividades do governo central, os demais entravam na rede da CIA no momento em que eram gerados, correspondendo ao terceiro nível. Entre uma e seis horas depois, disponibilizavam os dois resumos. Apesar da grande capacidade de armazenamento que dispunham, tinham um critério para decidir quando deveriam retirar um tema de circulação. Como tudo em Arret, ele também primava pela simplicidade e eficiência.

Sempre que um tema de qualquer nível era consultado, um contador era atualizado e datado. Se ficasse três meses sem receber consultas, era selecionado para exclusão e ia para um índice de assuntos e ementas. Como todos tinham uma origem e classificação, alguns eram submetidos ao responsável pela sua geração, que decidia excluir os três níveis ou manter parte deles. Mesmo excluídos, podiam ser acessados mediante solicitação simples e rápida à CIA. Quando concluímos a visita fomos para a nossa casa e, logo que Vércia chegou, matamos a saudade da piscina até a hora do almoço. Assim que ela voltou ao trabalho, retornamos à piscina e lá ficamos até a hora do jantar. Tentra e Salino foram visitar alguns parentes, enquanto Vércia, Syndi e eu fomos ao mirante para conversar e apreciar o luar.

A terceira reunião com Arcthuro

Após a refeição, Vércia informou que fez reservas para nós no Balneário da Baía dos Coqueiros até o sábado de manhã e para seus pais no Retiro da Serra Dourada. Justificou que merecíamos um descanso depois de tantas atividades desenvolvidas nas últimas semanas. Assim que ela saiu, fomos para o Palácio da Harmonia, onde Antak, Tali, Otento e Sathya nos aguardavam.

Quando entramos no gabinete de Arcthuro, todos os seus ministros estavam com ele e seguiu-se uma longa sessão de cumprimentos e incentivos que me emocionaram, pois mesmo sabendo que a reunião seria com eles, não esperava que me tratassem como alguém que realizou um “estafante” trabalho de levantamentos e pesquisas históricas. Também procuraram me tranqüilizar quanto às dificuldades que eu imaginava ter para me recordar de tudo quando voltasse à Terra.

Conversamos durante uma meia hora, até que Arcthuro nos convidou para sentar. Ele iniciou a reunião dizendo que todos estavam satisfeitos com os resultados do trabalho e, como já havia dito anteriormente, fez questão de frisar que eu não estava obrigado a escrever a respeito. Salientou que minha decisão não seria questionada por ninguém, mas se escrevesse, o texto seria gravado nos anais espirituais da Terra e as pessoas que tivessem afinidade com o tema poderiam acessá-lo durante o sono, como acontecia com muitos que sonhavam com um mundo melhor.

Afirmou que quanto mais pessoas sonhassem com o amanhã da Terra e procurassem viver mais próximos de seus novos padrões, menos dolorida seria a transformação. Se decidisse escrever o livro ou livros, pois o tema era extenso, disse que eu poderia utilizar o ano terrestre de 1999 para fazer um resumo geral e complementá-lo aos poucos, sem me preocupar com o tempo necessário para terminar o trabalho. Alguns ministros e ministras fizeram comentários parecidos, enfatizando a minha liberdade de decisão. Enquanto Othíbio, Vhega, Khap, Delphis e Isis falavam, Arcthuro parecia observar o infinito ou algo que eu não via. 

Quando Isis terminou, aproveitei para falar que o livro era uma certeza e que iria escrevê-lo em duas ou mais partes. A primeira estava bem definida e seria em forma de diário, descrevendo tudo que aconteceu desde o encontro com Oatas. A outra, que poderia ser dividida em dois livros, conforme os detalhes que fossem relembrados, conteria uma visão histórica e filosófica desde o período anterior à grande transição e descreveria a atualidade do planeta com um enfoque sistêmico, objetivando racionalizar sua aparente utopia. Disse que só não o faria se minha memória fosse bloqueada na volta à Terra.

Arcthuro afirmou que isso não aconteceria, apesar de que eu acordaria na Terra sem nenhuma lembrança da estada em Arret. Elas surgiriam gradativamente e, no primeiro momento, eu apenas sentiria uma grande vontade de voltar a escrever o livro que tentei iniciar algumas vezes. Porém, assim que começasse a escrever, as idéias e as imagens iriam surgir continuamente, como em um filme proveniente de um sonho, ou da minha imaginação. À medida que as primeiras páginas fossem escritas, eu teria a sensação da estada na SOL-4 e, posteriormente, entre eles. 

Afirmou que, quando chegasse a esse ponto, a conexão seria completada e eu teria as mesmas lembranças que tinha naquele momento, desde que me mantivesse no objetivo de compartilhá-las com outros “sonhadores” que vivem na Terra. Agindo assim, eu seria assistido por eles e por outros seres, além de contar com a chave representada pelas pessoas, locais, máquinas e objetos que conheci. Disse que todos, de alguma forma, gravaram imagens e informações em meu espírito, as quais seriam transmitidas gradativamente à memória consciente. Novamente, alguns ministros e ministras fizeram colocações sobre as facilidades que eu teria para concretizar o livro.

Depois, Arcthuro disse que tudo foi cuidadosamente planejado, desde o contato inicial com Oatas até o momento do retorno à Terra e reentrada no meu corpo original. Falou que assim procederam para que não houvesse nenhum impedimento que não decorresse do meu livre arbítrio. O plano envolveu seres como Oatas, Tentra, Salino, Antak, Tali, Otento, Sathya, Vércia e Syndi, porque todos conviveram comigo no passado. Arcthuro fez um agradecimento a eles e, de maneira especial, a Oatas, Tentra, Salino e Syndi, quando os presentes se emocionaram e houve alguns segundos de silêncio.

Logo comecei a sentir um agradável perfume e notei dois pontos crescentes de luz oval atrás de Arcthuro. Quando atingiram uns dois metros de altura, eles se condensaram e se transformaram nas figuras representativas de Jesus e de Ahelohim. Eles sorriram, começaram a circundar a mesa e, quando passaram pelo local onde eu estava, senti uma intensa vibração, seguida por uma grande sensação de paz e felicidade. Ao retornarem à posição inicial, olharam para todos com um belo sorriso e, sem nada dizer, começaram a se transformar em luz que foi aos poucos se apagando. Ficou no ar o perfume e sensação que tive.

Fiquei intrigado, pois tinha certeza que tinham transmitido alguma mensagem que não consegui captar. Antecipando-se à minha pergunta, Arcthuro disse que eles estavam satisfeitos com o trabalho realizado e que Jesus, quando passou por mim, expressou que havia chegado o momento de retomar o trabalho iniciado em 1978, agora em um nível diferente, mas com o mesmo objetivo. Depois, Arcthuro perguntou se eu tinha entendido a mensagem. Respondi afirmativamente e muitas coisas do passado desfilaram pela minha mente.

Todos estavam emocionados e felizes com a presença daqueles dois seres de alta envergadura espiritual e Arcthuro falou deles, especialmente sobre Jesus, a quem também amavam e respeitavam como a Ahelohim, pois Jesus o ajudou em muitas de suas aparições e missões junto ao povo arretiano. Por isso, os povos dos planetas que conheciam o seu difícil trabalho na Terra, estavam juntos em uma grande cruzada de apoio à nossa humanidade, antes, durante e, principalmente, após a grande transição, cujo momento estava se aproximando e iria ocorrer no dia e na hora determinada pelo Pai Celestial.

A seguir, ele falou que a SOL-4 iria partir às seis horas da tarde do sábado com a mesma tripulação e que eu poderia retornar a Arret em alguns meses ou anos, dependendo de como as coisas evoluíssem na Terra. Disse que, após escrever o livro ou livros, seria importante não me preocupar com sua publicação, divulgação, sucesso ou insucesso. Frisou que essas coisas não estariam mais sob o comando da minha vontade, mas sob os cuidados de outros seres, com maior liberdade e facilidade para esse tipo de avaliação e determinação.

Quando terminou, ele se levantou, agradeceu novamente aos presentes, aos habitantes de Arret e, em seguida me abraçou e desejou sucesso. A despedida dos ministros e ministras demorou vários minutos, pois todos tinham uma palavra de incentivo e de carinho. Meus demais amigos receberam o reconhecimento de todos e, na saída, Arcthuro lembrou que eu estava com a chave que abriria minha memória inconsciente após o retorno à Terra e falou que estaria conectado comigo sempre que eu estivesse pensando ou escrevendo sobre Arret. Essas foram as últimas palavras daquele ser maravilhoso. Já no saguão do Palácio da Harmonia, despedimo-nos dos amigos da SOL-4 e marcamos um novo encontro para a hora do embarque.

Novo passeio no Balneário da Baía dos Coqueiros

Quando chegamos em casa, conversamos sobre a reunião, almoçamos e continuamos a conversa até Vércia voltar para o trabalho. Depois, arrumamos as bagagens e partimos. Salino e Tentra foram no Canarinho e nós utilizamos o Borboleta, o veículo de Syndi. Durante o trajeto ela disse que não iríamos comer em restaurantes, pois queria que eu partisse com uma boa impressão de seus dotes culinários. Mais tarde entendi o real motivo daquela conversa: eu precisava ter uma experiência completa com os equipamentos de uma cozinha e com a preparação de uma refeição típica.

Depois de descarregar as bagagens, fomos buscar os suprimentos necessários, guardamos as “compras”, pegamos um veículo aquático e saímos para um passeio pela baía até o início da noite. Apesar de ter entrado diversas vezes em uma cozinha e ter ajudado em algumas ocasiões, eu ainda não tinha preparado uma refeição completa. A experiência foi interessante e, mais uma vez, pude constatar a simplicidade das coisas arretianas.

Nosso jantar teve uma entrada à base de torradas, biscoitos e três tipos de patês. O prato principal foi uma sopa de legumes e, como sobremesa, saboreamos uma compota de figos. A bebida escolhida, ao contrário do padrão noturno, foi um vinho frisante, semelhante ao “moscato italiano”, igual àquele que Tali escolheu para o brinde na manhã da chegada à SOL-4. Também ingerimos alguns tipos de cápsulas e atuei como assistente de Syndi, mais observando do que trabalhando.

As torradas, biscoitos, patês, sobremesa e as cápsulas vinham em porções individuais, bastando abri-las e servi-las. Para preparar a sopa, colocamos um pacote de legumes em pó e outro de legumes pré-cozidos em uma travessa, despejamos água quente, mexemos e tampamos. Finalmente, tiramos a tampa da garrafa de vinho e nosso jantar estava pronto. Todo o processo não durou vinte minutos, incluindo as longas explicações de Syndi. Arrumamos a cozinha em uns dez minutos e boa parte deles foram gastos por ela falando sobre os cuidados para separar e processar os restos orgânicos e as embalagens, para permitir seu aproveitamento e reciclagem.

Em seguida, saímos para conhecer o mais alto dos mirantes, com uma linda vista panorâmica da baía iluminada. Levamos óculos iguais àqueles que utilizamos na estação orbital e observamos muitos detalhes daquele maravilhoso balneário. Conversamos bastante a respeito da estratégia para escrever sobre Arret e deixamos alguns pontos para serem concluídos no dia seguinte. Por volta das dez horas retornamos ao chalé e fomos dormir.

A refeição matinal, apesar de mais variada e reforçada que a anterior, foi igualmente fácil de preparar. Assim que terminamos a arrumação da cozinha, saímos para um passeio a pé e mais tarde retornamos ao chalé, pegamos o veículo aquático e mergulhamos na baía. Alegando que estava satisfeito com seus dotes culinários, que já conhecia os princípios básicos da cozinha arretiana e que precisávamos ganhar tempo para conversar com os freqüentadores, convenci Syndi a almoçar em um restaurante da ilha central. Continuamos o passeio até o anoitecer e jantamos em um dos restaurantes da baía. 

Conversamos bastante durante a refeição e ela estava especialmente feliz naquela noite. Fomos para o mirante mais alto, acertamos os detalhes finais da estratégia para escrever o livro e a forma de abordagem dos temas mais delicados, como o entrelaçamento energético e a grande transição. Sobre ela, resolvemos resumi-la ao máximo no primeiro volume, deixando os detalhes da sua ocorrência e os acontecimentos anteriores e posteriores para o segundo livro, pois o conjunto de informações dos documentários era muito grande.

Depois, colocamos os óculos especiais e começamos a observar o balneário e o firmamento. Porém, minha mente não se fixou nas belas imagens daquele local e focou um assunto ainda pendente. Durante todo o tempo que estivemos juntos, conversei com ela sobre os mais variados temas e um deles ainda me intrigava. Existia uma grande amizade entre nós e sua dedicação me impressionava, como nas dezenas de horas que assistimos aos documentários que só representavam novidades para mim.

Ela me incentivava, ajudava nas dificuldades e esclarecia dúvidas até durante o período de sono. Porém, sempre que eu falava sobre a origem da nossa amizade, ela desconversava e mudava de assunto. Como fiz algumas tentativas sem sucesso, resolvi respeitar seu silêncio e esperar que ela tomasse a iniciativa de falar a respeito. Syndi dever ter captado meus pensamentos, pois fez uma série de revelações e justificou seu silêncio até aquele momento.

Disse que iniciamos nossa evolução no reino humano em um outro planeta, quase ao mesmo tempo. Em algumas vidas formamos um casal e em outras, fomos parentes ou grandes amigos. Assim se passaram muitos milênios e, enquanto ela conseguiu aprender e praticar mais rapidamente as lições de cada vida, eu fui me atrasando. Quando houve a primeira seleção naquele planeta, ela ficou por lá e eu fui transferido para um outro, que ainda não era a Terra. Desde então, não tivemos mais oportunidade de nos encontrar no plano físico.

Mesmo quando comecei a me atrasar, nunca deixou de existir uma grande amizade entre nós e essa era a razão da nossa afinidade. Ela continuou dizendo que a amizade não diminuía com o passar do tempo, pois era uma das mais altas expressões do amor, cuja natureza era divina e eterna. Daquele planeta, ela foi para Arret em boas condições espirituais e, quase ao mesmo tempo, fui transferido para a Terra, onde aprendi várias coisas e sofri bastante para recuperar o terreno perdido.

Justificou que não achou conveniente falar sobre nossas vidas passadas nos primeiros dias, porque eu estava cheio de bloqueios e não queria que as informações influenciassem o meu comportamento com ela. Por isso, resolveu deixar para conversar após a conclusão dos levantamentos, em um momento como aquele. Em seguida, voltou a falar da amizade e reafirmou que era um sentimento eterno que, ao invés de diminuir, aumentava com o passar do tempo, pois era fermentado por um outro sentimento que também tinha suas raízes no amor.

Era conhecido como saudades, ou o desejo de rever ou de estar perto de alguém ou de alguma coisa querida. Disse que o nosso reencontro era o primeiro motivo que a fazia sentir-se feliz e o segundo e mais importante, era o fato de eu já ter recuperado a maior parte do terreno perdido. Retornamos por volta das dez horas, pois o dia seguinte seria muito movimentado.

As últimas horas em Arret

Quando chegamos à casa de Tentra, ela, Salino, Vércia, Ashton e Mani nos aguardavam para definir a programação do dia e estavam à disposição para uma maratona de despedidas. Eu sabia que os arretianos não tinham esse costume, pois lá, as distâncias são tão curtas e os encontros fáceis, que nunca se despedem. Depois da refeição fomos para a varanda e Salino perguntou onde eu gostaria que me levassem.

Pensei um pouco e disse que queria passar o dia com eles, preferindo seguir o padrão arretiano, e iria me despedir apenas dos vizinhos que encontrássemos durante o banho na piscina. Depois, Vércia, Syndi e eu fomos com Ashton e Mani até sua casa, com a promessa de um encontro na piscina e o almoço na casa de Tentra. Assim que chegamos, tomamos suco e fomos à varanda para conversar sobre os passeios e visitas dos dias anteriores. Depois, quiseram conhecer o que definimos a respeito do roteiro para escrever o livro. O assunto vinha sendo discutido com Syndi há algum tempo e nos últimos dias definimos seu título básico e a estratégia para escrevê-lo.

Falei que começaria registrando tudo que viesse à mente, mesmo que parecesse estranho ou inconsistente. Agiria dessa maneira para não dificultar o processo de transferência de informações da memória inconsciente para a consciente, segundo a chave definida por Arcthuro. Iria descrever as pessoas, os lugares e os acontecimentos na ordem que surgissem e com os detalhes que conseguisse relembrar.

Logo que a redação fosse concluída, iria realizar uma revisão geral e ajustar os tópicos inconsistentes com a idéia geral, além de utilizar a lógica e o senso crítico para introduzir situações omitidas, cortar excessos e complementar idéias importantes. Assim que a revisão fosse concluída, a menos que o tamanho do texto não justificasse, iria dividi-lo em dois ou mais volumes, o que seria bastante provável que acontecesse.

O primeiro e mais resumido estava bem definido e seria um diário da viagem. Relataria os acontecimentos desde o encontro com Oatas, até o momento do retorno à Terra. Descreveria, cronologicamente, todos os levantamentos, visitas, passeios e pesquisas realizadas no dia-a-dia, além de citar os personagens e situações envolvidas. Conteria uma visão geral da atualidade do planeta e do modo de vida do seu povo, enfatizando os motivos da sua felicidade. Não entraria em detalhes do passado e se limitaria a apresentar sinopses dos documentários assistidos.

O segundo volume apresentaria uma visão histórica, filosófica e evolutiva do modo de vida arretiano. Começaria com os antecedentes históricos e descreveria detalhadamente os acontecimentos da grande transição e os trabalhos de apoio aos sobreviventes, até a criação e consolidação do governo central, enfatizando as mudanças de costumes e de filosofia de vida. Os séculos seguintes seriam apresentados resumidamente, com uma visão geral das mudanças ocorridas.

A realidade atual voltaria a ser descrita detalhadamente em um terceiro volume, agrupando os diversos sistemas componentes do macrosistema planetário, com suas relações e dependências. O objetivo desses dois volumes seria racionalizar a aparente utopia do atual modo de vida arretiano, mediante a demonstração dos caminhos e meios que permitiram a sua implantação e consolidação, de maneira lógica, gradual e segura. Ashton, Mani e Vércia aprovaram a estratégia e comentaram que o roteiro iria facilitar as lembranças da minha estada entre eles.

Mais tarde fomos encontrar Tentra e Salino na piscina e, como da primeira vez, lá não havia mais ninguém. Uns quinze minutos depois, os moradores daquela e de outras quadras que conheci, apareceram todos juntos, como se tivessem combinado. Antes de irem para o vestiário, disseram que vieram se despedir à moda terrestre e, quando entraram na piscina, fizeram várias brincadeiras comigo. As despedidas me emocionaram, pois recebi o carinho e o incentivo de todos.

Voltamos para a casa de Tentra e, enquanto ela e Mani preparavam a refeição, ficamos conversando na varanda. Continuamos a conversa depois do almoço, até por volta das quatro horas, quando Ashton e Mani retornaram à sua casa em companhia de Vércia, prometendo estar no terminal de transportes na hora do embarque.

Tentra e Salino foram arrumar suas bagagens, tomar banho e vestir seus uniformes de trabalho. Coloquei a mesma roupa que usei no dia do desembarque e, como não tinha bagagem para arrumar, aproveitei para conversar com Syndi e agradecer tudo que ela fez por mim. Desejei que permanecesse feliz como sempre esteve e que os seus sonhos se realizassem. Ela me desejou a mesma coisa e me fez prometer que não deixaria nada me afetar na volta à Terra, onde tinha uma maravilhosa família me esperando e muito trabalho pela frente. 

Assim que Salino e Tentra terminaram seus preparativos, embarcamos no Canarinho e logo estacionamos ao lado da SOL-4, chegando quase ao mesmo tempo em que Vércia, Ashton e Mani. Entramos e ficamos conversando em uma sala próxima da porta de embarque, aguardando Antak, Tali, Otento e Sathya que estavam no interior da nave ultimando os preparativos para a partida e logo se juntaram a nós.

Continuamos a conversa por mais alguns minutos, até que Antak disse que logo iríamos partir. Despedi-me dos que ficaram e os acompanhei, juntamente com Tentra, até a porta por onde entramos. Foi só quando ela começou a fechar que senti a separação daquelas pessoas muito queridas. Tentra me abraçou, começou com suas brincadeiras e logo nos juntamos aos demais tripulantes na cabine de comando.

O RETORNO À TERRA

Assim que nos acomodamos na mesa de controle, comecei a observar a paisagem externa, procurando pelos veículos dos amigos que ficaram. Antak percebeu o fato e informou que eles não estavam mais na região, pois tiveram que se afastar para permitir a decolagem da SOL-4. Às seis da tarde, depois de algumas interações com o SINE, o supercomputador da nave, ela começou a subir lentamente, virando sua frente para baixo. Logo sua velocidade aumentou e foram aparecendo os contornos da ilha de Agartha, dos continentes e do próprio planeta.

Assim que entrou em órbita, Antak pediu para ocuparmos a mesa circular, onde iria explicar os detalhes da viagem de volta, antes de irmos para a Sala das Águas. Começou informando que eu tinha deixado meu corpo original a umas 1.050 horas e que ele estava dormindo durante duas horas e quarenta minutos terrestres. Disse que iríamos permanecer em órbita até o início da madrugada, quando o SINE comandaria a viagem de volta a Alto Paraíso e o processo de transferência do meu espírito ao seu corpo original.

Continuou dizendo que eu acordaria bem disposto e com uma sensação muito agradável, sem conseguir particularizar o motivo ou me lembrar de algum um sonho. Reafirmou que as lembranças iriam surgir gradativamente, assim que começasse escrever o livro e esse seria o único desejo que eu teria ao acordar. Ele iria se manifestar fortemente, por ser a causa primária de tudo que aconteceu desde o encontro com Oatas.

Disse que eu iria dormir na mesma cama onde recebi o novo corpo e que o processo de transferência seria invertido. Antak salientou que esse procedimento era uma operação rotineira, sem nenhum tipo de risco e me pediu para dormir tranqüilo, como nas noites anteriores. Recomendou que, antes que o sono chegasse, fizesse uma retrospectiva geral, desde o encontro com Oatas, até os primeiros dias em Arret, pois isso iria facilitar bastante as recordações.

Enfatizou a importância da chave para acessar a memória inconsciente, conforme Arcthuro informou, e falou que bastava rememorar os principais pontos de cada etapa, sem necessidade de chegar ao momento atual. Garantiu que eu não teria nenhuma dificuldade para me recordar de tudo que presenciei se a retrospectiva chegasse até Syndi. Depois perguntou se eu tinha alguma dúvida ou receio. Como respondi negativamente, ele nos convidou para um banho na Sala das Águas.

Quando lá chegamos, relembrei o dia do meu primeiro banho ao natural e comentei o fato com Tentra e Salino. Agradeci pela paciência que tiveram comigo durante o período de treinamento e perguntei se eles não me achavam desajeitado ou ridículo naqueles dias. Eles riram bastante e Salino me confortou dizendo que não dei tanto trabalho como estava imaginando.

Informou que outros habitantes de mundos como a Terra e alguns terráqueos que passaram por experiências semelhantes deram mais trabalho. Falou que, por diversos motivos, a maioria deles não conseguiu realizar uma visita tão longa e, como conseqüência, não conheceram tantas coisas. Quando procurei obter outros detalhes a respeito dos terráqueos, ele prometeu fornecê-los após alguns mergulhos.

Salino cumpriu sua promessa sem revelar nomes ou países de origem dos antecessores. Disse que muitos livros e artigos sobre extraterrestres, final de tempos, operações de resgate e assuntos semelhantes, foram escritos por pessoas que passaram algum tempo no interior de naves ou em outros planetas. Algumas delas, por não terem convivido com seres afins, ou por razões de crenças pessoais, dentre outras, não se recordaram ou não escreveram com isenção a respeito da experiência que tiveram, ou centraram seus escritos em aspectos pontuais ou polêmicos.

Algumas trataram somente das catástrofes, sem falar da misericórdia e do amor que o Pai Celestial dedica a todos os seus filhos e filhas. Seus relatos serviram mais para amedrontar, do que para transmitir esperança e a visão de um mundo melhor. Ao enfatizar a transição planetária, não conseguiram transmitir a idéia real ou aproximada da nova sociedade e do grau de felicidade dos povos que passaram pelo exame de seleção.

Outras escreveram sobre mudanças dimensionais de difícil compreensão ou sobre conjuntos de condições que consideraram imprescindíveis para a “evolução ou salvação do espírito”, como a obrigatoriedade de mudar hábitos alimentares, de meditar, ou de se isolar em ambientes campestres comunitários. Salino lembrou que a seleção ou “salvação”, será baseada, exclusivamente, nas boas qualidades cultivadas no coração de cada um e na forma como respeita e se relaciona com seus semelhantes e demais seres da criação.

A “salvação” independe de hábitos alimentares, de crenças religiosas, do tempo de meditação diária e até da “fé em Deus”. Basta que o coração seja um terreno fértil para germinar a semente da irmandade e da fraternidade. Enfatizou que essas pessoas não foram mal intencionadas ou mentirosas. Elas apenas cometeram erros ao descrever somente uma parte da realidade que presenciaram, desconectada de uma visão histórica e sistêmica. Muitas se dedicaram à divulgação de seus escritos e acabaram criando novas correntes de pensamento e formando prosélitos com os mesmos padrões sectários e de fanatismo encontrados em muitas religiões.

Continuou dizendo que, para evitar esses erros, eu deveria escrever sobre a esperança em um futuro e em um mundo melhor, enfatizando a paternidade divina e a irmandade planetária, pois esse era o objetivo do exame de seleção e da prestação de contas ao Criador. Salino falou que ele e os demais acreditavam que eu iria atingir o objetivo, tanto pela visão geral que tinha sobre o modo de vida do seu povo, como pela estratégia que utilizaram e pelo roteiro definido com Syndi, o qual dificilmente eu esqueceria. Disse que bastaria iniciar a redação que as lembranças iriam surgir cada vez mais nítidas.

Em seguida fomos para o restaurante, onde tomamos uma leve refeição e nos dirigimos à Sala do Horto. Lá procuraram manter o ambiente descontraído e Salino fez diversas brincadeiras, permeadas de observações muito importantes sobre os cuidados que eu deveria observar nos dias e meses seguintes, sempre corroborado pelos demais.

Disse que eu iria enfrentar uma realidade totalmente diferente dos padrões arretianos e que deveria voltar a me comportar e a agir como um terráqueo. Todos foram enfáticos ao dizer que durante a redação e revisão, eu estaria revivendo o modo de vida deles e correria o risco de não conseguir reposicionar minha mente dentro dos padrões terrestres. O risco seria maior quando interrompesse a escrita para voltar à atividade de comerciante, a qual não era mais do meu agrado e nem da minha família.

Tali disse que, apesar de ter facilidades para me adaptar, deveria ficar atento a essas questões, pois a correta separação e dedicação a cada uma das duas atividades seria o meu grande teste, maior que aquele a que fui submetido durante os três dias iniciais. Segundo ela, até que minha situação como comerciante não fosse convenientemente resolvida, eu deveria manter um perfeito equilíbrio entre os dois mundos e aguardar, com muita paciência, o desenrolar dos acontecimentos e a mudança que iria ocorrer na minha vida e na da minha esposa e filhos.

Mais tarde, Antak lembrou que havia chegado a hora das despedidas, ou do “até logo mais”, e me acompanharam até o local onde iria dormir, deixar aquele corpo juvenil e retomar minha vida na Terra. Fiz um breve discurso de agradecimento e os tranqüilizei quanto ao meu estado de espírito e total aceitação das regras que deveria obedecer a partir daquele momento.

Em seguida, abracei e beijei cada um deles à moda arretiana e disse que podiam ir para os seus aposentos. Quando se retiraram, coloquei uma música arretiana suave, regulei a luz ambiente para uma intensidade baixa, me acomodei na cama e comecei rememorar os acontecimentos, conforme as orientações de Antak, indo muito além daquilo que ele recomendou.

Naquele corpo, meu raciocínio era muito rápido e tinha enormes facilidades para criar imagens mentais detalhadas e nítidas. A maioria delas, pelo tempo que ficamos juntos, estavam associadas a Syndi. Rememorei várias frases proferidas por Arcthuro nas três reuniões e os motivos de todo o planejamento que fizeram para que a estada em Arret atingisse os objetivos. Ela era a essência da chave por ele citada e, além de ser um reencontro de espíritos afins, sua presença constante visava facilitar as lembranças daquela grande aventura.

Relembrei algumas de nossas conversas e logo visualizei seu rosto sorrindo e confirmando minhas conclusões. Aos poucos ele foi se apagando e meus pensamentos se voltaram à minha família terrestre. Assim adormeci e me desliguei daquele corpo que utilizei durante 44 dias e que me permitiu conhecer e aprender tantas coisas. Foi uma “morte” tranqüila ao estilo arretiano e com ela obtive a informação que faltava em meus levantamentos, todos baseados em observações, sentimentos, vivências ou experiências práticas.

Obrigado por ler este livro. Se gostou, esperamos que leia sua continuação em ARRET – O Passado do Planeta e que se junte aos sonhadores e sonhadoras que propagam um ideal de vida semelhante ao arretiano.

Com isso ajudaremos a materializar o sonho representado pela vida, pela obra, pelas palavras e pelo exemplo de Jesus. Para solicitar ARRET – O Passado do Planeta leia o último parágrafo da biografia do autor.

Apesar dos direitos autorais deste livro estar devidamente protegido e registrado na Fundação Biblioteca Nacional, conforme dados na página dois deste livro, você pode ceder cópias a seus amigos e amigas, pois nosso maior desejo é divulgar a mensagem nele contida.

BIOGRAFIA DO AUTOR

J. A. Dal Col, batizado como José Aparecido Dal Col, nasceu em 23 de Dezembro de 1948, às 15:13 hs em uma fazenda na cidade de Guarantã – SP. Começou a trabalhar ainda jovem em várias atividades e empresas e, em 1967, já morando na cidade de São Paulo, ingressou na antiga Companhia Telefônica Brasileira, onde atuou como escriturário, encarregado, chefe de seção e analista de sistemas. Casou-se em 1973 com Solange, com quem teve três filhos e adotou outros dois.

Em 1978, graduou-se em administração com especialização em análise de sistemas. De 1974 até 1988, desempenhou diversas funções de direção nas áreas de sistemas da Manah, Votorantim, Prodam e bancos estrangeiros, como o First Chicago e BNL. Em fins de 1988 montou sua empresa de consultoria na área de sistemas e, em setembro de 1992 mudou-se para Alto Paraíso de Goiás, onde montou um supermercado e adquiriu uma propriedade rural, o Santuário Vale Dourado, uma área de 658 hectares, com muitas cachoeiras, rios e outras belezas naturais. 

Em 1999, depois de registrar a grande aventura arretiana, mudou-se com sua esposa Solange para o Santuário Vale Dourado onde passaram a viver em estreito contato com a natureza, obtendo a sustentabilidade através do Ecoturismo. Em 2008, tendo como inspiração o modo de vida do povo arretiano, descrito neste livro e, especialmente, em ARRET – O Passado do Planeta, definiram um projeto de Ecovila e começaram a compartilhar o local com outras pessoas interessadas em praticar um novo modo de vida em harmonia com a natureza e um novo estilo de convívio social baseado na cooperação e no respeito à individualidade.

Novas pessoas estão se interessando, ajudando, ou se integrando ao projeto da Ecovila como Sócio(a) Cotista e ela está se desenvolvendo conforme o planejado.

Para outras informações acesse o sitew ww.ecovilavaledourado.com que detalha o projeto de ecoturismo e apresenta outras informações sobre a Ecovila,  incluindo o download de um folder eletrônico com detalhes da filosofia, do projeto geral da Ecovila e como dela participar como Sócio(a) Cotista.

No site acima, você também poderá fazer o download gratuito de ARRETO Passado do Planeta e de duas propostas referentes à Reforma Política e Reforma Agrária. Se quiser, também pode entrar em contato conosco pelo email ecovilavaledourado@gmail.com.

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Um pensamento sobre “ARRET – O Diário da Viagem

  1. Gostei muito do que li e, acredito que tudo isso possa ser verdadeiramente real, afinal, são quase que incontáveis universos, com incontáveis galáxias, com incontáveis constelações, com incontáveis sistemas solares e planetários, isso só no nosso universo em particular. Ou seja, no universo local de Nebadon, um dos milhares de universos, do sétimo Super Universo Onvorton. Portanto, tudo é possivel, para aquele que crê. E eu creio!!!

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